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domingo, 16 de novembro de 2025


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Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Cidadão comum acha que o governo Hingo Hammes acabou. Mundo político espera mais um pouco

O cidadão comum pode ter decidido que não há mais nada a esperar do governo Hingo Hammes. O que se ouve é que o governo conseguiu produzir um desastre financeiro ainda maior do que recebeu no início do ano. O resultado, aponta ainda o senso comum, é que vai faltar dinheiro para pagar o restante do devido dos salários de outubro aos servidores, o 13° salário (há partes a pagar agora em novembro e outra em dezembro) e os salários de dezembro, que vencem em janeiro. Já seria crise suficiente, mas ainda vai faltar dinheiro para tirar o lixo das ruas em pleno Natal. Nos meios políticos, ainda há alguma espera. A situação intranquiliza os agentes políticos, especialmente os da Câmara Municipal, cuja sensibilidade a crises como a atual é elevadíssima. Mesmo assim, a maioria dos vereadores não acompanha a conclusão de que o governo chegou ao fim e que, a partir de poucos dias, passará a ser um mero espectador, ainda mais incapaz de reagir aos acontecimentos. Os vereadores já fizeram uma primeira reunião, para tratar dos desacertos do governo. E havia maioria. Uma segunda reunião terá número maior de participantes e humor e paciência menores. Só nos resta rezar para que não haja temporais nos muitos próximos meses.

Quando desembarcar?

Em outras áreas que envolvem o apoio do governo municipal para candidaturas a deputado e senador, já há muitos poderosos se perguntando quando devem se descolar do drama petropolitano. Oficialmente, muitos ainda querem ajudar, mas não estão mais dispostos a ser sócios da crise num governo que não ouve ninguém. O recesso de fim de ano será um período ótimo para que se afastem da grande trapalhada municipal.

Um adendo

Não há milagre à vista. Além de também estar raspando o cofre para pagar suas próprias dívidas, o governo do estado está impedido por lei assim como o governo federal de transferir recursos para custeio (pagamentos de salários, por exemplo). A menos em condições extraordinárias, nas quais Petrópolis hoje não se inclui.

O estilinho e a tapeação

O estilinho TikTok de comunicação do governo Hingo Hammes continua dominando a farsa de que há alguma coisa em funcionamento que mereça risos, abraços e acenos de autoridades aos cidadãos. É apenas uma forma de não informar, de não prestar contas, de não esclarecer sobre os caminhos escolhidos, de não respeita o cidadão-eleitor-contribuinte-consumidor. Em meio a uma gravíssima crise, o governo ainda não se dignou a informar quanto deve, para quem deve e seja lá o que for que esteja fazendo, a sério, para enfrentar as dificuldades. O governo também não informa quanto gasta na contratação de ocupantes de cargos em comissão e o que fazem esses servidores. Não nos informa sobre quanto gasta nesse delirante projeto de instalar repartições públicas em casarões e palacetes localizados nas áreas mais caras da cidade. E como pretende reduzir esses gastos fixar em 15% a redução dessa gastança é mera tapeação. É preciso suspender esses contratos mirabolantes, que atentam contra os interesses de Petrópolis, e substituí-los por imóveis modestos nestes prédios vazios da Rua Teresa, com preços negociados. Da mesma forma que é preciso mostrar ao cidadão quanto custou a escalada de criação de secretarias e outros órgãos municipais. E como será feito para reduzir isso imediatamente, pelo menos pela metade. E não há qualquer informação sobre a gastança com automóveis. Não adianta fixar metas percentuais de redução. É preciso tirar das ruas a frota municipal e redimensioná-la para o tamanho de um município que não consegue pagar as contas básicas.

Esperança

Apesar da crise/trapalhada do governo municipal, jovens ainda sonham que é possível mudar alguma coisa, por meio do voto. Quase 600 petropolitanos, que terão 16 anos ou mais nas próximas eleições, se alistaram como eleitores, em elogiável ação do TRE, realizada na Escola Estadual de Araras, no Ciep Gabriela Mistral, na Posse, e no Cenip. O total de jovens eleitores alcançou 4.792.

Uma sugestão

Sempre que há uma crise no governo municipal, mesmo menos graves do que a atual, quem não sabe o que fazer abana a ideia de que os empresários, investidores, que alguns chamam de sociedade civil organizada, e outros devem se mobilizar para ajudar. É justo, mas, no caso atual, como convencer os envolvidos na convocação que devem se envolver e perder tempo com quem não ouve ninguém. Aqui deste cantinho, faço uma sugestão: os líderes empresariais, evidentemente selecionados entre aqueles que pagam seus impostos municipais em dia, poderiam formar uma comissão para entrevistar outros empresários, investidores, construtores etc. e perguntar por que razão não pagam os impostos que devem à Prefeitura. O dinheiro devido por esse grupo aos cofres municipais é estimado sempre entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões. Se os inadimplentes pagarem o que devem, facilita tudo para Petrópolis.

Sossego

O prefeito Hingo Hammes decretou ponto facultativo na próxima sexta-feira, criando um feriadão, a partir de quinta-feira, Feriado da Consciência Negra. Pelo menos por quatro dias, o governo fica livre das manifestações de servidores reivindicando salários em dia.

Cruzick

Os amigos não sabem se lamentam a saída de Luís Cruzick do comando da Secretaria de Saúde ou se comemoram o alívio por ele ter se livrado do abacaxi. Quem acompanhou o empenho e coragem do ex-secretário e o que aconteceu nos últimos meses prefere que Cruzick assuma um cargo em que receba mínimas condições de desenvolver um trabalho de qualidade. E onde seja ouvido.

É Natal

A árvore do Sesc está iluminando o belíssimo Quitandinha e a programação de Natal promete sucesso. Que não nos falte o desfile de caminhões da Coca Cola. Aliás, o governo bem que poderia explicar à fabricante de refrescos a situação especial que Petrópolis está vivendo, incapaz de investir em seja lá o que for, e que seria vital agendar o desfile da Coca Cola para horários entre 20h e 22h, mais adequados ao nosso clima. Nos anos anteriores, o desfile terminou depois de meia-noite.

Mas é difícil

Até ontem, a Prefeitura não tinha decidido como funcionará a feira livre em volta do Quitandinha, durante os eventos de Natal e a expectativa de grande número de visitantes.

Recorde

A Secretaria de Obras acaba de anunciar a paralisação dos serviços de instalação de ar-condicionado no Theatro Dom Pedro. Os atrasos nas obras de reforma do teatro já ultrapassaram três governos municipais. E parece que Hingo Hammes vai confirmar o recorde.

Abairramento

É uma pena que a conclusão do trabalho de abairramento de Petrópolis ocorra em ambiente de tão baixa credibilidade do governo municipal. O esforço do secretário Fred Procópio, dos servidores e das comissões que atuaram no projeto merecia condições melhores.

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