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Aumento dos casos de intolerância religiosa registrados pelo ISP

Foto: Getty Images
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Darques Júnior Especial para o Diário

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estado do Rio de Janeiro registrou alta nos números de intolerância religiosa. Até junho deste ano foram registrados 30 casos, quase o dobro se comparado com o mesmo período em 2024 (18 casos). O ano passado todo contabilizou 42 casos.

Segundo o artigo 1° da lei n°9.459 de maio de 1997 da Constituição Federal, é considerado crime a prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito por causa de religião ou crença, com pena prevista de um a três anos de reclusão por injúria ou de dois a cinco anos por discriminação ou preconceito, podendo haver agravantes em alguns casos. Também é considerado crime religioso ofensas e ataques, bem como depredação de locais de culto ou objetos de cultos e liturgias.

José Ricardo, pai de santo responsável pelo Centro Espírita Pai José de Aruanda (CEPJA) comenta sobre as dificuldades que enfrentou quando foi necessário realizar a mudança de locação por conta de aumento no número de médiuns: “Foi muito difícil encontrar um local que aceitasse um centro-espírita, então nós precisamos procurar muito. Quando fechava um negócio e falava qual era o objeto do contrato (um centro-espírita) as pessoas não aceitavam”. Apesar de conseguir encontrar uma nova casa para professar sua fé, o terreiro ainda enfrenta dificuldades como reclamações com o barulho, mesmo seguindo a lei de silêncio que proíbe sons altos a partir das 22h.

Segundo o pai de santo, apesar de ter muitos terreiros de matrizes africanas como de umbanda, candomblé, quimbanda, dentre outros, a cidade é, majoritariamente, cristã, seja protestante ou católica (segundo dados coletados pelo Censo Demográfico do IBGE de 2022, Petrópolis registra 48,06% de católicos e 29,14% de evangélicos). Por conta disso, Ricardo relata que, além das próprias experiências, já houve casos de filhos de santo sofrendo discriminação em locais públicos como restaurantes, bares, etc. “Recentemente, eu tive uma filha de santo que me procurou e estava recolhida para um trabalho espiritual usando o Contra egum (um amuleto de proteção usado para afastar espíritos desencarnados e energias negativas); O contra egum dela ficou à mostra e ela foi ao restaurante, onde a  garçonete não quis atendê-la”.

O líder religioso destaca como a falta de conhecimento e a demonização por parte de um setor das igrejas cristãs, sobretudo evangélicas, afastam e deslegitimam a crença de matriz africana, e como tais preconceitos, o afastaram até mesmo de familiares. “Infelizmente o preconceito existe e ainda é muito grande”, porém, Ricardo entende que muito disso vem da falta de conhecimento da população.

O pai de santo comenta que a umbanda é o culto aos espíritos e, mediante a esses espíritos que vêm incorporados em um médium para praticar a caridade, com trabalhos espirituais com o intuito de limpeza espiritual, bem como, elevação espiritual do médium e da entidade. Para que esse trabalho seja realizado, cada entidade trabalha com elementos de trabalhos como fumos, bebidas e ervas medicinais.

O terreiro CEPJA realiza diversos trabalhos de contribuições à sociedade como o Grupo de Apoio às Mulheres, que atende mulheres vítimas de violência doméstica, além de distribuição de cestas básicas e de fraldas geriátricas, bem como doações de roupas e encaminhamentos para clínicas de recuperação para dependência clínica e empréstimo de muletas, cadeiras de rodas e higiênicas e botas ortopédicas. No dia 21 de dezembro será realizado o Natal Solidário, com distribuição de brinquedos, roupas, calçados, além da presença de Papai Noel e diversas brincadeiras e guloseimas. Para apadrinhar uma criança, entre em contato com o WhatsApp: (24) 99255-9008.

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