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Afastamentos por burnout disparam no Brasil e especialistas alertam para impactos na saúde mental dos trabalhadores

Foto: Magnific
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis

Os casos de afastamento do trabalho causados por burnout cresceram de forma alarmante nos últimos anos no Brasil. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que os benefícios concedidos por incapacidade temporária relacionada ao esgotamento profissional aumentaram 823% entre 2021 e 2025.

Há quatro anos, foram registrados 823 afastamentos ligados à síndrome. Em 2025, o número saltou para 7.595 casos, evidenciando um avanço expressivo dos problemas relacionados à saúde mental no ambiente corporativo.

Além disso, as denúncias envolvendo questões psicológicas no trabalho também cresceram consideravelmente. Informações do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostram que os registros passaram de 190 para 1.022 no mesmo período.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome de burnout está associada ao estresse crônico no ambiente profissional e provoca esgotamento físico, mental e emocional. Entre os sintomas mais comuns estão cansaço extremo, desmotivação, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação constante de incapacidade.

A psicóloga Regina Nascimento Resende, formada pela Universidade Católica de Petrópolis e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, afirma que o aumento dos casos está ligado tanto à maior conscientização sobre saúde mental quanto à piora das condições de trabalho.

“Hoje o trabalhador e a sociedade estão mais conscientes de que estresse, depressão, angústia e mal-estar não são ‘normais’. Antes isso era tratado como algo comum. Com os avanços dos estudos, passou-se a entender que existe adoecimento real”, explicou.

Segundo ela, a pressão por produtividade, a falta de valorização profissional e ambientes tóxicos contribuem diretamente para o crescimento dos casos.

“Existe uma preocupação real com o adoecimento do trabalhador. Muitas pessoas passam anos sem perspectiva de melhora salarial ou crescimento profissional. Isso vai deprimindo emocionalmente o trabalhador aos poucos”, afirmou.

Pressão no ambiente profissional preocupa especialistas

Entre os fatores apontados como combustíveis para o burnout estão jornadas excessivas, metas abusivas, assédio moral, pressão constante e dificuldade de desconexão do trabalho, principalmente após a popularização do home office e dos modelos híbridos.

Para Regina, os sinais aparecem gradualmente e muitas vezes são ignorados por medo do desemprego ou por naturalização do sofrimento emocional.

“O trabalhador começa a desenvolver ansiedade, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, alergias e outros sintomas físicos ligados à somatização. Muitas pessoas demoram a procurar ajuda porque têm medo de perder o emprego ou porque acreditam que precisam suportar aquilo”, destacou.

A especialista também chama atenção para os impactos em cidades como Petrópolis, onde grande parte da população atua em setores como comércio, turismo e serviços.

“Existe muita pressão porque o mercado de trabalho é limitado. Muitas pessoas aceitam situações abusivas por medo de perder o emprego. Isso gera um processo de angústia constante e acaba afetando diretamente a saúde mental da população”, afirmou.

No campo jurídico, o advogado trabalhista Leandro Rodrigues, da Lima Vasconcellos Advogados, explica que o burnout já pode ser reconhecido como doença relacionada ao trabalho, desde que exista comprovação da ligação entre o adoecimento e o ambiente profissional.

“Quando houver comprovação de pressão excessiva, metas abusivas, jornadas exaustivas ou ambiente tóxico, o trabalhador pode ter direito ao afastamento previdenciário, estabilidade provisória após retorno do auxílio-doença acidentário, manutenção do FGTS e até indenizações por danos morais e materiais”, explicou.

O especialista afirma ainda que o crescimento das denúncias deve aumentar a responsabilidade das empresas em relação à prevenção dos chamados riscos psicossociais.

“O aumento das discussões sobre saúde mental amplia o dever das empresas de prevenir situações como assédio moral, cobranças desproporcionais e excesso de jornada. Com a nova NR-1, haverá exigência mais clara para adoção de medidas preventivas”, ressaltou.

Leandro Rodrigues também orienta trabalhadores a reunirem provas caso suspeitem que o adoecimento esteja relacionado ao ambiente profissional.

“Documentos médicos, laudos psicológicos, mensagens, e-mails, metas impostas, registros de jornadas excessivas e testemunhas podem ser fundamentais para comprovar a relação entre o burnout e o trabalho”, disse.

Especialistas alertam que, apesar do crescimento dos casos, o burnout ainda é subnotificado no país. Muitos trabalhadores seguem adoecendo em silêncio, sem diagnóstico ou acompanhamento adequado. As informações iniciais são do Ministério da Previdência Social e do Ministério Público do Trabalho.

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