Edição: sábado, 11 de julho de 2026

Douglas Moutinho

COLUNISTA

Douglas Moutinho

Supergirl e a aposta no minimalismo narrativo

Foto: Divulgação
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Em um momento em que o cinema de super-heróis parece cada vez mais dependente de ameaças capazes de destruir o planeta, Supergirl segue um caminho diferente. O filme acompanha Kara Zor-El em uma jornada espacial ao lado da jovem Ruthye, que busca vingança contra o responsável pelo assassinato de seu pai. O conflito existe, mas sua importância não está na escala da destruição, e sim no impacto que exerce sobre as protagonistas.

Essa opção revela uma mudança interessante na nova fase da DC. Em vez de construir a narrativa em torno de um grande evento que redefine todo o universo compartilhado, Supergirl investe em uma história de amadurecimento, perda e escolhas morais. O espetáculo visual permanece, mas deixa de ser o verdadeiro motor da narrativa.

Não deixa de ser uma resposta ao próprio momento vivido pelo gênero. Depois que a Marvel consolidou a ideia de um grande universo compartilhado, transformando cada filme em uma peça de um gigantesco quebra-cabeça, a fórmula passou a dominar Hollywood. Durante anos, parecia que a sobrevivência do gênero dependia de narrativas cada vez mais grandiosas e interligadas. Hoje, entretanto, esse modelo dá sinais de desgaste. A necessidade de acompanhar dezenas de filmes e séries enfraqueceu o interesse de parte do público, enquanto o impacto de cada nova ameaça parece cada vez menor.

Talvez o futuro dos filmes de super-heróis não esteja em expandir ainda mais seus universos, mas em reduzi-los. Histórias menores, centradas em personagens, podem oferecer justamente aquilo que o gênero perdeu em meio à escalada de grandiosidade: envolvimento emocional. O público dificilmente se lembra apenas do tamanho da batalha final. O que permanece são os personagens e as escolhas que fizeram ao longo da jornada.

Se essa proposta se consolidar, Supergirl poderá ser lembrado não apenas como mais um capítulo da nova DC, mas como um exemplo de que, às vezes, o caminho para renovar um gênero passa por diminuir sua escala e aumentar sua humanidade.

Minions & Monstros e a importância de ensinar cinema brincando

Foto: Divulgação
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A franquia Minions sempre encontrou humor no caos e na ingenuidade de seus protagonistas. Em Minions & Monstros, entretanto, a fórmula ganha um ingrediente inesperado: uma homenagem à própria história do cinema. A trama acompanha James, um minion fascinado pela sétima arte que sonha em produzir filmes na Hollywood dos anos 1920. Em sua tentativa de realizar um grande longa de monstros, uma série de confusões acaba transformando a ficção em realidade, obrigando os personagens a enfrentar as criaturas que ajudaram a criar.

Embora a aventura seja conduzida pelo humor característico da franquia, o filme chama atenção pelo cuidado em dialogar com as origens do cinema. As referências ao cinema mudo, aos efeitos especiais artesanais de Georges Méliès, à comédia física de Charlie Chaplin e Buster Keaton, além dos clássicos monstros da Universal, fazem parte da narrativa sem parecerem meros acenos nostálgicos. São elementos incorporados à história de maneira leve e acessível.

Essa escolha revela uma qualidade cada vez mais rara nas grandes animações: a capacidade de entreter enquanto desperta curiosidade. Em vez de limitar suas referências à cultura digital ou a piadas que envelhecem rapidamente, Minions & Monstros convida o público, especialmente o mais jovem, a descobrir que o cinema possui mais de um século de história, repleto de inventividade e imaginação.

Naturalmente, uma criança não sairá da sessão conhecendo Méliès ou compreendendo a importância do expressionismo alemão. Mas talvez pergunte de onde vieram aqueles monstros, por que algumas cenas lembram filmes antigos ou quem inventou aqueles truques visuais. E esse já é um enorme mérito. Grandes paixões culturais frequentemente começam por uma simples curiosidade.

Em uma época em que o consumo audiovisual é cada vez mais acelerado e descartável, Minions & Monstros lembra que olhar para o passado não significa abandonar a diversão. Pelo contrário: revisitar a história do cinema pode ser uma das formas mais eficazes de renová-lo. Talvez o maior legado do filme não esteja apenas nas risadas que provoca, mas na possibilidade de formar futuros espectadores que enxerguem o cinema como algo maior do que os lançamentos da semana.

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