Jamis Gomes Jr. - estagiário
Pessoas com diabetes poderão contar com atendimento podológico preventivo na rede pública estadual de saúde caso seja aprovado o Projeto de Lei 7.704/26, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A proposta altera o Programa Fluminense de Saúde do Pé Diabético para ampliar as ações de prevenção e reduzir casos de úlceras, infecções e amputações.
Segundo informações divulgadas pela Alerj, o projeto prevê avaliações periódicas dos pés, controle preventivo de calosidades e alterações nas unhas, orientações sobre autocuidado e encaminhamento para atendimento especializado quando necessário. A medida poderá beneficiar mais de 1,3 milhão de pessoas com diabetes no estado, conforme dados da Associação Carioca dos Diabéticos (ACD).
Em entrevista ao Diário de Petrópolis, a podóloga Rosane Branco, proprietária da Rosane Branco Podologia, explica que muitas complicações poderiam ser evitadas com acompanhamento regular.
"As pessoas com diabetes podem apresentar perda de sensibilidade, diminuição da circulação sanguínea, ressecamento da pele, calosidades, rachaduras, micoses e unhas encravadas. Muitas dessas alterações evoluem sem dor, fazendo com que pequenas lesões passem despercebidas e se transformem em feridas de difícil cicatrização", afirma.
Segundo a especialista, o atendimento podológico preventivo vai muito além do corte das unhas e inclui avaliação clínica dos pés, inspeção da pele, identificação de pontos de pressão, orientações sobre higiene, hidratação, escolha adequada dos calçados e inspeção diária dos pés.
"O podólogo também identifica sinais de alerta que exigem encaminhamento médico. Essas medidas ajudam a prevenir lesões, infecções e reduzem o risco de ulcerações e amputações", destaca.
Para Rosane, a inclusão desse atendimento na rede pública representaria um avanço importante na assistência aos pacientes diabéticos.
"Com avaliações periódicas, é possível identificar fatores de risco antes que evoluam para complicações. Além da prevenção, esse acompanhamento proporciona mais conforto, segurança, mobilidade e autonomia ao paciente, reduzindo internações e procedimentos mais complexos, como amputações. O cuidado preventivo beneficia tanto os pacientes quanto o sistema público de saúde", conclui.
O projeto também autoriza o Estado a implantar o serviço em unidades básicas de saúde, ambulatórios e centros especializados, além de capacitar profissionais da rede para o reconhecimento precoce do pé diabético. Caso receba parecer favorável na CCJ, a proposta seguirá para votação no plenário da Alerj.
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