Edição: sábado, 04 de julho de 2026

Aristóteles Drummond

COLUNISTA

Aristóteles Drummond

UM RARO BOM EXEMPLO DE POLITICO


O vereador Cesar Maia, que foi deputado federal, prefeito por três mandatos e bem avaliado secretário de Finanças de Brizola, é o que se poderia chamar de “político difícil”, pois só mesmo um temperamento pouco político pode justificar não ter sido eleito governador ou tido oportunidades no cenário nacional.

Na sua geração e safra de políticos, é raridade ter passado sem nenhum tipo de suspeição, assim como seus filhos com passagem na política. Eficiente na gestão, realizador e mãos limpas. Assume sua vocação para a vida pública exercendo no final da carreira mandato de vereador, com a simplicidade e o despojamento das pessoas bem-resolvidas. Outra avaliação a entrar nas especulações desta singular trajetória pode ser em função de sua origem ideológica de esquerda, que pode ter evoluído para o centro sem prejuízo da decepção com o grupo que, chegando ao poder e a mandatos, não teve o mesmo comportamento ético e moral.

No processo de democratização promovido pelo presidente João Figueiredo, verificou-se que nem o regime nem a oposição trataram de renovação. Depois de 21 anos de presença do regime de 64, o Brasil cresceu na economia e no social, mas não renovou quadros políticos, apesar de revelações admiráveis como os coronéis Andreazza, Passarinho, César Cals, Haroldo Mattos e Ludwig, A oposição não ficou atrás. Na primeira eleição direta para os estados, em 82, elegeu Brizola, Arraes, Tancredo e Montoro; todos pré-64.

Cesar Maia, diferentemente dos outros, logo que assumiu a prefeitura montou uma equipe de jovens de grande valor, sendo exemplo maior o também prefeito por três mandatos do Rio Eduardo Paes. E gente escolhida pelo mérito.

Em observações nas suas redes sociais, Cesar Maia tem prestado testemunho sobre a qualidade de auxiliares, como o secretário de Saúde em dois mandatos e mais no sucessor dele, Luiz Paulo Conde, Ronaldo Gazolla. Outro nome de referência é a admirável Helena Severo. As digitais de Helena estão no que existe de importante na cultura da cidade, como teatros e bibliotecas, o que a levou a presidir a Biblioteca Nacional, depois a secretaria estadual de Cultura e o Theatro Municipal, que é estadual. Helena Severo trouxe para o Rio o admirável Francisco Weffort, ministro da Cultura de FHC e seu marido, cuja simples presença na cidade já era um evento cultural relevante.

E teve outros que não prosseguiram na vida pública, como Luciano Almeida e Silva, Índio da Costa, João Figueira e João Figueira de Melo.

Ganha importância neste momento de tantos desencantos, de busca de alternativas, casos como o do ex-prefeito do Rio, que devem de ter outros pelo Brasil afora.

Precisamos ter esperança de encontrar atores melhores, nos dois grupos em disputa.

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