Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis
O câncer de cabeça e pescoço está entre os mais incidentes no Brasil e tem chamado atenção após casos recentes ganharem repercussão nacional. Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, o tipo da doença ocupa a terceira posição em frequência no país e, em muitos casos, ainda é descoberto em estágio avançado, um cenário que também preocupa especialistas na Região Serrana.
De acordo com dados do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 80% dos diagnósticos ocorrem tardiamente, o que reduz as chances de sucesso no tratamento. Esse tipo de câncer pode surgir em áreas como boca, garganta, laringe e tireoide, sendo mais comum entre homens e frequentemente associado a hábitos como tabagismo e consumo de álcool.
Em Petrópolis e cidades vizinhas, o cenário segue a mesma tendência nacional. O cirurgião geral e oncológico Dr. Thiago Kloh, professor da UNIFASE/FMP, afirma que esses tumores são recorrentes na região.
“É bastante frequente o câncer de tireoide, boca, língua e laringe. No caso dos tumores de boca e laringe, os principais fatores de risco são bem estabelecidos, como o tabagismo, o etilismo e a infecção por HPV”, explica.
Diagnóstico tardio ainda é o maior desafio
Um dos principais problemas relacionados à doença é a demora na identificação dos casos. Muitas vezes, os sintomas iniciais são ignorados ou confundidos com problemas simples do dia a dia.
Segundo Dr. Thiago Kloh, a falta de informação é determinante nesse cenário. “A maior parte dos diagnósticos são tardios, o que se deve à falta de informação sobre esses tumores. A demora em procurar auxílio médico impacta diretamente no diagnóstico e reduz as chances de cura”, destaca.
O radio-oncologista Dr. Daniel Przybysz reforça que o problema vai além da questão médica e envolve fatores sociais e estruturais.
“Não existe um rastreamento populacional bem estabelecido, e os sintomas iniciais costumam ser banais. Muitas pessoas subestimam sinais como rouquidão ou feridas na boca. Além disso, há dificuldade de acesso a especialistas, o que contribui para o atraso no diagnóstico”, afirma.
Sintomas simples podem esconder doença grave
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ao engolir e caroços na região do pescoço. Apesar de aparentemente simples, esses sintomas podem indicar algo mais sério.
“Sinais como aftas que não cicatrizam após um mês e rouquidão devem ser investigados. Ao perceber qualquer alteração, é fundamental procurar atendimento médico o mais breve possível”, orienta Dr. Thiago Kloh.
Dr. Daniel Przybysz complementa que o tempo é um fator decisivo. “Não é normal um sintoma desses persistir por semanas. Se uma lesão não melhora ou surge um nódulo no pescoço, isso precisa ser investigado. Diagnosticar cedo muda completamente o prognóstico”, alerta.
Prevenção e tratamento
Especialistas destacam que evitar fatores de risco é fundamental para reduzir a incidência da doença. O abandono do cigarro e a redução do consumo de álcool estão entre as principais medidas preventivas, além da atenção à saúde e vacinação contra o HPV.
A investigação do câncer de cabeça e pescoço é feita por exames de imagem, como tomografia e ressonância, seguidos de biópsia. O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias mais modernas.
Apesar da gravidade, os médicos reforçam que há boas chances de cura quando o diagnóstico é feito precocemente.
Informação como aliada
A ausência de exames preventivos específicos torna a informação uma ferramenta essencial no combate à doença. Reconhecer sinais precoces e buscar atendimento médico sem demora pode fazer toda a diferença.
Em Petrópolis, o alerta é claro: sintomas persistentes não devem ser ignorados. A atenção aos sinais do corpo pode ser decisiva para um diagnóstico mais rápido e um tratamento mais eficaz.
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