Tratamentos podem aumentar risco cardiovascular; acompanhamento deve começar antes ou durante a terapia, explica especialista
Jamis Gomes Jr. - estagiário
O tratamento do câncer de mama exige atenção que vai além do combate ao tumor. Durante o Outubro Rosa, a cardiologista e cardio-oncologista de Petrópolis, Dra. Michele Palmeira, alerta para a importância do acompanhamento da saúde cardiovascular das pacientes, já que algumas terapias podem aumentar o risco de alterações no coração.
Segundo a especialista, entre as possíveis complicações estão redução da função cardíaca, insuficiência cardíaca, arritmias e, em alguns casos, doença coronariana. A radioterapia na região do tórax também merece atenção, pois pode elevar o risco cardiovascular ao longo dos anos.
Uma das principais preocupações é a chamada cardiotoxicidade, termo utilizado para definir alterações cardiovasculares relacionadas ao tratamento do câncer. No câncer de mama, alguns medicamentos, como as antraciclinas e tratamentos direcionados ao HER2, como o trastuzumabe, podem afetar a função cardíaca. Os efeitos nem sempre aparecem durante o tratamento e podem surgir anos depois.
O risco não é igual para todas as pacientes. Mulheres com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, doença cardiovascular prévia ou alterações cardíacas antes do tratamento precisam de avaliação mais cuidadosa. A idade e o tipo de terapia também são considerados.
“Ter um fator de risco não significa que a paciente não poderá receber determinado tratamento. Significa que ela pode precisar de um acompanhamento mais próximo e de estratégias para reduzir esse risco”, explica Michele.
A cardio-oncologia atua justamente na integração entre o tratamento do câncer e a preservação da saúde cardiovascular. Sempre que possível, especialmente nos casos de maior risco, a avaliação do coração deve ser feita antes do início da terapia, permitindo identificar fatores de risco e acompanhar possíveis alterações durante o tratamento.
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