Iniciativa foi apresentada nesta sexta-feira e reúne poder público, Itamaraty e entidades empresariais para preservar um marco da história diplomática brasileira
A Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEP) recebeu, na manhã desta sexta-feira, o embaixador João Luiz Barros Pereira Pinto, representante do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, para a apresentação do projeto “Museu da Diplomacia Casa Barão do Rio Branco”, que propõe a restauração da histórica residência de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, em Petrópolis.
O imóvel histórico, localizado na Avenida Barão do Rio Branco, 279, no Centro, poderá ser transformado em um museu dedicado à diplomacia brasileira e à preservação da memória histórica do país.
A iniciativa partiu da própria ACEP e está sendo desenvolvida em parceria com a Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (ACISA). O encontro marcou o pontapé inicial do projeto, que ainda está em fase inicial de estruturação e tem como objetivo restaurar o imóvel e transformá-lo em um espaço cultural voltado à educação, pesquisa e valorização da história nacional.
A apresentação do projeto, realizada no auditório da ACEP, contou com a presença do prefeito de Petrópolis, Hingo Hammes, do diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Júnior, além de autoridades e representantes do setor público e privado ligados ao turismo, à cultura e à preservação da história da cidade.
Após o encontro, os participantes seguiram para uma visita à Casa Barão do Rio Branco, onde puderam conhecer de perto a situação atual do imóvel e avaliar as condições da estrutura que deverá passar por um processo de restauração caso o projeto avance.
Durante o evento, o embaixador destacou a importância da iniciativa para a preservação da memória histórica brasileira.
“É fundamental preservar a memória nacional. O projeto propõe manter viva a lembrança das negociações e da assinatura do Tratado de Petrópolis. Essa iniciativa conta com todo o apoio e cooperação do Ministério das Relações Exteriores, por meio do escritório de representação no Rio de Janeiro”, afirmou João Luiz Barros Pereira Pinto.
Alney Antunes, diretor de operações da ACEP, ressaltou que a viabilização desta ideia passa necessariamente pelo restauro desta propriedade.
“A ideia de criar o Museu da Diplomacia já havia sido considerada há mais de 20 anos. Com o passar do tempo e o processo de deterioração da casa, a ACEP entendeu que poderia contribuir para fortalecer o restauro dessa propriedade, considerando todo o seu contexto histórico e o potencial que ela tem de valorizar o turismo em nosso município”, destacou.
O prefeito Hingo Hammes também reforçou o compromisso da administração municipal em colaborar para que a proposta avance.
“O primeiro passo é desburocratizar a cessão do espaço para que esse projeto possa ser concretizado. A Prefeitura está empenhada em ajudar, contribuindo inclusive com objetos e arquivos para a estruturação desse novo equipamento cultural que poderá ser instalado na cidade”, afirmou.
A relação do Barão do Rio Branco com Petrópolis
Nascido em 1845, no Rio de Janeiro, José Maria da Silva Paranhos Júnior se tornou uma das figuras mais importantes da diplomacia brasileira. Historiador, político e diplomata, ele ganhou reconhecimento internacional por sua atuação em negociações que ajudaram a definir importantes limites territoriais do Brasil no início do século XX.
A ligação do Barão do Rio Branco com Petrópolis está diretamente associada a um dos episódios mais marcantes da história diplomática do país: a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903.
O acordo, firmado entre Brasil e Bolívia, garantiu a incorporação do território do Acre ao Brasil e marcou um capítulo decisivo na consolidação das fronteiras nacionais. Parte das negociações ocorreu justamente na residência do Barão em Petrópolis, onde o tratado foi assinado, o que transformou o local em um símbolo histórico desse processo diplomático.
Ideia inicial do projeto
De acordo com a proposta apresentada, o projeto pretende restaurar a residência histórica e transformá-la em um centro de cultura e conhecimento, dedicado à valorização da diplomacia brasileira e à preservação da memória do Acre e de seu processo de incorporação ao território nacional.
Com a implementação da iniciativa, o espaço deverá se tornar um novo equipamento cultural da cidade, que receberá o nome de Museu da Diplomacia Casa Barão do Rio Branco, reunindo exposições, conteúdos históricos e experiências educativas voltadas à história da diplomacia brasileira.
A proposta também prevê a criação de ambientes dedicados à trajetória do Barão do Rio Branco, à diplomacia brasileira e à cultura acreana, além da integração do espaço aos roteiros turísticos de Petrópolis.
Próximos passos
A apresentação realizada nesta sexta-feira representa o início de um trabalho conjunto entre as instituições envolvidas. A partir de agora, os parceiros irão atuar na articulação institucional e na captação de recursos necessários para viabilizar a restauração do imóvel e a implantação do museu.
A expectativa é que o projeto contribua para preservar um importante patrimônio histórico nacional, fortalecer o turismo cultural de Petrópolis e deixar um legado para as futuras gerações, valorizando a história da diplomacia brasileira e o papel do Barão do Rio Branco na construção do país.
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