COLUNISTA
Fernanda Colagrossi está de volta, com a mesma disposição com que liderou, nos anos 80, o movimento que salvou o Centro Histórico de Petrópolis e áreas próximas do triste fim de transformar-se num paredão de edifícios em substituição aos sobrados e espaços urbanos que tornam a cidade uma atração nacional e internacional. A presença da presidente da Associação Amigos de Petrópolis e Defesa Ecológica (Appande) é vista como fundamental, tendo em vista que está em curso um trabalho de revisão dos tombamentos que salvaram traços fundamentais da Cidade Imperial. O Diário de Petrópolis, que participou de todas as lutas, desde a década de 70, contra a favelização imposta por loteamentos clandestinos, ilegais e, alguns, criminosos mesmo, teve em Fernanda uma extraordinária aliada em defesa dos traços deixados por Koeler e que transformaram Petrópolis na cidade encantadora, que é preciso proteger. Quem imagina que a proteção do nosso acervo arquitetônico e paisagístico é impedimento para o desenvolvimento da cidade, deveria refletir melhor, pois não há muito futuro nessa perspectiva de destruir o que somos. Melhor apostar na Cidade da Tecnologia, como nos declarou o governador Cláudio Castro.
Dois eventos que marcaram profundamente a vida de Petrópolis estão comemorando aniversários nestes dias. No próximo dia 21, foi oficializada há 65 anos a transferência da capital brasileira do antigo Distrito Federal, que era a cidade do Rio de Janeiro, para Brasília. E há poucos dias completaram-se 50 anos de fusão entre os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. Nos dois casos, Petrópolis perdeu mais do que ganhou. No caso da ida do governo para Brasília, Petrópolis deixou de ser sede dos “verões presidenciais”. Perdemos a presença constante do presidente da República há fotos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitscheck passeando, a pé por ruas do Centro da cidade, mostrando que havia certa intimidade entre nossa cidade e o poder central. Perdemos também a presença dos ministros e outros dirigentes poderosos, de políticos importantes, empresários diplomatas brasileiros e estrangeiros, que tinha casa por aqui e acompanhavam os presidentes durante suas viagens a Petrópolis. Com a ida para Brasília, a distância dificultou a transferência do governo para cá. Perdemos em poder e dinheiro. Deixamos de ser capital da República por alguns meses do ano. Até mesmo os governadores de estado deixaram de frequentar o Palácio Itaboraí, que era sede do governo estadual durante os “verões presidenciais”, hoje abriga a Fiocruz. No caso da fusão entre Guanabara e o antigo Estado do Rio de Janeiro, que tinha capital em Niterói, também perdemos em importância e em força eleitoral. Sem os votos da cidade do Rio de Janeiro, tínhamos um dos maiores eleitorados do estado, votos importantes para eleger deputados e senadores. Hoje, perdemos em votos para um grande número de bairros do Rio. Importante dizer que não fomos consultados sobre nenhuma das duas mudanças. Vamos nos reinventando e sobrevivemos, mas tivemos perdas que jamais foram compensadas, ao contrário do que ocorreu sempre com a capital. E os tombamentos não são responsáveis por isso.
A proteção do que nós temos de mais valioso para atrair turistas e novos moradores também não foi responsável por golpes enormes sofridos por Petrópolis, como a desindustrialização nacional operada no regime militar de 1964, que levou à falência boa parte das indústrias têxteis que transformaram a cidade num importante polo industrial, no início do último século. Lembrando sempre que o primeiro tombamento foi anterior à Appande, em 1960: da Avenida Koeler. E os tombamentos não levaram também a perdermos a beleza de São José do Rio Preto, então 5º Distrito de Petrópolis, e sua vigorosa produção avícola, com a criação de São José do Vale do Rio Preto. E, se pensarmos num evento de 1946: a proibição do jogo e consequente fechamento do Quitandinha não foram provocados pela defesa do que há de bonito na cidade.
