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Bandeira tarifária verde permanecerá em fevereiro

Condições de geração de energia estão favoráveis, afirma Aneel

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Larissa Martins

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, nessa sexta-feira (30), que a bandeira tarifária permanecerá verde em fevereiro. Com isso, não haverá cobrança de custos adicionais na fatura de energia do consumidor.

Segundo a agência, as chuvas foram mais favoráveis nos últimos 15 dias de janeiro, em relação à primeira quinzena desse mês, havendo uma recuperação do nível dos reservatórios das usinas nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Dessa forma, não será necessário despachar as usinas termelétricas mais caras.

O mecanismo das bandeiras tarifárias foi criado em 2015 para indicar o custo real da energia. Ele reflete o custo variável da produção de energia, considerando fatores como a disponibilidade de recursos hídricos, o avanço das fontes renováveis e o acionamento de fontes de geração.

Antes das bandeiras, as variações que ocorriam nos custos de geração de energia, para mais ou para menos, eram repassados até um ano depois, no reajuste tarifário seguinte. Com a mudança, o consumidor consegue fazer escolhas de consumo que contribuem para reduzir os custos de operação do sistema, reduzindo a necessidade de acionar termelétricas.

“A bandeira verde sinaliza condições favoráveis de geração e não gera acréscimo na conta de luz. A bandeira amarela indica condições menos favoráveis e acrescenta R$ 0,01885 por kWh consumido. Já a bandeira vermelha patamar 1 é acionada quando a geração fica mais cara, com um acréscimo de R$ 0,04463 por kWh. Por fim, a bandeira vermelha patamar 2 reflete um custo ainda mais elevado de geração e adiciona R$ 0,07877 por kWh à conta de energia”, explica Maikon Del Ré Perin, especialista em Risco e Inteligência de Mercado, do Grupo Ludfor.

Mesmo consumindo a mesma quantidade de energia, a conta pode variar de um mês para o outro. “A bandeira de um mês pode ser diferente da do mês anterior (por exemplo: passou de verde para vermelha). Assim, mesmo gastando a mesma energia, o valor adicional por kWh muda, aumentando (ou mantendo) o valor final da fatura. Ou seja, o preço variável da energia, sinalizado pela bandeira, faz a conta mudar mês a mês”, esclarece.

Os consumidores que utilizam mais energia mensalmente sentem proporcionalmente maior impacto quando a bandeira não é verde, pois o acréscimo é cobrado por kWh.

“Alguns exemplos são as residências com muitos aparelhos elétricos (ar-condicionado, aquecedor, eletrodomésticos); pequenos negócios com consumo alto e indústrias e comércios de grande porte. Quanto maior o consumo no mês em que a bandeira é amarela ou vermelha, maior o acréscimo total na conta”, exemplifica o especialista.

Ele ensina o consumidor a identificar na conta de luz qual bandeira está sendo cobrada. “Na fatura mensal de energia elétrica, aparece uma seção chamada “Bandeira Tarifária” ou algo similar. Nela você verá a cor da bandeira (verde, amarela ou vermelha) e o valor adicional aplicado por kWh. A informação de quanto isso está somando na sua conta geralmente fica próxima do resumo de cobranças ou na parte que detalha os valores cobrados naquele mês”, ajuda Maikon.

Dependência das hidrelétricas

A Aneel define mensalmente qual bandeira será aplicada no próximo mês. Para isso, a agência considera dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), analisando principalmente o nível dos reservatórios hidrelétricos; previsões de chuva; uso de usinas mais caras, como as termelétricas e custos de geração no mercado de energia. A decisão reflete o custo estimado para o sistema energético no mês seguinte.

O especialista destaca que o Brasil depende fortemente de hidrelétricas, que usam água armazenada em reservatórios. Quando os estes estão cheios, as hidrelétricas geram energia barata e a bandeira tende a ser verde, como o atual.

“Em períodos de seca ou chuvas abaixo da média, os reservatórios caem e, então, é necessário acionar usinas termelétricas, que geram energia a custo maior. Com isso, as bandeiras passam para amarela ou vermelha, refletindo esse custo extra. Logo, em períodos de seca, a energia fica mais cara porque fontes mais dispendiosas são usadas para manter o suprimento no sistema”, afirma.

Uso responsável de energia

A ANEEL reforça a importância da conscientização e do uso responsável da energia elétrica, mesmo em períodos favoráveis. A economia de energia contribui para a preservação dos recursos naturais e para a sustentabilidade do setor elétrico como um todo.

Para ajudar a população a cuidar do bolso e evitar desperdícios, o especialista separou algumas dicas. Mesmo quando a bandeira está vermelha, você pode reduzir o valor da conta com hábitos como:

Usar menos equipamentos de alto consumo (ar-condicionado, chuveiro elétrico, aquecedor);

Apagar luzes e desligar aparelhos quando não estiverem em uso;

Programar eletrodomésticos (lavadora/geladeira/micro-ondas) para horários de menor uso geral;

Investir em lâmpadas LED e aparelhos mais eficientes.

Essas práticas não mudam a bandeira aplicada, mas reduzem o total de kWh consumidos, diminuindo o acréscimo.

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