Lucas Klin especial para o Diário
A relação entre humanos e cachorros é mais antiga do que imaginamos, e sua domesticação remonta a milhares de anos. Quando os seres humanos começaram a desenvolver práticas agrícolas e se estabelecer em comunidades permanentes, a domesticação de animais se tornou crucial. Os cães, muito provavelmente, foram os primeiros a serem domesticados, segundo a revista Science.
Essa relação pode ter tido início há 11 mil anos com a aproximação do ser humano com os lobos. Os canídeos começaram a perceber que se ficassem próximos aos seres humanos, eles conseguiriam comida mais facilmente, pois os homens deixavam restos. Já o humano, descobriu que alimentando esses animais, conseguiria se aproximar e usar a relação com os lobos para benefício próprio, como facilitar a caça e guarda, segundo estudos. A partir daí, o ser humano começou a selecionar os canídeos mais dóceis para domesticar, com isso, eles foram se reproduzindo e passando seus genes para frente, fazendo com que essa relação cada vez mais se tornasse uma verdadeira relação de amor e parceria.
Hoje os cães são conhecidos como os melhores amigos do homem, por conta da sua fidelidade e amor incondicional. Muito dessa relação passa por conta desses animais sempre terem vivido em bando e serem extremamente fiéis àqueles que fazem parte do grupo. Além disso, a relação do ser humano com esses incríveis animais, fez tanto eles quanto nós, humanos, evoluírem como espécie, é isso que dizem vários estudos acadêmicos na área.
Fidelidade nos bons e maus momentos
Em Petrópolis é possível ver situações comoventes. Um indivíduo chamado Ademir, vive no momento em situação de rua. O homem relatou que morava em Duque de Caxias e perdeu tudo, inclusive a esposa. Passou a morar em Petrópolis em busca de trabalho e anos depois começou a viver nas ruas. Fui roubado, levaram um telefone e 380 reais do meu auxílio. Hoje durmo e consigo abrigo às 8 horas da noite, no Pernoite, graças ao Centro Pop e de dia fico na Rodoviária e andando por aí, relatou o homem
Apesar da história de vida e situação complicadas, Ademir ainda consegue arranjar motivos para sorrir com seus fiéis escudeiros, os cachorros que o acompanham. Cães que também vivem sem um abrigo, encontraram nesses homens, o carinho e o companheirismo que ainda não conseguiram em um lar. Ademir, hoje, vive apenas com um cachorro, um filhote de cor preta, que o acompanha fielmente pela cidade toda. Ele vai atrás do meu carrinho o dia inteiro pela cidade, relatou o homem que anda carregando um carrinho de supermercado com suas coisas pela cidade, falando do seu cachorro. Ademir, ainda conclui em tom de brincadeira dizendo que o cachorro que o acolheu. Esse é meu cachorro, mas foi ele que me adotou, não eu.
Contudo, apesar da alegria, situações desagradáveis acontecem todos os dias com essas pessoas em situação de rua. Ademir revelou que um de seus cachorros foi roubado enquanto estava dormindo e não pode fazer nada para evitar a situação. Ele foi roubado aqui. Eu estava dormindo, uma mulher pegou o cachorro, botou dentro do carro e sumiu, não deu para eu fazer nada. Era um cachorro velhinho que eu chamava de Duque, concluiu o homem.
É possível enxergar no município inteiro histórias como a de Ademir, onde os cachorros podem ser a única amizade e fonte de carinho e empatia que essas pessoas em situação de rua recebem.
Amor até após a morte
A história de fidelidade e amor entre cães e seus donos é comovente e inspiradora e casos de demonstração de amor até mesmo após a morte são relatados com frequência.
Segundo a reportagem do site português SIC Notícias, em Teaca, Romênia, um cão chamado Mates espera há três anos no mesmo local pela volta de seu dono, que já faleceu. Todos os dias, ele se senta em frente à igreja onde o homem costumava tocar sinos. Os moradores da vila contam que a dupla era inseparável, e agora a igreja se tornou a nova morada do amigo de quatro patas. Mates ouve os sinos e uiva, mantendo viva a memória de seu tutor.
Na Itália, o fotógrafo Alberto Zilaghe compartilhou a história de Snoopy, um pastor alemão de oito anos. Desde a morte de seu dono, Baillu Frongia, Snoopy permanece na rua em frente à antiga casa em Desulo, na região da Sardenha. A lealdade desses animais transcende a morte, tocando o coração de muitas pessoas e repercutindo nas redes sociais.
Além disso, em Guarujá, no litoral de São Paulo, um cachorro chamado Max, anteriormente conhecido como Hashiko, esperou por dias em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) após seu dono ser internado e falecer no local. A história comoveu a todos e, graças às redes sociais, a antiga família de Max o reencontrou, celebrando o amor e a lealdade inabalável entre homem e cão
A realidade é que a fidelidade dos cães é imensurável, onde não importa se a pessoa é pobre, rica, branca, negra, possui lar ou não. Basta cuidado, carinho e atenção para esse pequenos seres, que o humano será recompensado com fidelidade e amor incondicional.
Em Petrópolis existem várias instituições onde cachorros e outros animais podem ser adotados, como: Projeto Pró-Patinhas, Gapa - MA, Dogs Heaven, Amigoviralata, e outras mais. Além disso, esses cães que hoje não possuem uma casa, ou alguém para cuidar, também dependem da empatia e caridade do ser humano. Adotar é um ato de amor, e com certeza a recompensa é a fidelidade e o carinho imensurável.
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