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Alimentação hospitalar e materiais descartáveis: uma decisão de governança

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Andréa Carius de Sá

Em muitos hospitais, a alimentação de pacientes internados ainda é servida, do café da manhã à ceia, com uso intensivo de materiais descartáveis talheres, copos, potes, tampas e embalagens de isopor. Trata-se de uma prática consolidada, historicamente associada à segurança e à praticidade, mas que hoje merece uma análise mais ampla sob a ótica da governança, do Compliance e do ESG.

Hospitais geram diariamente volumes expressivos de resíduos, que podem chegar a cerca de 4 kg por leito/quarto por dia, considerando a rotina assistencial e os serviços de apoio. Uma parte relevante desse volume corresponde a resíduos comuns, sobretudo quando a segregação é feita de forma adequada. O desafio não está no uso pontual do descartável, mas na sua adoção como padrão, inclusive em situações nas quais não há exigência técnica ou sanitária. A segurança assistencial não está no descarte em si, mas na gestão dos processos: classificação correta, segregação eficiente e fluxos bem definidos. Quando isso  não ocorre, aumentam os impactos ambientais, os riscos operacionais e os custos indiretos, sem qualquer ganho real para a assistência.

Sob o ponto de vista econômico, o descartável pode representar economia imediata. No entanto, decisões orientadas apenas pelo custo de curto prazo tendem a desconsiderar efeitos relevantes no médio e longo prazo, como aumento do volume de resíduos, riscos regulatórios, desgaste reputacional e perda de qualidade na experiência do paciente e de seus familiares.

Em sistemas de saúde mais maduros, observa-se a adoção de soluções equilibradas, com uso de descartáveis apenas quando tecnicamente necessário e adoção de materiais reutilizáveis sempre que possível. Essa abordagem não é ideológica, mas estratégica, pois concilia eficiência econômica, redução de riscos e melhor experiência no ambiente hospitalar.

As decisões sobre os materiais utilizados na alimentação hospitalar estão sendo tomadas apenas pelo custo imediato ou fazem parte de uma análise estruturada de governança, riscos, impacto ambiental e experiência do paciente?

Andréa Carius de Sá
Advogada | Governança na Saúde | Gestão de Riscos & Compliance | Direito Médico
| Atuação Consultiva Estratégica
www.linkedin.com/in/andreacarius as decisões sobre os materiais utilizados na alimentação

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