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Aspirina entra no radar da ciência como aliada contra alguns tipos de câncer, mas especialistas alertam para riscos

Foto: Magnific
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis

O uso da aspirina, medicamento conhecido há décadas no combate à dor e à febre, voltou ao centro das discussões médicas após estudos internacionais apontarem possíveis efeitos na prevenção e na redução da progressão de alguns tipos de câncer, especialmente o colorretal. As pesquisas mais recentes, divulgadas pela BBC Future, indicam que o medicamento pode ajudar a diminuir o risco de metástase e recorrência da doença em grupos específicos de pacientes, embora especialistas reforcem que a automedicação não é recomendada.

As investigações ganharam força após estudos acompanharem pacientes com síndrome de Lynch, condição genética que aumenta significativamente o risco de câncer de intestino. Em uma das pesquisas, conduzida pelo professor John Burn, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, pacientes que utilizaram aspirina diariamente apresentaram redução de até 50% no risco de desenvolver câncer colorretal ao longo dos anos.

Além do Reino Unido, países como a Suécia já começaram a incorporar protocolos envolvendo doses baixas de aspirina para determinados pacientes oncológicos, especialmente aqueles com mutações específicas relacionadas ao câncer intestinal.

Apesar do avanço das pesquisas, médicos brasileiros ainda tratam o tema com cautela. Em entrevista exclusiva ao Diário de Petrópolis, o cirurgião oncológico e professor da UNIFASE/FMP, Dr. Thiago Kloh, destacou que os estudos ainda não são suficientes para justificar o uso amplo da medicação como prevenção contra o câncer.

“Não há estudos consistentes que comprovem a eficácia da aspirina na prevenção do câncer. Em alguns estudos pode-se observar algum benefício, mas sem comprovação científica consistente que justifique o uso indiscriminado na população geral com esse propósito. Lembrando que a medicação não é isenta de riscos”, afirmou.

Segundo o especialista, ainda não existe recomendação formal na literatura médica para que pessoas saudáveis façam uso contínuo da aspirina visando evitar tumores.

“Não há indicação, por enquanto, na literatura médica, de nenhum perfil de paciente que vá se beneficiar do uso preventivo e contínuo da aspirina em caso de prevenção de câncer”, explicou.

As pesquisas tentam entender justamente como a substância atua no organismo. Uma das hipóteses envolve a ação anti-inflamatória da aspirina e sua capacidade de interferir em mecanismos ligados à coagulação do sangue, o que poderia dificultar a disseminação de células cancerígenas pelo corpo.

Ainda assim, os especialistas alertam que o medicamento apresenta efeitos colaterais importantes, principalmente quando utilizado por longos períodos.

“Com uso prolongado, a aspirina tem seus riscos bem conhecidos, tais como aumentar o risco de úlceras de estômago e aumentar o risco de sangramentos, incluindo o acidente vascular cerebral hemorrágico, além do fato de poder ter interações medicamentosas com outros fármacos”, completou Dr. Thiago Kloh.

O debate sobre o uso preventivo da aspirina também chama atenção para a importância do acompanhamento médico individualizado, especialmente em cidades como Petrópolis, onde o envelhecimento da população e o aumento dos casos de câncer intestinal vêm ampliando as discussões sobre prevenção, diagnóstico precoce e hábitos de vida.

Enquanto os estudos seguem em andamento ao redor do mundo, a principal orientação dos especialistas continua sendo evitar a automedicação e buscar avaliação médica antes de iniciar qualquer uso contínuo da substância.

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