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  Cidade

Cidade teve alta mortalidade de pequenos negócios em 2023

De um ano para o outro, processo de extinção destes empreendimentos cresceu 38,4%


 Foto: Arquivo / Tânia Rêgo / Agência Brasil

Daniel Xavier – estagiário

Petrópolis está com uma alta mortalidade de pequenos negócios. Segundo o Mapa das Empresas – plataforma do Governo Federal que faz o detalhamento do ambiente de negócios no país, foram 4.023 microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) que encerraram as atividades no município em todos os 12 meses de 2023. No mesmo recorte de tempo, porém, do ano de 2022, foram 2.906 – o que implica num aumento de 38,4% de um período a outro. A maior parte das extinções do ano passado é referente a empresas matrizes (a principal, considerada sede). No caso, foram 3.933. O restante foram filiais (90).

Entre um ano e outro, no entanto, a média de aberturas de pequenos negócios em Petrópolis se manteve igual, praticamente. Em 2022, foram 6.445 empresas criadas. Enquanto que em 2023, foram 6.453 (diferença de apenas oito). O que, no fim, prejudicou o saldo de criação de novos negócios.

Na soma entre abertura e extinção de empresas, o ano marcado pela tragédia das chuvas fechou com 3.539 negócios a mais atuando no município. No ano passado, o saldo final foi de 2.430.

Instabilidade econômica

Na análise do economista e coordenador da graduação em Ciências Contábeis da UCP (Universidade Católica de Petrópolis), Rodolfo Nicolay, o solo econômico infértil provocado pela pandemia promoveu uma maior criação de negócios. 

“A gente teve um empreendedorismo por necessidade, ao invés de empreendedorismo por oportunidade, ao longo da pandemia. Na verdade, essa é uma característica de qualquer momento de crise. Então, sempre que o desemprego está alto, e a massa salarial acaba diminuindo por conta disso, as pessoas acabam abrindo um negócio próprio porque acabam não conseguindo um emprego formal”, explica.

Porém, com a instabilidade do mercado após a crise sanitária, a manutenção se tornou insustentável.

“Após a pandemia, o que a gente pode inferir para entender como causa dessa mortalidade alta de empresas, é a situação econômica do nosso estado. O Rio de Janeiro é muito dependente do capital proveniente do petróleo. Unido a uma economia fragilizada – por conta de uma crise fiscal grave –, isso gera um cenário turbulento para a região”, complementa Nicolay. 

MEIs são os mais prejudicados

Os microempreendedores individuais são a principal categoria no que diz respeito ao volume de negócios extintos no município em 2023. Foram ao menos 3.236 MEIs, de acordo com o Mapa das Empresas. Enquanto que em 2022, para se ter uma ideia, 2.136 deles encerraram as atividades. O aumento foi de 51,4% - um acréscimo de mil e cem CNPJs, para ser mais específico.

No caso das micro empresas, houve decréscimo na criação de novas entidades empresariais atuando no município. Menor do que no caso dos MEIs, mas, notável. Se tratando das ME, o saldo fechou em 343 no ano passado (este, o balanço entre aberturas e extinções). Em 2022, havia sido de 449. 

No caso das EPPs, já houve uma ligeira diferença positiva. De 2022 para 2023, o saldo foi de 76 para 107 novos empreendimentos.

Rodolfo Nicolay pontua que a inflação foi um possível fator determinante nesses casos. “A gente tem também algo que é imprescindível para o sucesso dos negócios: o mercado de créditos. No entanto, com a taxa Selic em patamares elevados, houve uma restrição nesse mercado. A gente teve um ciclo de alta na taxa durante a pandemia, acima de 11%, e isso gerou créditos caros e as empresas e pessoas que já estavam endividadas, tiveram dificuldade em se manter adimplente. O que levou à uma situação de falência no negócio, no fim”, conjectura ele.



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