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sábado, 28 de fevereiro de 2026


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Caos administrativo

Mauro Peralta - médico e ex-vereador

Foto: Reprodução
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É desatino manter as mesmas práticas que já fracassaram no passado. Errar é humano. Persistir no erro é escolha ou burrice, e custa caro à população.

No governo de Rubens Bomtempo, Petrópolis viveu a expectativa frustrada da volta do ICMS enquanto o orçamento municipal era, a meu ver, conduzido de forma temerária. Houve contratos milionários com o lixo, terceirizações amplas de mão de obra, como no caso da Capital Ambiental, criação de secretarias desnecessárias, às quais fui o único vereador a votar contra em sua totalidade, aumento de cargos e aluguéis de mansões, com consequente elevação das despesas fixas.

Somou-se a isso o pagamento de milhões ao escritório do Dr. Sardinha por uma liminar posteriormente cassada pelo Supremo Tribunal Federal. Recursos preciosos também foram direcionados a projetos de “maquiagem” urbana, enquanto problemas estruturais permaneceram sem solução.

Infelizmente, o governo de Hingo Hammes manteve a mesma lógica. Não houve redução consistente de despesas, nem corte relevante de cargos comissionados. Os contratos do lixo foram mantidos. Secretarias foram preservadas e até criadas, como no caso da pasta de Habitação, cuja criação terminou em constrangimento público após a exoneração do secretário preso.

A prática de nomeações baseadas em acordos políticos, e não em competência técnica, segue como regra. Houve trocas sucessivas em áreas essenciais como Educação, Saúde, Assistência Social e Turismo. Agora, a população ouve que será necessário “importar” uma secretária de Saúde de Teresópolis, sob a justificativa de que não haveria profissionais capacitados em Petrópolis. Trata-se de um atestado grave sobre a condução administrativa da cidade.

O resultado está nas ruas: cidade esburacada, mobilidade precária, sistema de saúde caótico, com falta de insumos e leitos, e funcionalismo apreensivo com a possibilidade de atrasos salariais. Empresas prestadoras de serviços sem receber, e até as câmeras de monitoramento foram retiradas. O sentimento que cresce é o de repetição, e repetição de erros. É preciso romper com esse ciclo.

Cortar na própria carne não é opção ideológica, é necessidade administrativa. É preciso rever contratos, reduzir estruturas inchadas, extinguir secretarias que não entregam resultados e substituir gestores ineficientes. Governar exige decisão. Não se trata de perfeição imediata. Trata-se de começar. Como diz a música de Noel Rosa, não adianta “choro nem vela”. É hora de ação.

Os mais de 300 mil petropolitanos precisam de gestão firme, responsável e corajosa. A falta de preparo não pode ser desculpa permanente. O primeiro passo é governar com austeridade e prioridade na realidade, não em acordos políticos com nomeações de despreparados.

Prefeito, é hora de decidir. Demita os ineficientes. Reduza despesas. Renegocie contratos. Enxugue a máquina. Comece a governar.

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