Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
Quem circula pelas ruas de Petrópolis percebe, com facilidade, o estado de deterioração de alguns casarões históricos que ajudaram a construir a identidade cultural, arquitetônica e turística da cidade. Em diferentes regiões do município, imóveis que marcaram o período imperial e representam parte importante da memória petropolitana convivem hoje com infiltrações, estruturas comprometidas, sinais de abandono e falta de manutenção.
A situação preocupa moradores, especialistas e defensores do patrimônio histórico, tanto pelo risco de perda de construções centenárias, quanto pelos impactos relacionados à segurança e à preservação da memória urbana. Além do valor arquitetônico, esses imóveis carregam relevância histórica e cultural, sendo considerados símbolos da formação e do desenvolvimento de Petrópolis ao longo dos séculos.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o antigo casarão localizado na Praça da Liberdade. O imóvel abrigou, entre 1894 e 1897, a sede do governo do Estado do Rio de Janeiro e, posteriormente, foi adquirido pela família Sampaio. Atualmente, o cenário é de abandono o matagal toma conta da propriedade e os sinais de deterioração são visíveis na fachada, nas janelas e em diferentes partes da estrutura.
Especialistas e moradores defendem que muitos desses imóveis poderiam ser revitalizados e transformados em espaços culturais, centros de visitação, museus, cafés, galerias de arte, hotéis de charme ou ambientes destinados a eventos e atividades educacionais. A reutilização dos patrimônios históricos é vista como uma alternativa para preservar a memória da cidade sem deixar os imóveis ociosos.
Em destinos turísticos históricos, a recuperação de construções antigas costuma atrair visitantes interessados em cultura, arquitetura e experiências ligadas à história local. Em Petrópolis, reconhecida nacionalmente pelo patrimônio imperial, iniciativas desse tipo poderiam fortalecer ainda mais o turismo e estimular a valorização das áreas onde os casarões estão localizados.
Em 2025, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) propôs a rerratificação - revisão - do tombamento do Conjunto Urbano Paisagístico de Petrópolis, com o objetivo de atualizar a identificação do valor paisagístico do bem cultural. A proposta amplia a área tombada e reforça a valorização da identidade histórica da cidade imperial.
Segundo o arquiteto do Iphan, Frederico Araújo, a proposta redefine algumas áreas anteriormente protegidas. “A proposta representa uma mudança importante na forma de compreender o Conjunto Urbano Paisagístico de Petrópolis, deixando de lado a lógica de listagem de elementos isolados e adotando uma visão sistêmica do território e sua paisagem”, afirmou.
Também em 2025, a Câmara Municipal aprovou um projeto de autoria do vereador Léo França que institui o programa “Adote um Casarão” em Petrópolis. A proposta tem como objetivo incentivar a recuperação, a conservação e o uso sustentável de imóveis históricos e culturais da cidade.
O programa busca estimular parcerias entre o poder público, proprietários e pessoas físicas ou jurídicas interessadas em adotar imóveis históricos, promovendo a revitalização de casarões e construções antigas, muitos deles atualmente em situação de abandono. A iniciativa pretende unir preservação do patrimônio, incentivo à cultura e desenvolvimento sustentável, fortalecendo o turismo e contribuindo para a economia local.
O projeto, no entanto, ainda aguarda sanção do governo municipal.
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