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As decisões do amor

- Ataualpa A. P. Filho - professor

Foto: Pixabay
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Ao tomar uma decisão, quais os critérios que você usa?

Hoje trago o amor como eixo da nossa reflexão para que sirva de ponto de referência das relações entre os homens. Essa escolha foi feita fundamentada nos versículos encontrados no Evangelho de João que expõe o mandamento de Jesus: “Assim como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Todos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”. (Jo 13, 34-35). Diante de tais versículos, intitular-se cristão e pregar o ódio, é, no mínimo, uma incoerência.

E ainda sobre o amor presente na Sagrada Escritura, é válido relembrar o que escreveu o Apóstolo Paulo aos Coríntios: “o amor é paciente, o amor é benigno, não é invejoso; o amor não é orgulhoso, não se envaidece; não é descortês, não é interesseiro, não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...” (1Cor 13,4-7).

Temos que marchar para Cristo sem ódio...

A capacidade de amar é inata, independente de etnia, sexo, nacionalidade, credo. O inexplicável do amor está na imaterialidade. As razões que fazem brotar esse sentimento não são palpáveis. Parafraseando Cecília Meireles, é possível afirmar: amor “é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

Cresce o número de pessoas que, propositalmente, não querem mostrar amabilidade. Optam pela estupidez, pela demonstração da força bruta. Querem colocar os bíceps acima do cérebro e do coração. E, pelo ódio disseminado, criam rivalidades, polarizam conceitos ideológicos por mera prepotência. Mas o momento é de conciliação, de união de forças, do consenso, do diálogo, da concórdia...

Um dos fatores primordiais para se chegar a um consenso reside na reciprocidade do respeito. Opiniões divergentes são encontradas em qualquer relacionamento humano. Oposições políticas também são encontradas em qualquer ambiente social. Mas, quando não há a predisposição para buscar o ponto de convergência, as possibilidades para a consolidação de um acordo são mínimas.

Entre países, entre colegas de trabalho, entre membros de uma família, em qualquer contexto, a intransigência é obstáculo para a manutenção de uma convivência pacífica. Não se apaga incêndio com gasolina. O diálogo sincero só se mantém por meio da íntegra verdade. O insensível tem dificuldade de tornar-se amável.

As decisões intempestivas, impensadas, geralmente, criam atritos. As divergências estão presentes nas relações humanas. Contudo, o diálogo é a via diplomática mais aceitável, quando a reciprocidade do respeito é mantida.

Às vezes, deparamos com decisões que externam a vingança, a ira, a inveja, a intransigência, o corporativismo partidário, o nepotismo, a conivência correligionária na ilicitude.

Legislar apenas para favorecer parentes e amigos tem sido uma prática comum em nosso país. A consciência da coletividade tem sido rara. Os interesses pessoais têm suplantado os projetos que visam ao bem-estar da população. Constatamos propostas políticas explicitamente oligárquicas com o objetivo de concentrar o poder nas mãos de um pequeno grupo que procura exercer o controle econômico do país.

A justiça precisa correr pelo fio da verdade para encontrar a empatia. A Verdade que liberta não está dissociada do amor. A covardia, a injustiça, a traição, a perversidade estão na margem em que a maldade é alimentada. Por isso, cito a temperança como uma virtude, uma vez que exige autocontrole, carrega a prudência como aliada, evita as atitudes desenfreadas. O calor da discussão nem sempre serve como desculpa para as ofensas morais descabidas. As paixões precisam ser contidas pelo tino da racionalidade.

“Quem ama não mata”. Essa frase não é um sofisma. O amor não conduz ao assassinato. Os feminicídios são crimes hediondos por essência, é a materialização do ódio. É inadmissível a violência contra as mulheres. Diariamente temos notícias de crimes bárbaros que revelam a covardia machista que fere mortalmente mulheres que buscam respirar o viver distante das agressões dos homens que não aprenderam a amar. A opção pela vida encontra-se também no “não” dado à submissão.

A dimensão do amor à vida ganha uma instância que exige do Estado uma ação mais enérgica contra a violência. O Estado precisa livrar-se da corrupção. E quem ama a Pátria não negocia a soberania dela.

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