COLUNISTA
O relógio marca e a hora da verdade está chegando para o encontro da economia brasileira com a realidade de seus números. A corrida do governo é no sentido de sustentar a economia com oxigênio até as eleições. Mas, à medida que o quadro vai se definindo, prevalece a tradição do mercado de se antecipar. Nesta disputa, o Brasil não terá como ganhar. A reeleição, mais provável em função da rejeição à família Bolsonaro e suas trapalhadas, pode significar medidas que brigam com as leis básicas da economia numa sociedade livre e capitalista. Vencendo o filho indicado, a flagrante falta de nível, credibilidade e assessoria não permitem se acreditar numa gestão competente da imensa crise que se avizinha. A alternativa eleitoral do bom senso não parece prosperar na sociedade. Curioso que o Ministro Paulo Guedes, de bons resultados na gestão Bolsonaro, não aparece no noticiário. E Teresa Cristina, outra estrela daquela equipe, fugiu da vice-presidência oferecida. Os Bolsonaros não inspiram confiança.
As mágicas pedaladas, artifícios contábeis, não resistem muito tempo. E existem números decisivos e definitivos. Sair da crise sem poupança interna ou atrair a externa parece difícil. A alta carga fiscal e os juros entre os maiores do mundo também não parecem geradores de ambiente acolhedor ao empreendedor. É pouco provável que tenha eficácia política trabalhista que queira aumentar produtividade e competitividade com menos horas trabalhadas. Um esforço para não dar certo!
A falta de investimentos para diminuir o Custo Brasil nos transportes, portos e energia pode pesar negativamente. E também a insegurança que a presença da corrupção proporciona. O Brasil vive uma cleptocracia.
Um choque de abertura econômica, de atração de capitais externos, parece improvável. Urge um plano de gestão da crise para que o sofrido povo não pague uma fatura gerada pela irresponsabilidade de tantos.
O quadro é preocupante e inédito na história recente. O país carece de lideranças empresariais com opinião e articulação política. As diferenças com os EUA e a vizinha Argentina se constituem em outro fator preocupante.
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