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Biscoitos Ritinha: a história de 24 anos de qualidade que começou pequena e conquistou gerações em Petrópolis

Empresa criada em 2002 por Ricardo e Lauriene mantém produção na Castelânea, reúne funcionários com décadas de história e vê a segunda geração da família participar dos negócios

Foto: Jamis Gomes Jr.
Ricardo e Lauriene ao lado das caixas de Biscoitos Ritinha de Petrópolis. Foto: Jamis Gomes Jr. / Diário de Petrópolis

Jamis Gomes Jr. - estagiário

O cheiro dos biscoitos é uma das primeiras coisas percebidas por quem chega à fábrica da Biscoitos Ritinha, na Castelânea. Para quem trabalha ali há anos, porém, o aroma já se tornou parte da rotina. Para muitos clientes, é diferente: basta sentir o cheiro ou ouvir o nome da marca para lembrar de momentos da infância, visitas à fábrica e produtos que atravessaram gerações.

Em 11 de setembro de 2002, Ricardo e Lauriene deram início à história da empresa. Neste mês, a Ritinha completou 24 anos de atividade em Petrópolis, mantendo a produção na cidade e uma relação que, segundo a família, vai muito além da fabricação e venda de biscoitos.

Antes de abrir a própria empresa, Ricardo já acumulava 12 anos de experiência no setor. Com isso, são cerca de 36 anos ligados à fabricação de biscoitos. Ao lado de Lauriene, que passou a participar do negócio ainda nos primeiros meses, construiu uma trajetória que também se mistura à vida familiar: os dois estão juntos há 44 anos e são parceiros na empresa há 24.

O início foi marcado por muito trabalho. Ricardo lembra que, nos primeiros anos, a rotina podia começar cedo e terminar somente à noite, inclusive aos fins de semana. Com o passar do tempo, a estrutura cresceu, novos equipamentos foram incorporados e a produção passou a contar com mais tecnologia, sem abandonar processos que ainda dependem diretamente dos funcionários.

De um nome sugerido por uma criança à marca conhecida

O próprio nome da empresa nasceu de maneira inesperada. Durante a abertura do negócio, Ricardo encontrou dificuldades para registrar algumas das opções pensadas. Em uma conversa com um amigo, uma criança da família sugeriu que eles utilizassem o nome dela: Ritinha.

A sugestão acabou sendo adotada como nome fantasia. A embalagem, com a personagem que se tornou associada à marca, também foi pensada inicialmente para chamar a atenção das crianças. Com o passar dos anos, porém, aqueles consumidores cresceram e continuaram comprando os produtos.

A tradição, entretanto, não significa manter tudo exatamente como era no começo. Segundo Ricardo, as receitas atuais foram adaptadas ao longo dos anos, acompanhando mudanças nas matérias-primas, nos processos de fabricação e nas exigências sanitárias. A família mantém como prioridade a escolha dos ingredientes e o controle da produção.

Hoje, são cerca de 30 funcionários e uma produção que pode chegar a aproximadamente uma tonelada de biscoitos por dia. A empresa trabalha com cerca de 20 produtos e variedades, tendo o casadinho como carro-chefe.

Tecnologia sem deixar as pessoas de lado

A modernização da fábrica também faz parte dessa história. Ricardo conta que as primeiras visitas a feiras de máquinas ajudaram a mostrar possibilidades que antes pareciam distantes. Nem sempre havia dinheiro para comprar os equipamentos imediatamente, mas os contatos e as experiências serviram para planejar investimentos futuros.

A filha do casal, Nayara, também passou a participar desse processo. Única filha de Ricardo e Lauriene, ela tinha cerca de 10 anos quando a fábrica foi inaugurada. Formada em Administração, começou trabalhando principalmente com a área financeira, mas posteriormente passou a se interessar cada vez mais por produção, inovação e tecnologia.

Hoje, mesmo atuando no setor financeiro, Nayara acompanha novidades em máquinas e processos e participa com os pais de visitas a feiras do setor. Para a família, a tecnologia é uma ferramenta para melhorar a produção, mas não substitui a importância das pessoas que conhecem cada etapa da fabricação.

Essa relação é percebida no cotidiano da fábrica. Ricardo mantém o hábito de circular pelos setores, cumprimentar os funcionários e conversar com eles durante o café. A família também destaca a importância do treinamento e dos cuidados com higiene e boas práticas na produção.

