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A roda cultural do CDC terá edição especial

Foto: DARQUES JUNIOR
Foto: DARQUES JUNIOR

Darques Júnior Especial para o Diário

“A roda cultural surgiu como um movimento de resistência. Depois de muito tempo sofrendo com a opressão, conseguimos ter o nosso espaço na Praça da Águia”, foi o que disse Caio Victor Souza, o Afro Dayo, um dos organizadores e apresentador da Roda Cultural do CDC.  A batalha de rimas do CDC é um evento semanal, onde todas as quintas-feiras, artistas do município se reúnem para se expressar e desenvolver seus talentos e, no próximo dia 8, retorna às atividades com uma edição especial e premiação em dinheiro: 300 reais, além da folha com o nome dos competidores da batalha de rimas. Para participar, basta chegar à Praça da Águia, por volta das 19h, e falar com o apresentador para incluir seu nome na lista dos participantes.

Como qualquer manifestação cultural periférica que existem desde os anos 1990, a batalha da CDC teve início no gramado da Praça da Águia por volta dos anos 2000, recebendo certa resistência da população. Hoje, com a lei N° 8.492 de 2016, que eleva a cultura Hip Hop à condição de patrimônio cultural do município, as batalhas de rima como a “Batalha do CDC”, e o “Festival de Cultura Urbana de Petrópolis”, bem como a “Roda Viva”, que acontecem nas Praças da Águia e da Liberdade, no Centro da cidade: “Depois de muitos projetos, edições especiais e palestra sobre o movimento, a visão das pessoas mudou muito perante o movimento Hip Hop, tirando a visão de baderna ou de marginalização que a cena passou em edições anteriores”, disse Afro Dayo.

Caio ainda comenta que vários artistas do “mainstream” desse universo como os MCs Zed, Neo, e Draco, além do WL BXD, campeão da Batalha Estadual de 2025, onde foi contemplado com 5 mil reais, que começou sua carreira nas batalhas do CDC. As batalhas de rima são seletivas de diversos MCs, podendo chegar ao total de dezoito a vinte.

Essa seletiva consiste em um artista rimando contra outro, quem perder, não participa da edição. É uma variedade de MCs com estilos, técnicas e abordagens diferentes para chegar em um número exato. Após a seletiva, começam os jogos: Dois MCs rimando e quem decide é o público na base do grito: Quem tiver melhor recepção da plateia, passa para a próxima fase. O prêmio? A folha onde são anotadas as classificações do MCs, além de prêmios que podem ser variados, como o dessa edição que terá premiação em dinheiro.

Alguns rappers que frequentam a batalha relatam como o rapper andrógino Maurício Muniz, ou Laddy Zinum, contou que já participa da batalha há três anos e que já morou na rua, mas teve sua rede de apoio na batalha de rimas: “O pessoal da batalha fez uma vaquinha para conseguir um celular para mim”, disse. Hoje, Laddy Zinum se envolve com diversos projetos como sua rede social, envolvida com costura e pensa hoje em ser enfermeiro ou seguir carreira como artista independente. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), Petrópolis registrou cerca de 18 casos de crimes relacionados à orientação sexual.

Segundo a Universidade Federal Fluminense, as batalhas de rima são uma das expressões do movimento Hip Hop, que foi criado em meados dos anos 1970 nos Estados Unidos, sobretudo em Nova Iorque, pela comunidade preta e latina periférica que vivia naquela região. O Hip Hop se consolidou como resposta a opressão e a marginalização desses grupos e hoje, segundo sites de streaming musicais como Deezer, Spotify, Apple Music, dentre outros, é o gênero musical mais escutado nos últimos anos.

Além do Rap (Ritmo e poesia, traduzido para o português), o movimento Hip Hop consiste no grafite, ligado às artes visuais urbanas, criadas a partir da tinta em spray com uma estética urbana, o disc-jockey (DJ), que é responsável pela trilha sonora e a musicalidade dentro do movimento, o mestre de cerimônia (MC), que apresenta suas rimas como uma experiência oral e voz para o movimento e o breakingdance, dança que consiste em movimentos inspirados em ginástica, capoeira, entre vários outros estilos de dança e esportes e criado como uma forma de resolver conflitos de maneira pacífica em festas que aconteciam nos quarteirões dos bairros estadunidenses, organizadas pelos DJs das comunidades.

No Brasil, o movimento chega à capital de São Paulo em meados dos anos 1980, onde na Rua 24 de Maio e na parte externa da estação São Bento, próximo ao Vale do Anhangabaú, na capital. Posteriormente, chegando a outras regiões do Brasil, como no estado do Rio de Janeiro. Segundo Denílson Araújo de Oliveira, Professor do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e coordenador do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Geografia Regional da África e da Diáspora (NEGRA), para a Revista de Geografia do Departamento de Geociências da UFJF, no mesmo período, o surgimento da cultura Hip Hop no Brasil se dá em meados da década de 80. Alguns atores da cultura afirmam ter conhecido o Hip Hop através do processo midiático de vídeo clipes e filmes, como Beat Street, na década de 80. “Outros atores afirmam tê-lo conhecido através de bailes funk. Fato este que nos remete novamente ao mito de origem. De qualquer forma, a partir de meados da década de 80 o Hip Hop ganhou uma visibilidade maior”, diz em sua publicação “Juventude e Territorialidades Urbanas: Uma análise do Hip Hop no Rio de Janeiro”.

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