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Cirurgia auditiva inédita é realizada no Hospital Santa Teresa

Implantação de prótese interna visa reverter um quadro de surdez moderada

Foto: Divulgação
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Daniel Xavier - estagiário

Uma cirurgia inédita na Região Serrana foi realizada no último sábado (09/03), no Hospital Santa Teresa: a implantação de uma prótese auditiva no interior do ouvido, em um dos ossos do órgão. O procedimento foi promovido com o objetivo de devolver a audição de uma paciente com perda auditiva moderada bilateral, que sofria de surdez desde a infância. A intervenção foi em um dos lados do ouvido no caso, o esquerdo, em que a condição era mais grave. A expectativa é de que, com o equipamento, ela volte a ouvir normalmente entre seis a oito semanas.

Denis Rangel, médico otorrinolaringologista, foi quem conduziu a cirurgia. Petropolitano, é formado pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e tem especialização pela USP (Universidade de São Paulo) e pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Especialista em cirurgias de ouvido e surdez, já realizou em julho do ano passado um procedimento também inédito na cidade, em um paciente com surdez súbita profunda unilateral.

Agora, junto de outros cinco profissionais da área, como otorrinolaringologistas, anestesistas e instrumentador cirúrgico, o Dr. Rangel traz um novo procedimento inédito para o município de Petrópolis.

O Hospital Santa Teresa é a maior unidade que temos na Região Serrana. Há poucos cirurgiões especializados neste tipo de intervenção, e que se empenham em estudar em específico a estrutura do ouvido. E a cidade tem muito potencial. Por isso mesmo, foi decidido por realizar a intervenção aqui, em Petrópolis. Até pelo fato de a unidade ter todo o equipamento, estrutura, capacitação e equipes adequados para este segmento de cirurgia, conta ele.

Perda auditiva

A paciente que passou pela cirurgia é uma mulher de 48 anos, moradora de Duque de Caxias. Por conta de uma má formação genética, ela desde criança convive com uma perda auditiva moderada dos dois lados do ouvido. Mesmo com o uso de próteses convencionais, o desconforto da moça era demasiado. O que, segundo Denis, afeta consideravelmente a qualidade de vida do indivíduo.

Em diversos casos, pode ocorrer do paciente não se adaptar ao equipamento convencional. Seja por conta da produção de cera que atrapalha o encaixe, ou uma sensibilidade que o indivíduo tenha na região, que pode causar desconforto, ou até mesmo, dor. Porém, sem o auxílio do aparelho, essa pessoa tem dificuldades em dialogar, por exemplo. Se sente um fardo no seio da família, ou incapaz de realizar atividades cotidianas. Tanto que há muitos quadros de perda auditiva que levam a problemas de saúde mental, como a depressão, detalha o médico otorrinolaringologista.

Foi por conta disso que a paciente entrou em contato com Denis.

Ela chegou no consultório há cerca de quatro meses. E com as novas tecnologias disponíveis, hoje a saúde dispõe de novos métodos e oportunidades para reverter esses quadros. Como a surdez da paciente era estável, ou seja, não estava progredindo com o tempo, foi possível procurar uma maneira de intervir. Fizemos diversas avaliações, para compreender melhor a situação dela, e chegamos à conclusão de que a implantação da prótese interna era a melhor escolha, diz.

Procedimento cirúrgico

O procedimento feito no último sábado é a implantação de uma prótese ancorada ao ossículo, chamada de Vibrant Soundbridge. O equipamento é alojado na bigorna, osso que fica no meio da estrutura interna do ouvido, e depois um aparelho externo com microfone é posicionado acima da orelha.

A unidade externa capta o som e o converte em sinais elétricos, que serão passados para a unidade interna. Este processador é fixado através de um ímã e permite conforto, ficando posicionado na região atrás da orelha. A unidade interna permite a fixação de um acoplador que é variável e escolhido pelo cirurgião de acordo com o tipo da perda auditiva. No caso da cirurgia realizada em Petrópolis, no último sábado, foi fixado o acoplador na bigorna, explica Rangel.

Os sinais elétricos são transferidos até a região do acoplador, onde serão convertidos em energia mecânica, que permitirá a vibração da dos ossos do ouvido, e com isso, a transmissão do som até o órgão da audição. Sendo uma das próteses mais modernas, ela permite ao paciente ouvir frequências sonoras de até 8000Hz, adequado para a fala humana, completa.

Com o acompanhamento pós-cirúrgico, e em caso de uma boa cicatrização, o aparelho deverá ser ativado dentro de cerca de um mês e meio a dois meses. A expectativa é de que o ouvido direito da paciente passe pelo mesmo procedimento eventualmente, caso seja do interesse dela.

Novas alternativas

Denis Rangel pontua que a expectativa dele é de que tanto os petropolitanos, como a Região Serrana como um todo, conheçam mais e mais as novas opções de reabilitação de perda auditiva disponíveis.

Muitas vezes, no consultório, nós escutamos do paciente que não tem alternativa. Que o quadro de surdez é irreversível. E nós, que somos profissionais da área, assim como a Sociedade Brasileira de Otologia, temos buscado aumentar o conhecimento da população sobre as novas modalidades de reabilitação auditiva. Após a cirurgia que fiz aqui em Petrópolis no ano passado, foi perceptível que pessoas diferentes apareceram, se interessaram pelo tema, e começaram a correr atrás. E é isso que queremos. Pois, à medida que novos procedimentos ocorrem, mais informações teremos à disposição para divulgar as incontáveis possibilidades, finaliza ele.

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