Edição: domingo, 02 de agosto de 2026

Caos administrativo

- Mauro Peralta é médico e ex-vereador

Foto: Reprodução
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Decorridos um ano e sete meses do novo governo em Petrópolis, a situação continua praticamente a mesma. A penúria financeira não foi resolvida e as despesas seguem superando as receitas. Em recente reunião política, um vereador e ex-secretário de governo afirmou que o déficit mensal do município gira em torno de vinte milhões de reais e que seria necessária ajuda do estado ou do governo federal para suprir essa diferença. Em nenhum momento, porém, falou-se em reduzir gastos.

Que bom seria se, em nossas casas, também pudéssemos gastar mais do que ganhamos e ainda esperar que alguém cobrisse o prejuízo. Em um país onde uma parcela cada vez menor da população produtiva sustenta uma estrutura pública cada vez mais onerosa, essa mentalidade de que não é preciso cortar despesas nem aumentar a eficiência acaba se tornando um problema difícil de reverter.

Por isso, causa estranheza que um prefeito eleito com mais de cem mil votos, justamente por eleitores que desejavam mudança em relação a uma administração marcada por gastos considerados excessivos, ainda não tenha adotado a austeridade indispensável ao momento que vivemos. Um prefeito não precisa ser cientista político. Precisa, antes de tudo, ser um bom gestor. Em outras palavras, um bom síndico da cidade.

Não é possível ignorar a montanha de lixo e entulho espalhada por diversos bairros. Tampouco a falta de investimentos efetivos em reciclagem e coleta seletiva. A mobilidade urbana continua precária. Os ônibus quebram constantemente, muitos já ultrapassaram a idade recomendada de operação e permanecem em circulação, seja por omissão dos órgãos fiscalizadores, seja pela falta de uma política mais firme da Prefeitura.

Também preocupa a aprovação de empreendimentos em áreas cuja vocação urbanística deveria ser outra. O condomínio previsto para a Montreal, por exemplo, será construído em uma região sujeita a alagamentos e onde poderia existir um parque destinado aos moradores de Corrêas. Além das questões ambientais, o aumento da densidade populacional ao longo da estrada tende a agravar ainda mais os problemas de trânsito na região.

Na educação, persistem as reclamações sobre a qualidade da merenda escolar, a falta de uniformes que deveriam ser fornecidos aos alunos conforme determina a legislação municipal e a carência de mediadores para crianças que necessitam de acompanhamento especializado. Soma-se a isso a polêmica envolvendo a contratação da empresa Capital Ambiental para intermediação de mão de obra, serviço que movimenta milhões de reais e desperta questionamentos quanto à sua contratação.

Na saúde, área que conheço mais de perto, a situação é particularmente preocupante. Falta gestão, falta comando e, muitas vezes, há evidente inversão de prioridades. As filas para cirurgias continuam crescendo, enquanto medicamentos essenciais tornam-se cada vez mais escassos para a população que depende da rede pública.

Com a futura aposentadoria do Dr. Jorge Martins, da 4ª Vara Cível, magistrado que sempre atuou com rapidez na apreciação de ações destinadas a garantir medicamentos e cirurgias urgentes aos cidadãos, cresce a preocupação de quem acompanha de perto as dificuldades enfrentadas pelos pacientes.

No turismo, seguimos aguardando uma parceria público-privada que viabilize a construção de um centro de convenções no Primeiro Distrito, aproveitando a proximidade do aeroporto e os níveis de segurança que, felizmente, Petrópolis ainda preserva quando comparada a muitos municípios brasileiros.

Na cultura, a população continua esperando a conclusão das obras do Teatro Municipal e uma política mais consistente de apoio aos artistas, músicos e bandas locais, responsáveis por manter viva a rica produção cultural da cidade.

Senhor Prefeito, ainda há tempo para mudar esse cenário. Reduza o número de secretarias por meio de fusões administrativas. Revise os contratos de aluguel de imóveis utilizados pelo município. Diminua cargos de livre nomeação, substitua gestores ineficientes, corte despesas desnecessárias e direcione recursos para aquilo que realmente importa.

Promova auditorias rigorosas no INPAS e no SEHAC, apurando eventuais irregularidades e responsabilizando quem tenha cometido desvios. Realize licitações transparentes para os serviços de transporte coletivo e coleta de lixo. Valorize o concurso público como forma de reduzir a dependência de contratações temporárias e precárias.

Enfim, comece a governar com o senso de urgência que a situação exige. Petrópolis merece mais do que justificativas. Merece planejamento, eficiência e resultados. Ainda há tempo para devolver à nossa Cidade Imperial o protagonismo e a qualidade de vida que fizeram dela uma referência nacional.




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