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Anvisa libera remédio direcionado para o Alzheimer no Brasil

O medicamento tem o objetivo de tratar os pacientes na fase inicial da doença

Foto: EISAI / Divulgação
Foto: EISAI / Divulgação

Vitor Cesar especial para o Diário

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou no Diário Oficial da União no último dia 22, a liberação do medicamento Leqembi, para tratamento de pacientes diagnosticados na fase inicial da doença de Alzheimer. O remédio já estava liberado pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, desde 2023, e é comercializado pelo país até hoje.

O Leqembi tem o princípio ativo do anticorpo lecanemabe que atua contra a beta-amiloide, substância que se acumula no cérebro e é uma das características do Alzheimer. O remédio foi sintetizado para ser parecido com a defesa que o próprio corpo humano produz contra vírus e bactérias, ativar o sistema imunológico e promover a limpeza da amiloide do cérebro.

O estudo que avaliou o fármaco foi publicado, em 2022, na New England Journal of Medicine. Envolvendo quase 1800 pessoas com a doença em estágio inicial, a pesquisa administrou a infusão do lecanemabe a cada duas semanas. Depois de 18 meses, o declínio cognitivo dos pacientes diminuiu, indicando uma progressão mais lenta do Alzheimer.

Ainda não tem previsão para o preço do medicamento no Brasil, primeiramente definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Nos Estados Unidos, o tratamento completo com o remédio custa quase U$27 mil, o equivalente a cerca de 143 mil reais.

O Dr. Carlos Gazanego, médico geriatra e professor da UNIFASE/FMP, diz que o medicamento revoluciona o tratamento do Alzheimer. “Com o Leqembi, conseguimos tratar de forma direta a doença, prevenindo e retardando a destruição dos neurônios em até 30%, que causam a progressão desse tipo de demência”. O médico ainda adiciona que o paciente, além de estar em fases iniciais, necessita ter um gene específico chamado ApoE4, para ser medicado.

Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, cerca de 8,5% da população brasileira com mais de 60 anos convive com algum tipo de demência, representando 1,8 milhão de pessoas. Somente com Alzheimer, a pasta estima um milhão de acometidos. Com isso, a Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz) desenvolveu o Manifesto pelos Direitos das Pessoas que Vivem com Demência, lançado em 3 de maio de 2023, que defende a dignidade desse grupo de pessoas que costuma sofrer discriminação por parte dos demais.

A Secretaria de Saúde de Petrópolis informou que, em 2025, foram identificados nas unidades de saúde do município 177 pacientes com diagnóstico da doença de Alzheimer. Em 2024 foram identificados 173 pacientes com o mesmo diagnóstico, Indicando um crescimento de cerca de 2% na quantidade de paciente computada.

O médico também alerta para os sinais iniciais dessa demência para a conscientização geral. “É necessário ter atenção quando há prejuízo na memória e no cotidiano, sendo em decisões simples até em casos mais cognitivos e funcionais”, conclui Carlos Gazanego.

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