As grandes listas de demissões, a pedidos, de profissionais da área de Educação, tanto em Petrópolis, quanto na rede estadual, são preocupantes. Basta consultar os diários oficiais para ver que esses profissionais estão buscando novos caminhos. A preocupação não é apenas porque as demissões representam problemas para o funcionamento das escolas, mas também porque podem significar que estado e município não oferecem salários e condições de trabalho satisfatórios ao seu pessoal, nesta área. É preciso refletir sobre o que está acontecendo e promover concursos públicos para preencher as vagas, hoje terceirizadas.
Ação movida pelo Ministério Público Estadual proibiu Cabo Frio de contratar servidores temporários, enquanto deixa profissionais aprovados em concursos públicos ao relento. As multas previstas na decisão do juiz da 2ª Vara Cível de Cabo Frio são salgadas. A decisão já foi confirmada pelo Tribunal de Justiça.
Não há, ainda, notícias sobre a conclusão das obras de reforma do prédio, na Fazenda Inglesa, onde será instalada a Academia do Corpo de Bombeiros, em Petrópolis. É um equipamento que toda a cidade deseja, mas, com que os moradores da região contam para movimentar o local e trazer alguma segurança. A obra está paralisada.
Outras duas obras aguardadas com ansiedade são as reformas da Casa do Barão do Rio Branco, que faz parte do patrimônio estadual, e o prédio dos Correios, na Rua o Imperador. Da casa na Rua Alberto Torres, na confluência com a Floriano Peixoto, nada mais se espera. Ela está pronta para ruir a qualquer momento. O melhor ali é que as autoridades selem portas e janelas, impedindo acesso ao imóvel e diminuindo o risco de que alguém sofra ferimentos, aso algum pedaço da casa caia. Quem achar que é exagero, que olhe para a casa com mais atenção.
O governo do estado fixou os limites de recursos a serem enviados aos municípios. Petrópolis terá, basicamente, dinheiro para manter as UPAs e cobrir algumas áreas e programas em que estado e município financiam conjuntamente algumas com a participação direta do governo federal. É bastante dinheiro, mas está na hora de reivindicar o que alguns outros municípios já receberam: um hospital especializado bancado pelo governo estadual. Quem sabe um centro cardiológico ou um hospital oncológico regional?
Legenda: Na fila do alto, os dirigentes do Lions: Leda Galluzzi (presidente de Região e tesoureira do Lions Clube Centro), Maria Isabel de Sá Earp de Resende Chaves (reitora da Unifase/FMP, anfitriã da cerimônia assessora de Saúde da Serra), Darinka Senna (assessora do Prêmio Lions e secretária do Lions Clube Centro), Márcia Volpato (presidente do Lions Clube Itaipava), Carlos Eduardo Schaefer (presidente do Lions Clube Centro), Camila Araújo Pinho (representante do presidente Luiz Fernando Vidal do Lions Clube Quitandinha) e Paulo Cesar Salles Santos (investido como mestre de cerimônias do evento). Na fila de baixo, os homenageados com a Medalha Lions Clube: jornalista Douglas Prado (Comunicação), professora Ana Paula de Oliveira Brito (Educação), capitã-PM Endgie Oliveira Paquiela (atuação Humanitária), advogado Ramon Pedro de Mello (Segurança), médico Antonio Carlos Pastor Maciel (Saúde), atriz e produtora cultural Sabrina Korgut (Cultura) e ator e produtor cultural Paulo Lopes (Cultura).
Foi uma bonita festa, bastante prestigiada, a cerimônia de entrega do Prêmio Lions Clube, realizada em auditório da Faculdade de Medicina de Petrópolis, no último sábado. Com participação dos presidentes do Lions Clube Petrópolis Centro e Lions Clube Petrópolis Itaipava e de representante do presidente do Lions Clube Petrópolis Quitandinha e de outros integrantes da direção do clube, o evento foi presidido pelo governador do Distrito LC-1 do clube, do Rio de Janeiro, Coronel Renato Benevenuto este clube foi o primeiro a ser criado no Brasil.
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