Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) confirmou 303 casos e dois óbitos em Petrópolis
Larissa Martins
O Verão chegou trazendo ondas de calor intensas. Com o aumento da umidade, cresce também os riscos de aparecimento de animais peçonhentos. O clima quente favorece a reprodução, podendo aumentar em até 80% os acidentes com escorpiões, cobras, aranhas e abelhas, por exemplo, segundo o Instituto Butantan.
Neste ano, em Petrópolis, 303 casos e duas mortes foram confirmados, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). De 2015 até o momento, o município soma 2.056 ocorrências. Por isso, é muito importante que a população saiba como proceder em caso de acidentes com esses animais.
Cuidados
A especialista médica da Afya, Dayanna Palmer, ressalta que é fundamental redobrar os cuidados nesta época do ano, principalmente em áreas de maior risco, como terrenos baldios, pilhas de entulho e madeira acumulada, locais que favorecem a presença do escorpião.
“A atenção deve ser ainda maior com crianças e idosos, considerados mais vulneráveis aos efeitos do veneno. Em caso de picada de escorpião, a orientação é procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo, evitando medidas caseiras, já que o atendimento rápido faz toda a diferença,” continua Palmer. Segundo ela, as regiões mais vulneráveis às picadas são dedos, mãos e pés.
Muitas vezes, a vítima só percebe o ferimento minutos ou horas depois de ele acontecer, ao sentir coceira, vermelhidão, dor ou inchaço em algum ponto da pele. Quando não é possível ver o que a picou, o primeiro impulso é imaginar que foi um inseto qualquer e que não haverá maiores problemas. Mas o principal sinal de alerta para diferenciar uma picada comum da picada de um animal peçonhento, que representa perigo à saúde, é quando a lesão não melhora com tratamento sintomático, segundo a médica do Hospital Vital Brazil, Roberta de Oliveira Piorelli.
“De modo geral, quando ocorre inchaço ou dor persistente que só progride, o ideal é buscar atendimento médico, especialmente se começar a ter sintomas sistêmicos, como mal-estar, náuseas, vômitos e manchas na pele”, explica. “Se o paciente não tem alergia conhecida e não costuma ter reações a picadas, e notou que a lesão está diferente do habitual, o quadro merece atenção.”
É importante que a vítima lave bem o local com água corrente e faça compressas frias com água ou gelo aliviam a dor na maioria dos casos. Assim como nos outros acidentes, não é recomendável colocar nenhum produto químico ou orgânico sobre a queimadura, como café, folhas, pasta de dente, gasolina, etc. No caso de picada por taturana (lagarta), ela pode ser levada à unidade hospitalar para identificação da espécie, visando distinguir a Lonomia das outras, visto que, neste caso, pode ser necessário o uso de soro para neutralizar o efeito do veneno.
Tratamento
O principal tratamento para a picada é o soro antiveneno produzidos pelo Instituto Butantan e distribuídos, exclusivamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cada ano, são encaminhados cerca de 450 mil frascos ao Ministério da Saúde, que repassa aos estados após avaliação epidemiológica. Os estados, por sua vez, transferem aos municípios para hospitais públicos, filantrópicos ou privados, desde que seja garantido o tratamento sem custo ao paciente.
O Butantan é o maior produtor de soros antiveneno do país. Ele produz 8 tipos de soros contra picadas de cobras, escorpiões e lagartas, além de soros para tratamento do botulismo, raiva, tétano e difteria, totalizando 12 tipos diferentes.
A linha de produção dos soros antiveneno do Instituto é certificada em Boas Práticas de Fabricação (BPF) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É o décimo maior fabricante mundial de vacinas em doses distribuídas e em valor, segundo a OMS, é o maior produtor da América Latina.
Primeiro socorros
Algumas dicas práticas essências de prevenção, fornecidas pelo Butantan são:
Serpentes: Usar calçados fechado, de preferência de cano alto, ao andar ou trabalhar no mato. Usar luvas grossas para manipular folhas secas, lixo, lenha, palhas, etc. Não colocar as mãos em buracos e tomar cuidado ao revirar cupinzeiros. Evitar acúmulo de lixo e entulho.
Aranhas, escorpiões e lacraias: Manter jardins e quintais limpos. Evitar folhagens densas junto a paredes e muros das casas e manter a grama aparada. Não colocar as mãos em buracos, sob pedras e em troncos podres. Usar calçados e luvas grossas nas atividades de jardinagem. Vedar ralos, frestas, buracos e soleiras de portas e janelas. Afastar as camas e berços das paredes, evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão. Sacudir e verificar roupas e sapatos antes de usá-los. Preservar os predadores naturais: coruja, joão-bobo, lagartos, sapos, galinhas, gansos e quatis.
Taturana (lagarta): Tomar cuidado ao tocar em troncos de árvores e plantas no jardim.Verificar se existem folhas roídas nos galhos das árvores, casulos e fezes de lagarta no solo. Usar luvas de borracha ao manusear plantas.
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