Edição: terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Academia Petropolitana de Letras

COLUNISTA

Academia Petropolitana de Letras

Um guerreiro que partiu


Por José Afonso B. de Guedes Vaz (titular da cadeira 26 da APL)

Foto 1
A madrugada da penúltima segunda feira, 17, certamente nunca mais será olvidada, não só para a família do ilustre professor, historiador, engenheiro militar, literato de escol, rotariano exemplar e detentor de tantas outras qualidades que lhes honravam o caráter, como para nós seus amigos que guardarão para todo o sempre boas recordações do eminente brasileiro: ANTÔNIO EUGÊNIO DE AZEVEDO TAULOIS.

O nosso derradeiro encontro deu-se no dia três de fevereiro p.p, data comemorativa do aniversário da querida esposa, Vera Muller Taulois. O destino, todavia, fez com que o ora homenageado fosse internado e daí em diante o organismo cansado começou a dar sinais que o final já se aproximava.

Antônio Eugênio de Azevedo Taulois, nasceu na cidade de Pouso Alegre-MG em 18 de outubro de 1933, ingressando no glorioso Exército Brasileiro, destacando-se pelos relevantes serviços prestados, por muitos anos, junto à IMBEL, no município de Magé, Indústria de Material Bélico do Brasil, criada em 1975, antiga Fábrica da Estrela.

Prestou, também, relevantes serviços na condição de professor junto à Universidade Católica de Petrópolis, muito querido e sempre respeitado por seus alunos e pela alta direção da UCP, atuando como professor e Engenheiro formado pelo IME, titular do Departamento de Física da referida Universidade, há mais de quatro décadas.

Até hoje sempre estimado por seus alunos que continuam recordando a figura do mestre com muito carinho e atenção.

Na área literária, como não poderia deixar de ser, pertenceu à Academia Petropolitana de Letras, tomando posse em 14 de agosto de 2011, na Casa de Claudio de Souza, ocupante da cadeira 19 - patrono o primeiro bispo de Petrópolis Dom Francisco Rêgo Maia, sendo apresentado para cerimônia de posse pelos acadêmicos Carmem Felicetti e Humberto Leal.

À madrinha, como no tocante aos supra acadêmicos, sempre relembrando o nome da acadêmica Christiane Magno Michelin, valendo trazer à colação, por ocasião de sua posse a obra “Impacto das Novas Tecnologias na Literatura” quando assinalou, certamente emocionado, “...minha madrinha Christiane Michelin, sempre generosa, fez minha apresentação pública”.

Cidadão que sempre prestigiou à família, no momento de sua posse, fez questão de deixar patente com relação aos presentes “Vera e nossa filha Mônica, Ricardo e os queridos netos Felipe e André”.

Taulois, na obra supra, assim se manifesta: “Como sempre vivi cercado de livros, valorizando a palavra escrita e acreditando na cultura como um bem natural, nunca estive muito distante de literatura”.   E aduz: “E procurei passar essa vivência  para meus filhos adolescentes. Por muitos anos, fiz um pacto literário com eles”.

Maravilha! Realmente, Taulois a quem conheci e compactuei de sua amizade por mais de quinze anos.

Ressalta-se, também, que no Instituto Histórico de Petrópolis, o ora homenageado teve ativa participação, inclusive tendo presidido o IHP, valendo lembrar o que deixou consignado na obra “150 anos da colonização Alemã em Petrópolis, quando se faz pronunciar em determinado trecho da “Apresentação:  “É tão significativa a presença do elemento alemão em Petrópolis, que durante cem anos houve uma grande indecisão sobre a verdadeira data de fundação da cidade que oscilava entre essa duas. Essas datas foram aguerridamente discutidas por dois grupos petropolitanos, cada um com razões de sobra para a sua opção. Finalmente, uma comissão criada para decidir quando deveria ser comemorados os centenário de Petrópolis, considerou as duas datas como oficiais, cada uma com o seu significado”.

Bem sei e compreendo, que Antônio Eugênio de Azevedo Taulois ainda não se sentira realizado vez que dotado de um enorme coração e sempre prestimoso para com seus semelhantes, logo foi na busca de uma entidade que preconizasse o SERVIR e por isso mesmo fez ingressar no Rotary Club de Petrópolis, fundado em 12 de setembro de 1928.

Publicou a obra “Rotary Petrópolis e a sua Cidade nos últimos 80 anos”. Nela fez questão de se debruçar em tópicos importantes como Petrópolis no Império, e na República; a Santa Sé e os Rotarianos de Petrópolis; entidades importantes de Petrópolis fundadas por rotarianos; a Universidade Católica de Petrópolis e tantas outras matérias de interesse, sempre fazendo presente a cidade a que tanto amou. No RCP com a classificação profissional “Ensino Superior”, Engenharia, foi presidente 1987/88 e governador assistente 1990/91, 1999/00 e 2004/05. Foi líder do IGE, Intercâmbio de Grupo de Estudos ao Marrocos, em 1999. Pelo período de 10 anos foi membro da Comissão Julgadora para o Concurso Nacional de Monografias para os Professores do Brasil Rotario.

Pelo muito que fez realizar em prol da cidade de Petrópolis, nossa querida “Cidade Imperial”, destacou-se como um vulto de expressivo valor para nossa terra e por isso mesmo, ante a tantas qualidades que lhes ornava o caráter, pela cultura, pelo dinamismo para com seus alunos, dedicação para com a IMBEL e pela atuação perante as instituições acadêmicas aqui já citadas, sem falar no Rotary Club de Petrópolis, podemos afirmar com toda certeza que o ora homenageado jamais terá o seu nome esquecido.

No alvorecer da manhã do seu falecimento assim se manifestou Ricardo, seu querido genro: “José Afonso, meu amigo, o guerreiro partiu”.

Confesso que emocionado, senti lágrimas que rolaram pelo meu rosto!

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