Sete dos casos mais graves resultaram em morte
Larissa Martins
Acordar cedo, se arrumar e sair para trabalhar durante horas faz parte da vida de milhares de petropolitanos. Porém, o que deveria ser mais um dia normal na jornada de trabalho, para alguns, acaba em intercorrências, que podem causar lesões graves e até mesmo custar a vida.
O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), mostra que essa é a realidade de 1.791 profissionais que se acidentaram no ambiente de trabalho de 2024 a 2025 no município. No total estão inclusos os acidentes típicos, de trajeto e não especificados.
Comparando os anos separadamente, o número caiu de 1.375 em 2024 para 416 em 2025. Sete das ocorrências terminaram de forma trágica levando as vítimas a óbito. Em 676 casos as vítimas foram afastadas do trabalho temporariamente e outras quatro notificações resultaram em incapacidade parcial permanente.
Benefícios do INSS
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente, mantém 4.857 aposentadorias por incapacidade permanente e 2.985 benefícios por incapacidade temporária em Petrópolis. Em 2024 eram mantidas 4.825 aposentadorias por incapacidade permanente e 3.310 concessões de benefícios por incapacidade temporária.
Cenário nacional
No Brasil, mais de 1,6 mil trabalhadores e trabalhadoras morreram, por acidentes de trabalho, no primeiro semestre deste ano, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As mortes foram causadas pela prática do trabalho em si, em acidentes no trajeto até o local de trabalho ou por doenças geradas pelo ambiente laboral.
O Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho registrou, entre 2012 e 2024, mais de 8,8 milhões de notificações de acidentes de trabalho, no país. No ano passado, mais de 470 mil pessoas se afastaram do trabalho por causa da saúde mental, principalmente com diagnósticos de transtornos de ansiedade e depressivos.
Exposição a material biológico
Ainda em Petrópolis, além desses, os acidentes de trabalho envolvendo exposição a material biológico, no mesmo período, registraram 227 notificações, sendo 199 em 2024 e 28 em 2025. Esse tipo de acidente é comum entre profissionais da limpeza, coleta e saúde.
De acordo com dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), entre 2012 e 2024, nos setores econômicos de atividades de atendimento hospitalar do pais, de atenção ambulatorial e de atenção à saúde humana, a ocupação de técnico de enfermagem foi a que mais sofreu por afastamentos do tipo acidentário, representando 30,4% do total de ocorrências.
Em segundo lugar, estão os auxiliares de enfermagem, com 9,98%, no mesmo período. Os enfermeiros estão em quarto lugar no ranking, com 6,07%. A ocupação de médico clínico aparece com 0,4% dos afastamentos (na 26ª posição).
O presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), Raul Canal, destaca que esses profissionais lidam com jornadas exaustivas, exposição a materiais biológicos e infraestruturas inadequadas. Para ele, garantir a segurança é imprescindível para o bom funcionamento do sistema de saúde. “Além da adoção de medidas de prevenção, é essencial que haja respaldos jurídico e institucional para que esses profissionais tenham seus direitos preservados e possam atuar com dignidade e tranquilidade”, afirmou.
O especialista em Direito Médico também destaca que ações voltadas ao uso obrigatório e fornecimento regular de EPIs (luvas, máscaras, aventais, óculos de proteção), à capacitação contínua sobre manejo de resíduos, higiene das mãos, prevenção de infecções, além de monitoramento e atualização dos protocolos com base em orientações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e da OMS (Organização Mundial de Saúde), podem elevar os índices de segurança.
Com informações da Agência Brasil
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