COLUNISTA
Se pizza sem queijo e namoro sem beijo não têm graça alguma, poderíamos dizer que bandinhas e blocos de Carnaval sem marchinhas ou Escolas de Samba sem o baticum não fazem sentido algum. Ultimamente, temos visto, especialmente no Rio de Janeiro, muitos blocos e bandas acabarem em funk... não em pizza... Uma lástima!
Para sorte dos que são da ala do confete e serpentina e não abrem espaço para sprays de espuma, o tempo fica em suspenso por 4 dias, em um verdadeiro transbordamento de alegria. Não permitem que o neon brilhe mais do que a velha e boa purpurina... É bem verdade que existem alguns exageros, aqui e ali, e a culpa acaba caindo nos braços do pobre Momo...
Tudo bem que arlequins, pierrôs e colombinas tenham ganhado uma versão mais moderna e ousada e que os foliões flutuem em um caos organizado, entre plumas e paetês, em direção a encontros e desencontros típicos do Carnaval, mas, daí a aceitarmos um desvio de rota radical que troca o batuque pelo baixo elétrico em pleno bloquinho, vai uma certa distância.
Não se trata de gostar ou não da produção eletrônica, com samplers, caixas de som e sintetizadores. Trata-se de respeitar uma tradição secular que começou lá em mil e seiscentos e poucos, com os entrudos trazidos de Portugal e, mais tarde, por volta de 1928, com as primeiras escolas de samba e marchinhas.
Vale atentar que ser a favor de manter o ritmo carnavalesco durante o Carnaval não é ficar parado no tempo, mas é mais ou menos como evitar cantar músicas natalinas em plena Páscoa.
Desejo, portanto, um Carnaval cheio de cadência, ginga, batucada, bumbos, tamborins e alegorias, ou mesmo um Carnaval tranquilo, com aquilo de melhor que a natureza tem a nos oferecer, como uma ala de pássaros canoros e grilos saltitantes.
Seja de uma forma ou de outra, que seja longe do funk, porque Momo não é MC, nem Coelhinho da Páscoa é Papai Noel.
Um excelente carnaval a todos!
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