Fechamento de agências impacta atendimento e sobrecarrega unidades em Petrópolis
Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
O Brasil vive um processo acelerado de fechamento de agências bancárias, tendência que vem restringindo o acesso da população a serviços financeiros presenciais. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, em uma década, o número de unidades caiu 37%, totalizando pouco mais de 14 mil em todo o país. Apenas entre 2019 e 2025, a retração foi ainda mais intensa, chegando a 40,5%.
Os impactos já são sentidos em diversas regiões. Desde 2015, 638 municípios ficaram sem qualquer agência bancária, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas sem atendimento direto. Um dos exemplos é Lajes do Muriaé, no Noroeste Fluminense, que já contou com quatro unidades e hoje não possui nenhuma. Atualmente, 2.649 cidades brasileiras o equivalente a 48% do total não dispõem de atendimento presencial.
No Estado do Rio de Janeiro, o cenário segue a mesma tendência. Entre 2019 e 2025, foram fechadas 732 agências, uma redução de 40%, segundo dados do Banco Central. Em Petrópolis, o movimento também é significativo no mesmo período, 12 unidades encerraram as atividades, o que representa uma queda de 35,3%.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto, Sávio Barcellos, a diminuição da rede física tem reflexos diretos na qualidade do atendimento. Com menos agências em funcionamento, cresce a sobrecarga nas unidades remanescentes, resultando em filas extensas e maior tempo de espera até mesmo para serviços simples.
Segundo ele, a redução do quadro de funcionários agrava o problema. “Os trabalhadores que permanecem nas agências acumulam funções e enfrentam níveis elevados de estresse, o que tem provocado o aumento de casos de adoecimento físico e psicológico. A falta de reposição adequada compromete tanto a qualidade do atendimento quanto a saúde dos profissionais”, afirma.
Outro ponto crítico, de acordo com Barcellos, é o descumprimento das normas que estabelecem tempo máximo de espera em filas. “Na prática, muitos clientes aguardam além do limite previsto, sem fiscalização efetiva. Isso evidencia falhas na aplicação das regras e desrespeito ao consumidor”, disse.
Ele também ressalta que, apesar da expansão dos canais digitais, uma parcela significativa da população ainda depende do atendimento presencial. “Idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e quem não tem acesso à internet continuam excluídos desse processo. Para esses grupos, o fechamento de agências não é apenas um transtorno, mas uma barreira real de acesso aos serviços bancários”, diz. “É fundamental repensar essa política, buscando alternativas que garantam um atendimento eficiente, acessível e que não sobrecarregue os trabalhadores, ao mesmo tempo em que respeite os direitos dos clientes”, completa.
Além do impacto social
O fechamento das agências também traz consequências urbanas. Imóveis antes ocupados por bancos permanecem vazios por longos períodos, contribuindo para a degradação de áreas centrais. Em Petrópolis, dois exemplos ilustram esse cenário o prédio da antiga Caixa Econômica Federal, na Praça Dom Pedro, atualmente disponível para locação, e o imóvel do Banco do Brasil, na Rua do Imperador, que passa por obras.
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