Darques Júnior Especial para o Diário
O prêmio Jabuti, principal premiação literária brasileira, anunciou nessa sexta-feira (24) o programa “Rio Capital Mundial Do Livro” como vencedor da Categoria Especial Fomento à Leitura, prêmio dedicado exclusivamente a projetos realizados na cidade do Rio. O projeto tem como objetivo fortalecer políticas públicas estruturantes do livro e das bibliotecas, como a Biblioteca do Amanhã e Paixão de Ler, com abrangência em várias regiões da cidade.
Em Petrópolis, na última segunda-feira (20), foi anunciado o projeto “Agapito e Leopoldina Trilhando histórias para ler e contar”, projeto realizado com apoio da Prefeitura de Petrópolis e do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O projeto percorreu três importantes espaços culturais da cidade Museu Casa de Santo Dumont, Centro Cultural Estação Nogueira e Casa Stefan Zweig , realizando contação de histórias, mediação de leitura e formação de professores. “Levar Agapito e Leopoldina para espaços históricos e culturais é uma forma de aproximar crianças e adultos em torno de um livro que entrelaça fantasia e a História da nossa cidade”, disse a escritora do livro Cristina Ferreira, na ocasião.
Em nota, a Secretaria de Educação diz que aderiu ao programa federal Cantinho de Leitura, iniciativa vinculada ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), que tem como objetivo ampliar o acesso dos estudantes a espaços dedicados à leitura dentro das escolas. O programa já contempla as turmas de 1º e 2º anos da rede municipal e será estendido para as turmas de 4º e 5º anos no próximo ano letivo.
O município também aderiu ao Programa de Formação Continuada Leitura e Escrita na Educação Infantil (ProLEEI), igualmente vinculado ao CNCA, voltado à formação de professores e ao fortalecimento das práticas pedagógicas relacionadas à leitura e à escrita desde os primeiros anos escolares. Todas as 190 unidades da rede municipal desenvolvem atividades permanentes de leitura, planejadas em consonância com as diretrizes pedagógicas de cada escola e integradas ao currículo, como rodas de leitura, projetos literários e ações que estimulam o gosto e a familiaridade com os livros desde a educação infantil.
“É importante, pois tem um poder cognitivo forte, ajuda na concentração e no treino do cérebro”, diz a Psicóloga Keila Braga (CRP: 05/69059). Além disso, a psicóloga destaca que a leitura expande o vocabulário e auxilia na capacidade da imaginação: “A leitura cria um senso de presença no aqui e agora além de evitar as comparações com perfis de internet, corpos irreais e etc”.
Keila também comenta que, com os avanços tecnológicos e a evolução das redes, elas acabam potencializando o consumo excessivo de conteúdos irrelevantes ou de caráter viciante. Ela enfatiza que o estímulo alto de dopamina, por exemplo, causa dependência e afasta as pessoas de algumas questões como a interpretação de texto, a sensação de que o mundo real seja menos interessante em comparação ao mundo virtual e a perda de dicção das pessoas: “Se tudo se torna mais rápido, a interação entre as pessoas se torna mais rápida. A leitura se torna "chata" quando o estímulo não é rápido”.
Segundo dados apresentados pelo Instituto Pró-Livro na 6° edição do Retrato da Literatura no Brasil, em 2024, mais da metade dos brasileiros não lê livros. A pesquisa aponta 53% da população brasileira não costumam ter o hábito de ler um livro ou ler incompleto, marcando a primeira vez na história da pesquisa em que o número de não leitores ultrapassa em comparação aos anos anteriores, sendo a redução de cerca de 7 milhões de brasileiros, incluindo qualquer gênero nos três meses anteriores à pesquisa.
A pesquisa aponta que foram cerca de 5,5 mil entrevistados em 208 municípios, sendo sua 6° edição, sendo realizada em 2007. Em entrevista a Câmara Brasileira do Livro (CBL) na época, a coordenadora da pesquisa, Zoara Failla disse que “É preocupante notar como as salas de aula estão deixando de ser um lugar de leitura, conforme a série histórica demonstra”.
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