Darques Júnior - Estagiário
Em operação de limpeza urbana realizada em diversas regiões do município com nos bairros do Atílio Marotti, Comunidade do Alemão, Castelo São Manoel, Estrada Mineira e na Posse no sábado (09) foram coletados 420 toneladas de entulhos pela Companhia de Desenvolvimento de Petrópolis (COMDEP).
A situação relacionada à coleta de lixo e de entulho tem sido problema em diversos bairros com Carangola, Bingen, próximo ao Centro de Educação Infantil (CEI) A Sementeira, no Vicenzo Rivetti, onde os moradores, na tentativa de acaba com os entulhos, queimaram a caçamba de lixo do ponto final da comunidade, dentre diversos pontos do município.
Foi publicado na segunda-feira (04) um novo contrato emergencial entre a Secretaria de Serviços, Segurança e Ordem Pública (SSOP) e a empresa responsável pela coleta de lixo e pela baldeação de resíduos, Solid Ambiental, no valor de R$ 38.087.154,72, o que equivale a R$ 3,17 milhões por mês para a empresa.
No contrato, previsto para se encerrar em um ano, estabelece a disponibilização de 25 caminhões de coleta, 20 caçambas móveis para operação com caminhão adaptado e seis veículos de cargas diversas. Este ano, a gestão de coleta de lixo deixou de ser subordinada diretamente pela COMDEP, passando a responsabilidade para a Secretaria de Serviços, Segurança e Ordem Pública, com objetivo de reduzir o “inchaço” da companhia municipal.
A professora de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Católica (UCP), Fernanda Gonzales, o acúmulo de lixo gera algumas consequências que podem resultar na proliferação de vetores que causam doenças, como a atração de ratos, que aumenta casos de leptospirose; o acúmulo de água que ocorre em lixo: proliferação de mosquitos como o aedes aegypti; a contaminação de lençol freático pelo chorume: diarreia e parasitas; a exposição de material metálico maldisposto: tétano e; a atração de mamíferos (cães, gatos, macacos/saguis, gambás e capivaras) pode transmitir raiva.
Sobre os principais impactos da ausência de coleta de lixo sobre os ecossistemas, Fernanda comentou que, para além dos impactos na saúde das pessoas, a fauna e flora podem ser afetadas, como, em casos onde, o lixo trazer ferimentos e contaminações aos animais e a decomposição do lixo e o chorume podem afetar plantas e rios. “Em Petrópolis, em situações em que o acumulo de lixo chega a volumes muito altos, vemos também o lixo atrapalhando o trânsito e a passagem de pedestres em calçadas”.
Fernanda ainda disse como a coleta seletiva e a economia circular podem ser ferramentas para minimizar os impactos da má gestão de resíduos, além da diminuição da quantidade de lixo que chega até as lixeiras e aterros sanitários. “Se o que pode ser reutilizado ou reciclado tiver destinação correta, haverá menos pressão sobre os aterros e menos lixo para ser coletado e transportado”.
A professora ainda falou que a falta de incentivo à coleta seletiva pode ser uma das principais falhas de políticas públicas que explicam a persistência da coleta irregular no município. “No ano passado começou um projeto, mas eu e muitas pessoas que eu conheço tentamos contato para fazer a coleta e não conseguimos”, disse.
Ela ainda comenta que não há divulgação e informação clara sobre a coleta de aparelhos eletrônicos, que chegam até o lixo comum, além da falta de coleta eficiente de óleo, que acaba chegando aos rios e redes de drenagem, dificultando o escoamento da água das chuvas. “Quando há acumulo de lixo nas lixeiras dos bairros o problema não é que foi produzido muito lixo e sim que não há uma coleta organizada”, falou.
Fernanda ainda relatou que a cidade hoje manda seus dejetos para aterros em outros municípios como em Seropédica, gastando e poluindo de maneira exacerbada com o transporte desse lixo, levando assim, na perda de oportunidades, como de utilização de energia que pode ser gerada pela coleta de gases de um aterro e pela incineração do chorume.
Como possíveis soluções na gestão de resíduos sólidos no Brasil, Fernanda acredita que a primeira coisa deve ser mudar o padrão de consumo, uma vez que é observada uma obsolescência muito rápida de bens que duravam muito antigamente como móveis, roupas e até mesmo eletrônicos. “As coisas duram menos, os concertos são mais curiosos do que trocar os bens, e as propagandas e redes sociais nos fazem acreditar que precisamos de muitas coisas”.
A professora ainda destaca como muitos produtos comprados vêm, desnecessariamente, embaladas em plástico, material que pode demorar até 450 anos para se decompor na natureza. Ela ainda explica que muitas embalagens ainda são de materiais compósitos, isto é, um material que combina duas propriedades, como por exemplo, plástico e alumínio ou papel e plástico. “Isso dificulta muito e até inviabiliza o processo de reciclagem”.
Fernanda concluiu ainda dizendo como são necessárias políticas públicas que regulamentem e freiem o incentivo ao consumo e que estimulem o uso de materiais biodegradáveis e recicláveis, bem como estimular a reciclagem e o reuso.
Segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA) do ano passado, a região Sudeste apresenta maiores índices de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), sendo responsável por 49,2% do lixo produzido no país, de 40.1 milhões de toneladas de dejetos.
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