Edição: domingo, 18 de outubro de 2026

Cem moradores de Petrópolis aguardam por transplantes; 97 estão na fila por córneas

Dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que a cidade teve 31 transplantes entre janeiro e agosto de 2026; nefrologista explica como funciona a fila e a importância de conversar com a família sobre a doação

Foto: Divulgação / Ministério da Saúde
Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

Jamis Gomes Jr. - estagiário

Cem moradores de Petrópolis aguardam atualmente por um transplante de órgão ou tecido no Sistema Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro. Desse total, 97 esperam por córneas, dois por fígado e um por rim, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizados 31 transplantes em pacientes residentes no município.

De acordo com a SES-RJ, os procedimentos realizados neste ano incluem 16 transplantes de córnea, nove de rim, quatro de fígado, um combinado de pâncreas e rim e um de coração. Em 2025, foram 48 transplantes em moradores de Petrópolis: 28 de córneas, 14 de rim e seis de fígado.

O tema ganhou destaque durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos. No Brasil, cerca de 49 mil pessoas aguardam por um transplante, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Como funciona a fila de transplantes

A médica nefrologista Rose Viviani Bravin, professora do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, explica que a fila é influenciada por fatores como o aumento de doenças crônicas, a disponibilidade de órgãos e as diferenças regionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

No caso dos transplantes renais, doenças como hipertensão arterial e diabetes podem evoluir para quadros graves de insuficiência renal. Segundo a especialista, a prioridade na fila considera critérios médicos, compatibilidade, gravidade, tempo de espera e localização geográfica, além da logística necessária para transportar os órgãos.

Para entrar no sistema, o paciente deve procurar um médico especialista, que avaliará a necessidade do transplante e fará o encaminhamento para uma equipe credenciada. No estado do Rio de Janeiro, a primeira consulta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é solicitada por profissionais de saúde por meio do Sistema Estadual de Regulação (SER). Após a avaliação e a realização dos exames necessários, a equipe decide sobre a inclusão na lista.

Intenção de doar pode ser registrada pela internet

Desde 2024, a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) permite registrar formalmente a intenção de ser doador por meio da plataforma e-Notariado. Segundo o Colégio Notarial do Brasil Conselho Federal, mais de 32 mil solicitações haviam sido realizadas no país até os dados mais recentes divulgados em 2026.

O procedimento é gratuito e feito pela internet, com videoconferência para confirmação da identidade e da vontade do interessado. A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a manifestação posteriormente.

A autorização, porém, não substitui o consentimento familiar exigido para a retirada de órgãos após a morte. Por isso, Rose destaca a importância de conversar com parentes sobre a decisão. Segundo a nefrologista, deixar a vontade registrada pode ajudar a dar mais segurança à família, que precisa conhecer o desejo do potencial doador.

A manifestação formal é uma forma de tornar essa intenção conhecida, mas o diálogo familiar continua sendo fundamental para que a doação possa ocorrer.

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