Programa de renegociação já regularizou 181 contratos no município
Larissa Martins
Em Petrópolis (RJ), 2.063 contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) apresentam inadimplência superior a 90 dias, correspondendo a um saldo devedor de R$ 110,7 milhões, conforme dados da Base Gerencial do Fundo de Financiamento Estudantil/ Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FIES/FNDE).
Do total, 181 contratos foram renegociados por meio do Desenrola FIES envolvendo aproximadamente R$ 12,6 milhões em dívidas. As renegociações resultaram na concessão de cerca de R$ 9,8 milhões em descontos, reduzindo o saldo final a ser pago pelos beneficiários para aproximadamente R$ 2,8 milhões.
Os dados do Desenrola FIES têm como base os relatórios consolidados dos agentes financeiros Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, até o dia 30 de setembro de 2026.
Dívidas educacionais demoram mais a ser pagas
De acordo com uma pesquisa realizada em julho pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, no país, as contas relacionadas à Educação (escola/FIES), estão entre as dívidas com maior tempo médio de atraso, com 15 meses de atraso, seguida por empréstimos e cartões (13 meses).
No ranking das contas prioritárias, o consumidor estabelece uma hierarquia clara de sobrevivência digital e doméstica. As contas pagas com maior rigor são internet (68%), água e luz (63%) e telefone (56%), TV por assinatura (46%) e cartão de crédito (41%).
“Os dados mostram um comportamento estratégico por parte do devedor. Contas essenciais como internet banda larga, energia elétrica e abastecimento de água registram os menores tempos médios de atraso. Isso ocorre porque o risco iminente de suspensão do serviço força o consumidor a regularizar o débito rapidamente. Em contrapartida, as obrigações que não geram sanções imediatas na rotina da casa, como mensalidades escolares, parcelas de crediário e os próprios cartões, entram em uma esteira de inadimplência prolongada, com atrasos que superam um ano”, afirma o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro
Como renegociar?
Até dia 31 de dezembro, quem está com pendências com o FIES pode renegociar por meio do Desenrola FIES 2026. Ele permite quitar ou parcelar contratos com descontos que podem chegar a 99%, dependendo do tempo de atraso e do perfil do estudante.
A renegociação pode ser feita pelos canais da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil, conforme o agente financeiro do contrato. É importante ressaltar que, o programa vale para contratos formalizados até 2017 e que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026. Contratos formalizados depois não entram nas regras.
Segundo um artigo da Serasa sobre o assunto, na CAIXA, a formalização pode ocorrer pelo sistema do FIES ou em agências físicas. No Banco do Brasil, a adesão pode ser feita pelo aplicativo BB ou em agência, conforme as condições disponíveis para o contrato.
Regras para renegociar dívida
As condições variam conforme o perfil da dívida:
Contratos com atraso de até 90 dias: desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida, inclusive principal, para pagamento à vista;
Débitos vencidos há mais de 90 dias: desconto total dos encargos e redução de até 12% do valor principal para pagamento à vista;
Débitos vencidos há mais de 90 dias com parcelamento: até 150 parcelas mensais, com perdão de 100% em juros e multas;
Estudantes inscritos no CadÚnico, com débitos vencidos há mais de 360 dias: desconto de até 99% do valor consolidado da dívida, para quitação integral;
Estudantes com débitos vencidos há mais de 360 dias: desconto de até 77% do valor total consolidado, incluindo o principal.
Quem não tem dívida do FIES pode renegociar?
Sim. Quem não tem dívida do FIES em atraso também pode ter direito a condições de renegociação no Desenrola FIES, desde que o contrato se enquadre nas regras do programa.
Para contratos do FIES em dia, ou seja, sem parcelas atrasadas, o benefício previsto é de 12% de desconto sobre o valor consolidado da dívida, desde que o pagamento seja feito à vista. A regra também vale para contratos formalizados até 2017 e que já estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026.
Na prática, isso significa que a pessoa não precisa estar inadimplente para buscar uma condição melhor de pagamento. Mesmo quem mantém as parcelas em dia pode consultar o agente financeiro do contrato, Caixa ou Banco do Brasil, para verificar se há desconto disponível para quitação antecipada.
Consequências de ter dívida com o FIES
Algumas consequências de ficar inadimplente devido ao FIES são:
Negativação do nome
A falta de pagamento da dívida FIES pode gerar a inclusão do CPF da pessoa no cadastro de inadimplentes dos órgãos de proteção ao crédito, como a Serasa. Ao permanecer nessa situação, a dificuldade de ter acesso a crédito, como empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e até compras a prazo no crediário, é maior.
Cadastro no Cadin
Quem está inadimplente também pode ter o nome incluído no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). Isso pode impossibilitar a abertura de contas e a tomada de empréstimos na rede bancária. Em alguns casos, pode gerar a apreensão de bens e até o bloqueio de restituição do Imposto de Renda, que só é liberada após o pagamento da dívida em aberto.
*Com informações da Serasa Limpa Nome.
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