O medicamento é indicado para o tratamento de um tipo raro de câncer na medula chamado mielofibrose
Vitor Cesar especial para o Diário
A Agência Nacional de Saúde (ANS) aprovou a adição do fármaco Momelotinibe no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde no âmbito de Saúde Suplementar. O medicamento é indicado para o tratamento de um tipo de câncer raro na medula chamado mielofibrose de risco intermediário e alto. A decisão foi publicada nessa quarta-feira (28) no Diário Oficial da União por meio da Resolução Normativa nº661.
Com o nome comercial de Ojjaara, o remédio é um inibidor de enzimas JAK1 e JAK2 e do receptor ACVR1, que ajuda a controlar sintomas de fadiga e febre, reduzir o inchaço do baço e melhorar a anemia causada pela doença, reduzindo assim a necessidade de transfusões de sangue. Além disso, esse tipo de câncer substitui a medula óssea por um tecido fibroso, condição que prejudica a produção de células sanguíneas.
O Radio-Oncologista e Diretor da RadioSerra Radioterapia, Daniel Przybysz explica a novidade com o Ojjaara em relação aos antigos remédios para a doença. “O remédio tem um avanço terapêutico substancial, porque além de ele inibir essas duas enzimas, né, então assim, tanto JAK1 e JAK2, ele promove um controle da doença. Ele reduz a produção de algumas proteínas e a disponibilidade do que a gente tem de ferro hoje dentro do nosso corpo, que a gente precisa para fazer a produção de sangue, aumenta. Ele libera o ferro, e o paciente produz mais sangue e tem menos anemia. Então tem um efeito direto na anemia da mielofibrosa”, diz o especialista.
De acordo com o banco de dados do Sistema Único de Saúde, entre 2018 e 2022, a doença registrou 2.957 internações no Brasil. O país registrou que a maioria dos pacientes eram homens (55%), brancos (51,6%) e de 60 a 69 anos (28%). Desses casos, aproximadamente 10% dos acometidos pela mielofibrose foram a óbito.
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