Lauriene resume a filosofia que, segundo ela, orienta essa relação: “A partir da hora que eu cuido de gente que mexe com nossos biscoitos, eu cuido dos biscoitos.”

Funcionários que viraram parte da história

Alguns trabalhadores acompanham a empresa desde os primeiros anos. Diana, por exemplo, está há cerca de 22 anos na Ritinha e passou por diferentes atividades dentro da fábrica. Outros funcionários também construíram décadas de relação com a empresa.

Para Jair, que trabalha na área de fabricação, a passagem pela Ritinha representa mais do que uma experiência profissional. Ele conta que foi por meio do trabalho que conseguiu construir conquistas para si e para a família, além das amizades feitas ao longo dos anos.

Essa relação também aparece depois que alguns funcionários deixam a empresa. Um dos exemplos é Vicente, que trabalhou por aproximadamente 16 anos na Ritinha.

Ainda enquanto era funcionário, ele começou a vender os biscoitos nas horas vagas. A primeira experiência aconteceu depois que levou cerca de um quilo de produtos a um cabeleireiro. O sabor agradou e os clientes do estabelecimento começaram a pedir mais.

A partir daí, Vicente passou a fazer entregas e construir uma clientela pelo Centro. Os produtos eram transportados de táxi ou em carrinho e chegaram a ser deixados em estabelecimentos para posterior venda. Aos poucos, as encomendas cresceram e a atividade se transformou em uma segunda fonte de renda.

Durante a pandemia, Vicente deixou a fábrica. Foi então que decidiu abrir o próprio negócio. Ao passar pelo Alto da Serra, no Hipershopping Petrópolis, na Rua Teresa, encontrou um ponto disponível justamente em um período em que diversos estabelecimentos estavam fechando.

A ideia era montar uma loja especializada em biscoitos. O proprietário do imóvel chegou a questionar se o negócio daria certo, mas Vicente decidiu apostar na proposta.

Nascia a Vimelta, loja que está há quase seis anos no local. O nome reúne referências à família de Vicente, e o estabelecimento atualmente oferece outros produtos, como salgados, brioche, hambúrgueres, bebidas e batatas fritas. Mesmo com a ampliação do negócio, a Ritinha continua entre os produtos mais procurados.

“Eu olhei tudo aqui dentro e vi que ninguém tinha biscoito Ritinha. Aí Deus me deu a inspiração e eu coloquei”, contou Vicente.

Entrada da Vimelta, loja do Vicente. Foto: Jamis Gomes Jr. / Diário de Petrópolis
Entrada da Vimelta, loja do Vicente. Foto: Jamis Gomes Jr. / Diário de Petrópolis

A relação com a antiga empresa também permanece. Segundo ele, ainda mantém contato com pessoas da fábrica e recebe produtos de lá. A trajetória, que começou com um quilo de biscoitos levado a um cabeleireiro, acabou criando um negócio próprio que continua tendo a marca como um dos principais produtos.

Uma marca que também viaja

A presença da Ritinha não se limita a Petrópolis. O revendedor Ivan trabalha com os produtos desde 2013. Ele começou depois que um cliente pediu os biscoitos, procurou a fábrica e passou a construir sua própria carteira de estabelecimentos no Rio de Janeiro.

Com o tempo, a Ritinha se tornou o principal produto de suas vendas. A marca chegou a diferentes pontos comerciais e, segundo Ivan, o reconhecimento dos consumidores facilita a entrada em novos estabelecimentos.

Há também quem leve os biscoitos para ainda mais longe. Andréia Bittencourt conta que há cerca de 14 anos leva produtos da Ritinha para familiares nos Estados Unidos. A tradição começou como uma forma de transportar um pedaço dos sabores encontrados em Petrópolis para pessoas que vivem fora do país.

São histórias diferentes, mas que ajudam a explicar a trajetória construída pela empresa ao longo de 24 anos. A fábrica mudou, ganhou equipamentos, incorporou novas gerações e adaptou processos. Os produtos também passaram por transformações. Mas, para a família, funcionários e consumidores, permanece uma característica que acompanha a marca desde o início: a busca pela qualidade.

Em Petrópolis, a Ritinha chega aos 24 anos não apenas como uma fábrica de biscoitos, mas como parte das lembranças de pessoas que cresceram consumindo os produtos, trabalharam na produção, abriram negócios a partir deles ou continuam levando os pacotes para familiares que estão mundo afora.

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