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Câmara de eco

- Ataualpa A. P. Filho - professor

Foto: Pixabay
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Ética, agulha em palheiro. Moral, princípios, valores, caráter, dignidade, coerência, honestidade, humildade, reputação, hombridade, honradez, integridade. Atualmente, o significado de algumas palavras tem sido destorcido diante de critérios que ganham importância quando interesses econômicos são priorizados para estabelecer um alto padrão de consumo. E a expansão dele, torna-se projeto de vida. O viver, portanto, limita-se ao acúmulo de bens.

O “ganhar fama e dinheiro”, a “ostentação” estão entre os itens que impulsionam o desejo de quem procura essa validação externa, isto é, a opinião sobre a imagem projetada perante os outros passa a ser termômetro da autoestima. E a busca de massagens para o ego torna-se obsessão. As curtidas, os comentários elogiosos tendem a ganhar importância quando o status se torna medida de valor. Mas, quando os aplausos cessam e os falsos amigos vão embora, é que se tem a dimensão do vazio em que se vivia.

Portadores de egos inflados, comumente, julgam-se com o direito de ditar normas de comportamento. Intitulando-se influenciadores, relativizam os princípios morais a partir de conveniências pessoais. Quem se encontra nesse contexto, geralmente, usa “dois pesos e duas medidas”. Tende a ser severo perante as falhas dos outros e complacente com os próprios erros.

A hipocrisia fica evidente quando não se age dentro dos princípios morais usados para julgar os outros. Diante dessa falsa moralidade, é sempre bom lembrar os versículos do Evangelho de Mateus: “a medida com que medirdes será usada para medir-vos. Por que olhas o cisco no olho de teu irmão e não vês a trave no teu?” (Mt 7, 2-3).

Se a “verdade liberta”, a mentira aprisiona. Nesta, é que o “rabo” fica preso. Para que haja liberdade, a verdade precisa ser desvelada. E, antes de tudo, faz-se necessário dizer que ela não tem dono. O autoritarismo fica também evidenciado quando alguém de posiciona como senhor da verdade e passa a ignorar a opinião dos outros.

É preciso também que se diga que a verdade não é bitolada. Permite ser analisada por vários ângulos, não somente por um ponto de vista. Limitar-se a vê-la só por um ângulo consiste em restringir o pensamento analítico na condução do raciocínio lógico.

A transparência dos fatos é uma exigência da verdade objetiva. É preciso lucidez para enxergá-la. As evidências precisam vir à luz para que sejam amplamente analisadas. Não há como aceitar a concepção de “meia-verdade”. Isso ocorre, com frequência, em posicionamentos tendenciosos que fazem investigações e revelações seletivas para beneficiar apenas um ponto de vista, omitindo fatos que levariam a uma análise mais abrangente. Nessa encruzilhada, encontra-se a política partidária do nosso país, polarizada hoje entre direita e esquerda.

Quando o sectarismo é exacerbado, a intolerância inviabiliza o diálogo, não assimila a importância da empatia nas relações humanas. A polarização fica radicalizada em: “nós contra eles”.

O bom senso é excluído pelo extremismo. A cegueira sectária encontra dificuldade até para enxergar o óbvio comprovado cientificamente. Cria-se câmara de eco (echo chamber). Grupos se fecham e só interagem com pessoas que olham para a realidade pela mesma ótica. Repetem, reforçam as mesmas ideias sem abrir espaço para ouvir opiniões diferentes. Quando a escuta não é abrangente, as conclusões escorregam na parcialidade.

A nossa Pátria atravessa um momento difícil. A lama de um banco atingiu os três poderes, o executivo, o legislativo e o judiciário, além de aliciar financeiramente pessoas que se apresentam de direita; outras, de esquerda. Nesse mesmo pacote, entraram também muitos que se colocam no centro, mas que, ora tendem para direita; ora tendem para esquerda, contudo, ficam do lado que oferece mais vantagem. A ética precisa ser encontrada nesse palheiro...

A lama do fundo desse poço desmoronou personalidades que se colocavam acima do bem e do mal com a toga da imparcialidade. A verdade em sua amplitude precisa vir à luz para que a justiça seja praticada com equidade jurídica, com acessibilidade a todos.

A Liberdade aflorada pela Verdade não carrega ódio nem vingança, porque conhece o amor e o perdão.

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