Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
Um dos mais importantes patrimônios históricos e culturais de Petrópolis, a Casa do Barão do Rio Branco, localizada no Centro, chama a atenção de quem passa pela avenida que leva o mesmo nome pelo estado de conservação do imóvel. A residência, tombada provisoriamente pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1983 e que recebeu o tombamento definitivo em 1998, apesar da relevância histórica, apresenta sinais de graves de deterioração. Há cerca de dez anos, a casa foi adquirida para sediar o curso de Arquitetura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No entanto, após uma ação do Ministério Público Estadual, o imóvel precisou ser desocupado por oferecer riscos à segurança dos estudantes, que foram transferidos para outro endereço, na Avenida Ipiranga.
Apesar da atual situação, o destino do casarão pode mudar. Recentemente, a Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEP) apresentou um projeto para transformar o imóvel no Museu da Diplomacia Casa Barão do Rio Branco.
A proposta foi idealizada pela própria ACEP e vem sendo desenvolvida em parceria com a Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa). O projeto ainda está em fase inicial de estruturação e tem como objetivo restaurar o imóvel e transformá-lo em um espaço cultural voltado à educação, à pesquisa e à valorização da história nacional.
Durante a apresentação da iniciativa, realizada em maio deste ano, o embaixador João Luiz Barros Pereira Pinto, representante do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, destacou a importância da preservação da memória histórica brasileira.
“É fundamental preservar a memória nacional. O projeto propõe manter viva a lembrança das negociações e da assinatura do Tratado de Petrópolis. Essa iniciativa conta com todo o apoio e cooperação do Ministério das Relações Exteriores, por meio do escritório de representação no Rio de Janeiro”, afirmou.
Segundo ele, a criação de um Museu da Diplomacia já era discutida há mais de duas décadas. Com o avanço do processo de deterioração da casa, a ACEP decidiu contribuir para fortalecer a restauração do imóvel, considerando sua relevância histórica e o potencial de valorização do turismo local.
A proposta prevê a recuperação da residência histórica e sua transformação em um centro de cultura e conhecimento dedicado à diplomacia brasileira e à preservação da memória do Acre e de sua incorporação ao território nacional.
Com a implantação do projeto, o espaço deverá se tornar um novo equipamento cultural de Petrópolis, reunindo exposições, conteúdos históricos e atividades educativas voltadas à história da diplomacia brasileira.
A iniciativa também contempla ambientes dedicados à trajetória do Barão do Rio Branco, à diplomacia nacional e à cultura acreana, além da integração do museu aos roteiros turísticos da cidade. A expectativa é que o projeto contribua para preservar um importante patrimônio histórico, fortalecer o turismo cultural e ampliar o conhecimento sobre a atuação do Barão do Rio Branco na formação do território brasileiro.
A relação do Barão do Rio Branco com Petrópolis está diretamente ligada a um dos episódios mais importantes da história diplomática do país a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903.
Firmado entre Brasil e Bolívia, o acordo garantiu a incorporação do Acre ao Brasil e representou um marco na consolidação das fronteiras nacionais. Parte das negociações ocorreu justamente na residência do Barão, onde o tratado foi assinado, transformando o imóvel em um símbolo histórico desse processo diplomático.
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