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A História do Carnaval petropolitano: das elites ao povo

Foto: Reprodução
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Darques Júnior Especial para o Diário

Nessa sexta-feira (13) Petrópolis começou a ser tomada por samba, cores e brilhos com o tradicional carnaval, com uma história marcada desde o império. Cancelados a partir 2013, os desfiles das escolas de samba chegaram a ser um ponto alto do carnaval no município, que hoje conta com os blocos sendo símbolos de resistência e trazendo alegria.

Segundo informações do Instituto Histórico de Petrópolis (IHP), tendo raízes no século XIX e influenciado pelos costumes da elite que vinha do Rio para passar o verão na cidade, os carnavais petropolitanos eram inicialmente marcados pelos bailes de máscaras e festas privadas, realizadas pelas elites em locais luxuosos como o Hotel Bragança, um dos primeiro hotéis da cidade, demolido em 1925, que foi substituída pelo Baile do Preto e Branco, criada em 1978 pelo Clube Petropolitano.

Fundada em 1954, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vinte (G.R.E.S Guerreiros da Vinte) segue como uma das escolas de samba tradicionais da cidade, trazendo alegria e sendo símbolo de resistência no  carnaval petropolitano. A escola que é responsável pelo bloco de carnaval Guerreiros da Vinte, que irá tomar conta da comunidade e realizará no dia 15 de fevereiro a troca de abadás por dois quilos de alimentos ou duas caixas de leite no ponto final da Rua Vinte e Quatro de Maio.

Uma das fundadoras do bloco Odete Silva comentou um pouco da história do carnaval da cidade e da fundação do bloco na cidade e pontuou que a comunidade é o berço do samba de Petrópolis. Tudo começou com a organização da comunidade, o que findou na fundação da escola de samba da comunidade localizada no Centro da cidade: “Após a fundação da escola, outras coirmãs foram fundadas como Independente de Petrópolis, Estrela do Oriente, dentre outras”, disse.

Odete ainda relembrou sobre o carnaval da cidade, onde o ex-governador do estado do Rio de Janeiro entre 1897 a 1991, Moreira Franco, ao passar férias em Petrópolis, acompanhava os desfiles que eram muito fomentados pela gestão do ex-prefeito Paulo Rattes, um dos responsáveis pela criação da Associação Petropolitana de Entidades Carnavalescas, comissão fundada em 1969 que tinha como finalidade de organizar e defender os interesses das entidades carnavalescas, como escolas de samba e blocos: “Nós já fomos o melhor carnaval do Rio de Janeiro”, concluiu.

Em 2013, a gestão do ex-prefeito Rubens Bomtempo, anunciou, após reunião realizada em conjunto com representantes de escolas e blocos de carnaval, o cancelamento dos desfiles, pois, segundo eles, o investimento iria para o setor de saúde. Na época, o presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Juvenil dos Santos, comentou que não cancelaria os blocos, apenas que realizaria o repasse dos recursos para outro setor que se encontraria em estado de calamidade. “Estamos pensando no bem-estar da população e tivemos a adesão espontânea das agremiações”, disse Juvenil.

A criadora do bloco lamenta a decisão que permanece até hoje, porém, ela conclui lembrando que, a partir da decisão, como foi a oportunidade de não deixar o samba morrer na comunidade. “A comunidade estava silenciosa em um dia de carnaval e conversando com amigos envolvidos com o carnaval, tivemos a ideia de fazermos um bloco”, e complementou dizendo que espera que o carnaval volte: “Qualquer prefeito que entre pode fazer carnaval, porém, todos que entraram até o momento não expressaram interesse. Teremos muito trabalho para reverter e retornarmos a desfilar com nossas escolas”.

A escola Império de Petrópolis, que Odete também faz parte, irá desfilar no dia 16 de março, na Rua 16 de Março, a partir das 16h, e comenta sobre a oportunidade de comemorar o aniversário da cidade e da escola de samba.

Com intuito de levar o bloco de marchinhas para as famílias do Centro, o Vai Dar M já é tradição no município, cantando exclusivamente marchinhas de carnaval. Um dos fundadores do bloco, Eduardo Moreira, comentou que a origem do nome, em 2012 no Bar da Glória, e surgiu após decidirem descer com o bloco na contramão da Rua General Osório, no Centro. “Muitos moradores do Centro reclamavam que só tinha bloco de samba, não tinha marchinha e as crianças não tinham opção”, disse.

Hoje, com 200 integrantes da banda, Eduardo comenta que sempre aos sábados de carnaval, às 16h, o bloco nunca deixou de desfilar, mesmo havendo hoje dois membros fundadores no município. “Fazemos um trabalho muito legal e muito importante incentivar os projetos das bandas marciais na cidade, inclusive terão novos integrantes no bloco que fazem parte desses projetos”, disse.

O Bloco Vai Dar M, que chegou a anunciar a possibilidade de não desfilar este ano, conseguiu apoio do comércio local e marcará presença nas ruas do Centro, às 16h, no sábado (14). Este ano, pela primeira vez, o Vai Dar M estará presente no Palácio de Cristal, na terça-feira (17).

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