Edição anterior (4225):
sexta-feira, 03 de abril de 2026


Capa 4225

Chuvas deixaram 516 mortos e 36 mil pessoas fora de casa em Petrópolis desde 1991

Dados são do Atlas Digital de Desastres

Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

Larissa Martins

O “Atlas Digital de Desastres” da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), mostra que, em 33 anos (de 1991 a 2024), os desastres naturais ocorridos em Petrópolis deixaram 36,37 mil pessoas desalojadas e desabrigadas; 38,42 mil pessoas foram diretamente afetadas; 1.301 feridos e enfermos e 516 perderam suas vidas por contas das chuvas. Além disso, os danos materiais chegaram a R$ 2,22 bilhões.

O levantamento mostra também a distribuição mensal e anual das ocorrências. Os anos mais críticos foi 2022, com centenas de óbitos, depois dele aparece 2011 com 71 mortes. Os meses de janeiro, fevereiro, setembro e dezembro são onde os desastres ocorreram com mais frequência, períodos comuns de chuva intensa no município.

O relatório técnico do Governo do Estado do Rio de Janeiro, do Departamento de Recursos Minerais / Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro e do Núcleo de Análise e Diagnóstico de Escorregamentos, confirma que a maioria dos desastres ocorridos em Petrópolis foram durante o verão, principalmente nos meses citados anteriormente, justamente os meses com elevada precipitação contribuindo assim para a saturação do solo e, consequentemente, com o aumento da suscetibilidade de ocorrer movimentos de massa.

Em relação ao tipo de ocorrência, as chuvas intensas foram responsáveis por deixar 15 mil (42,51%) desalojados e desabrigados, seguida pelas enxurradas que deixaram 12 mil (31,69%) e os movimentos de massa, com 9 mil (25,72%).

A maior parte das vítimas foram impactadas em 2001 (5,2 mil), 2011 (9,2 mil) e 2022 (15,3 mil). As chuvas intensas também foram responsáveis pela maior parte dos óbitos, com 63% dos casos, seguidas pelos movimentos de massa 20,93% (108) e as enxurradas 15,7% (81).

Vegetação

Caracterizada pelo bioma Mata Atlântica, a vegetação da região, constituída de árvores de copas altas formando coberturas vegetais fechadas, é classificada como Floresta Ombrófila Densa e subdividida baseada na distribuição por altitude, segundo o Projeto RADAM (1983).

Dessas subdivisões, é possível encontrar em Petrópolis: Floresta Sub-montana, Floresta Montana, Floresta Alto Montana e Vegetação Secundária. A vegetação influencia na estabilidade da encosta porque proporciona uma menor taxa de infiltração e retenção da água na encosta de maneira que diminui a erosão e a saturação do solo que seria causada sem a cobertura vegetal.

As raízes das plantas também adicionam força e coesão aos materiais da encosta, atuando como um reforço, aumentando a resistência de uma vertente frente aos movimentos de massa.

Porém, a vegetação também adiciona peso a encosta, sustentação, que em alguns casos pode aumentar a probabilidade de movimentos de massa no terreno, sobretudo com solos pouco espessos em encostas pronunciadas.

Ao longo dos anos, a vegetação nativa da região tem sofrido supressão em decorrência das ocupações irregulares e desordenadas, segundo o relatório, o que tem afetado na dinâmica natural da encosta, aumentando a vulnerabilidade da região, uma vez que os fatores relacionados à cobertura vegetal influenciam nos processos erosivos e os movimentos de massa catastróficos.

Ocupação urbana

Um trecho do documento destaca que o histórico de desastres naturais vem desde o século XIX, quando surgiu um planejamento urbanístico conhecido como plano “Povoação-Palácio de Verão”, em 1843.

A expansão urbana irregular, condições do meio físico, além das alterações físicas e naturais no município, reforçam a condição suscetível a movimentos de massa e inundações, principalmente quando há chuva forte, explica o relatório técnico.

O plano visava a ocupação dos vales ao longo do rio Piabanha e seus afluentes de modo a evitar o esgotamento dos recursos hídricos e os deslizamentos das encostas ocasionados pelas chuvas de verão.

Entretanto, acompanhando a tendência nacional, o crescimento da população urbana ultrapassa a rural no município, dando início ao histórico de ocupações urbanas desordenadas, principalmente na década de 1980, com a fragilidade das legislações atuantes

Atualmente, os distritos de Petrópolis e Cascatinha, por serem mais montanhosos e recobertos por florestas, são as porções mais populosas e urbanizadas sobre áreas florestadas do município. Enquanto que os outros 3 distritos apresentaram uma maior área urbana sobre pastagens.

Uma comparação do uso e cobertura do solo no 1º distrito, no período de 1985 e 2020, é possível observar uma expressiva mudança de floresta nativa para a área urbana. Esse comportamento é responsável direto pelos movimentos de massa na área urbana, tornando-a mais vulnerável a eventos catastróficos, mesmo com chuvas de pouca intensidade e volume, aponta o estudo.

Edição anterior (4225):
sexta-feira, 03 de abril de 2026


Capa 4225

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral