Condições de geração de energia mais favoráveis permitiram mudança da bandeira vermelha patamar 1
Larissa Martins
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou, na última sexta-feira (28/11), que a bandeira tarifária passou da vermelha patamar 1 em novembro para amarela em dezembro. Isso significa que o consumidor deixa de pagar R$ 4,46 a cada 100 KW/h consumidos e passa a pagar R$ 1,885 a cada 100 KW/h consumidos, encerrando o ano com a conta mais barata.
Segundo a ANEEL, a previsão de chuvas para dezembro é superior às que ocorreram em novembro, na maior parte do país. Contudo, essa expectativa está, em geral, abaixo da sua média histórica para esse mês do ano. Diante de condições de geração de energia um pouco mais favoráveis, foi possível mudar da bandeira vermelha patamar 1 para amarela. Por isso, o acionamento das termelétricas continua sendo essencial para atender à demanda.
Além disso, a geração solar é intermitente e não fornece energia de forma contínua, especialmente no período noturno e nos horários de maior consumo, explica a ANEEL.
Bandeiras tarifárias
O mecanismo das bandeiras tarifárias foi criado em 2015 para indicar o custo real da energia. Ele reflete o custo variável da produção de energia, considerando fatores como a disponibilidade de recursos hídricos, o avanço das fontes renováveis, e o acionamento de fontes de geração.
Antes das bandeiras, as variações que ocorriam nos custos de geração de energia, para mais ou para menos, eram repassados até um ano depois, no reajuste tarifário seguinte.
Com as bandeiras, o consumidor consegue fazer escolhas de consumo que contribuem para reduzir os custos de operação do sistema, reduzindo a necessidade de acionar termelétricas.
Entenda
Para explicar melhor o funcionamento das bandeiras e o que esperar para o próximo ano, Maikon Del Re Perin, especialista em Risco e Inteligência de Mercado, do Grupo Ludfor, destaca alguns prontos.
“A bandeira amarela é acionada quando o sistema entra em estado de atenção, geralmente por redução da vazão dos rios e consequentemente redução dos níveis dos reservatórios, aumento da demanda ou menor disponibilidade das fontes renováveis. Indica risco moderado e necessidade de despacho de energia mais cara. Em uma residência que consome cerca de 200 kWh/mês, o impacto médio fica entre R$ 3,50 e R$ 4,00. Em pequenos comércios, o impacto pode aumentar conforme o perfil de carga”, exemplifica.
Bandeira vermelha Patamar 1 e 2
A bandeira anterior a essa era a vermelha patamar 1 e, segundo o especialista, ocorre quando o sistema apresenta risco elevado de suprimento.
“Isso inclui vazões dos rios muito baixas devido a falta de chuvas apropriadas, picos de demanda e necessidade de uso intenso de térmicas, isso acarreta um aumento do custo de geração e acionamento desta bandeira”, diz.
Patamar 1: situação crítica moderada; R$ 0,04463 por kWh.
Patamar 2: cenário mais severo, com custos muito elevados de operação; R$ 0,07877 por kWh.
Bandeira verde
Já a bandeira verde, acionada em janeiro, fevereiro, março e abril deste ano, acontece quando as condições de geração estão favoráveis: reservatórios em níveis adequados, boa disponibilidade de fontes renováveis e baixo custo marginal de operação. É o cenário em que o sistema consegue atender a demanda sem recorrer a usinas mais caras.
“Não há cobrança adicional, mas mesmo com a bandeira verde, a conta de luz pode continuar alta para alguns consumidores, pois é apenas um dos componentes da fatura. Reajustes das distribuidoras, tributos, aumento do consumo, encargos setoriais e custos de transmissão continuam incidindo, independentemente da cor da bandeira”, esclarece Maikon.
Agravamento no Verão
O especialista em Risco e Inteligência de Mercado ressalta que as condições podem se agravar no período de calor.
“O verão combina com maior demanda de energia causada por fatores térmicos, principalmente por ar-condicionado. Caso as chuvas não sejam apropriadas, o custo de geração pode se elevar e levar ao acionamento de bandeiras mais caras”, destaca.
Previsão para 2026
Para o próximo ano, o Maikon acredita que o cenário mais provável é o acionamento da bandeira verde nos primeiros meses.
“Lembrando que isso é previsão e que o cenário climático poderá se alterar. A estabilidade das bandeiras dependerá principalmente de três fatores: regime de chuvas, crescimento da demanda e entrada de novas linhas de transmissão”, observa.
Dicas de economia
Mesmo que as condições de geração sejam favoráveis, a ANEEL reforça a importância de continuar com bons hábitos de consumo que evitam desperdícios e contribuem para a sustentabilidade do setor elétrico. Com o acionamento da bandeiraamarela, a vigilância quanto ao uso responsável da energia elétrica é fundamental. A orientação é para utilizar a energia de forma consciente.
Por isso, Maikon pontua ainda alguns hábitos simples, que ajudam a reduzir a conta de luz independentemente da bandeira vigente.
“Regular o termostato do ar-condicionado, substituir lâmpadas por LED, desligar equipamentos em stand-by, otimizar horários de uso de eletrodomésticos, revisar eficiência de motores em empresas e analisar contratos de fornecimento quando possível”, sugere.
Veja também: