Jaqueline Gomes
Com as mudanças nas regras da aposentadoria pelo INSS, muitos brasileiros sentem a insegurança se vão realmente conseguir se aposentar. Além disso, os que conseguem o benefício nem sempre conquistam uma renda suficiente para viver com tranquilidade. No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), 88% dos aposentados dependem exclusivamente do INSS para manter sua renda na terceira idade. Esse cenário levanta um alerta sobre a necessidade de um planejamento financeiro sólido para garantir uma aposentadoria mais segura e confortável.
De acordo com a advogada de direito previdenciário, Sarita Lopes, o melhor caminho é planejar com antecedência, para evitar indeferimento e perda financeira.
“O primeiro passo é identificar se você se enquadra na regra definitiva ou em alguma regra de transição da Reforma da Previdência. Isso é essencial porque, em 2026, regras que exigem pontos e idade mínima sofrem alterações, elevando as exigências. Ou seja: quem deixa para a última hora pode descobrir que faltam documentos importantes, meses de contribuição ou que a idade ainda não é suficiente”, orienta a advogada.
Além disso, a especialista alerta que é comum existir erro no CNIS (extrato do INSS), com vínculos e salários ausentes ou divergentes. “Essas falhas podem reduzir o valor do benefício ou atrasar a concessão, exigindo acerto de dados e apresentação de documentos. Nesse cenário, o planejamento previdenciário é a estratégia mais segura e recomendada. Com ele, é possível analisar todo o histórico contributivo, corrigir pendências e organizar as provas necessárias”, explica Sarita.
O planejamento também compara todas as regras aplicáveis ao seu caso, inclusive as de transição. “Mais do que “saber se já pode”, ele mostra quando é melhor pedir e quanto você tende a receber. Isso porque a melhor regra não é, necessariamente, a mais rápida, e sim a que gera maior segurança e melhor renda mensal”, analisa.
Na prática, o planejamento indica qual regra deve ser aplicada em cada caso e qual paga o maior valor de aposentadoria. Também orienta contribuições futuras, evitando recolhimentos com código incorreto ou valores que não tragam ganho real.
“Para professores, pessoas com deficiência, atividades especiais e quem alternou empregos, a análise técnica é ainda mais importante”, ressalta a advogada.
Quem pretende se aposentar em 2026 deve iniciar o seu planejamento previdenciário com a maior antecedência possível.
Com isso, é possível ajustar o CNIS, reunir documentos e escolher o melhor momento para protocolar o pedido. “Se houver negativa do INSS, ainda cabem recurso administrativo e, quando necessário, ação judicial. Aposentadoria é decisão que impacta toda a vida financeira: planejamento evita surpresas e protege seu direito”, conclui Sarita Lopes.
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