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quarta-feira, 12 de novembro de 2025


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Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Mais uma tentativa de  não mostrar a origem do caos em que Petrópolis vive


Envolto em problemas de toda ordem, o governo municipal mantém o estilinho TikTok de comunicação com os cidadãos-contribuintes, e oculta informações fundamentais para as pessoas entenderem a gravidade do que está acontecendo com as finanças da Prefeitura. É o que acontece com o último decreto que tenta colocar em ordem o uso do dinheiro público. Como nem todos leem o Diário Oficial, o que é importante fica escondido na comunicação do governo, por trás de generalidades do estilinho TikTok. Pois bem, está lá, nos considerandos do decreto, com todas as letras, o que Hingo Hammes escondia, desde antes de assumir o governo. Vamos reproduzir? “considerando a reiterada inadimplência pela gestão encerrada em 31 de dezembro de 2024, com férias de servidores da educação e despesas necessárias ao custeio da administração geral, tais como aluguel, telefonia, água, material de consumo, insumos básicos, dentro outros, Pasep e parcelamentos em geral, além do aumento considerável da despesa corrente do município, onde a receita não acompanha o referido aumento”. A informação, finalmente publicada, esconde os malefícios do que Hingo Hammes recebeu de Rubens Bomtempo, cujo nome nem é citado no decreto. O texto do decreto é um pouco tosco, mas é possível traduzir assim: foi calote geral e gastança irresponsável.


Sem solução e sem tempo

O novo decreto de Hingo Hammes, que chega com um ano de atraso e cuja aplicação em pouco vai mudar o destino de seu governo, tal o montante das dívidas com servidores e prestadores de serviços e o curto espaço de tempo para arranjar dinheiro, de modo que não se confirme a tragédia que está por vir: servidor sem salário, lixo nas ruas, agravamento das condições precárias de atendimento na área de saúde. Não dá mais tempo para corrigir os erros por má gerência ou omissão, cometidos por Hingo Hammes, nos meses em que deveria estar enfrentando o resultado da política de terra arrasada desenvolvida por Rubens Bomtempo, agora ele é também responsável/cúmplice por cada um dos problemas e armadilhas que ameaçam Petrópolis.  O decreto relaciona outros problemas que Hingo deveria ter enfrentado desde 1° de janeiro e não enfrentou: “o público e notório estado calamitoso das contas públicas municipais, em especial da Comdep, CPTrans, Saúde, Educação, incluindo obras paralisadas, referente ao exercício de 2024”, também “as dívidas de grande monta com fornecedores e pessoal, com prestadores de serviços essenciais”, e mais “o passivo oculto das despesas (não empenhadas, empenhadas e não pagas e empenhadas e canceladas) deixadas pela administração anterior que foi constatada após a remessa das contas de governo exercício de 2024 ao TCE/RJ”.


Onde estão as ações do governo HH?

O decreto traz, com atraso de mais de um ano, informações contundentes. É muito difícil acreditar que Hingo Hammes, vereador, presidente da Câmara, prefeito interino, candidato a prefeito, não soubesse das trapalhadas de seu antecessor Rubens Bomtempo. Os problemas estavam lá quando começou a campanha eleitoral e agravaram-se ao longo dela. Como, então, o ex-prefeito deixou um “passivo oculto” de despesas não empenhadas, empenhadas e não pagas e empenhadas e canceladas? E que providências foram tomadas Hingo Hammes para proteger o município, de que seria prefeito a partir de 1° de janeiro? Onde estão representações ao Ministério Público, denúncias ao Conselho de Contas dos Municípios, as necessárias ações criminais para esclarecer como essas manobras, todas proibidas por lei, foram realizadas? Não existiram. Como não existem até agora.


Atrasadas e insuficientes

As medidas previstas no decreto talvez tivessem algum resultado prático se adotadas em janeiro. Hingo manda demitir prestadores de serviços por RPA, contratados por meio de empresas terceirizadas, mirando em 15% das despesas desse setor. Manda cortar horas extras 15% dos contratos de obras e de prestação serviços ou compra de material, de fornecimento de combustíveis e de contratos de locação de bens móveis e imóveis. Medidas atrasadas e insuficientes para chegar ao fim do ano. E mais: como justificar que era possível fazer esses cortes e que Hingo Hammes não o fez a tempo e com as explicações necessárias? Cortar 15% dos contratos de aluguel de veículos e imóveis? Por que isso não foi feito antes? A pergunta é apenas retórica. O governo não fez porque não quis. Quem quiser algum material de pesquisa, basta ler edições desta coluna, desde o fim das eleições de outubro até os primeiros meses de Hingo Hammes.


Ouvidos surdos ao recado das urnas

Hingo Hammes não entendeu o recado que veio das urnas. A votação avassaladoramente majoritária que recebeu das urnas não tinha nada a ver com o estilinho TikTok de comunicação. Era na verdade uma séria exigência do eleitor para que as coisas fossem mudadas. O que fez Hingo Hammes? Continuou com repartições lotadas de cabos eleitorais, sem funções. Antes que alguém queira corrigir: como é possível a CPTrans, por exemplo, ter centenas de funcionários bem remunerados e não consiga reunir uma dúzia de pessoas capazes de administrar o Terminal Rodoviário do Bingen? Como justificar isso? Como justificar que o prefeito esteja promovendo licitação pública para contratar uma empresa para administrar o nosso principal terminal? Há coisas semelhantes ocorrendo na maioria dos setores. O eleitor queria mais: queria o fim do governo de casarões e palacetes e de órgãos de primeiro escalão dos quais não consegue pagar as contas. O eleitor-cidadão-contribuinte já ficaria muito feliz se o governo suspendesse a gastança dos contratos de aluguel, e seus órgãos vivessem de acordo com as graves dificuldades que enfrentamos. Isso vale para a frota municipal, alugada ou comprada. Quanto nos custa esse delírio?


O que pode mudar

Infelizmente, se quiser mudar alguma coisa, Hingo terá de enfrentar estes problemas que estavam lá, quando registrou sua candidatura a prefeito, estavam lá quando disputou primeiro e segundo turnos, estavam lá, quando foi diplomado e estavam lá quando assumiu o governo. São os mesmos problemas, agravados por omissões e por ações gerenciais desastrosas. Ele não tem mais o apoio que o cercava em 1° de janeiro. Mas, pode começar a pelo menos tentar, adotando medidas objetivas e responsáveis.

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