Doença com mais de 50% dos casos em crianças, ganha tratamento em dose única no SUS
Vitor Cesar estagiário
O Ministério da Saúde (MS) anunciou o início do tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos. Disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento é indicado para meninos e meninas com o peso entre 10 e 35 kg. A entrega do medicamento será feita de forma gradual e focada nas áreas prioritárias na região amazônica, totalizando 126.120 comprimidos.
O fármaco presente é a tafenoquina, que antigamente só era indicado para jovens e adultos acima dos 16 anos. De acordo com o MS, o remédio é recomendado para pacientes com malária vivax (Plamodium vivax) e o tratamento será administrado em dose única. “Contribui para a interrupção da transmissão da doença, possibilita o ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia do tratamento”, disse o Ministério em nota.
Em 2025, o país registrou o menor número de casos registrados desde 1979, com uma queda de 15% em relação a 2024. Durante o mesmo período, houve uma diminuição de 16% em áreas indígenas e os casos por Plasmodium falciparum (protozoário causador da forma grave de malária) também apresentaram redução de 30%.
Em Petrópolis, apenas cinco casos foram registrados em 2017. Na situação, a Secretaria de Saúde do Estado forneceu medicação e tratou os pacientes em casa. Os infectados eram do sexo masculino e tinham a idade entre 14 e 54 anos. Além disso, a Secretaria disse que os casos estavam dentro do esperado. Desde então, nenhum caso oficial foi registrado no município.
Segundo o Ministério da Saúde, é importante ter algumas medidas em vista. O uso de mosquiteiros, para se proteger do mosquito Anopheles (mosquito-prego), inseto vetor do parasita que causa a doença, usar roupas que protejam pernas e braços, colocar telas em portas e janelas e utilizar repelentes.
Os sintomas mais comuns da enfermidade envolvem febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça (muitas vezes cíclica). Existem outros menos comuns como náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite. Para a malária grave, sintomas como prostração, convulsões, perda de consciência, baixa pressão arterial, hiperventilação, hemorragias, e, pode até levar ao óbito.
Malária e povos indígenas
O MS investiu R$ 970 mil compra dos medicamentos e distribuirá 64.800 doses em áreas como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari, Rio Solimões e Afluentes. Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária.
Primeiro local a receber foi o DSEI Yanomami, com 14.550. A razão para o foco em locais Yanomami é a maior incidência da doença. Por isso, entre 2023 e 2025, a realização de testes e o número de diagnósticos mais que dobrou, além da diminuição de 70% nos óbitos causados pela malária.
Dia Mundial contra a Malária
Comemorado no dia 25 de abril, a data faz parte das onze campanhas oficiais de saúde mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS). Surgiu como uma evolução do Dia Africano da Malária, comemorado desde de 2001 e somente substituído em 2007, onde a entidade buscou aumentar a conscientização em torno da doença, dentro e fora do continente africano.
O dia foi escolhido para homenagear a Declaração de Abuja, um compromisso firmado por países da União Africana para combater malária, tuberculose e HIV/AIDS. O compromisso foi firmado na capital da Nigéria.
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