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domingo, 21 de dezembro de 2025


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Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

O teatrinho da “recuperação” da cidade se repete, enquanto projetos importantes ficam paralisados

Enquanto toneladas de lixo não recolhido são carregadas pelas chuvas para o leito dos rios e ruas voltam a ser inundadas, o governo municipal repete o teatrinho sobre como está se esforçando para enfrentar os problemas provocados pelo temporal. O próprio mandatário tiktoker faz o seu discurso, em meio a imagens de trabalhadores raspando, varrendo e lavando ruas, calçadas e praças. É como se o mundo não existisse antes de Hingo Hammes assumir a Prefeitura, razão pela qual a chuva o surpreendeu. Parece que vivemos numa região de chuvas comportadas e que o temporal mediano desta semana não pudesse ser previsto. E os cidadãos também não se surpreendem, porque durante muitas e muitas décadas, governos de Petrópolis negligenciam o problema das inundações. O que fez Hingo Hammes para acelerar a realização de obras importantes, financiadas pelo governo federal, para reduzir o impacto das cheias na vida da cidade? Aparentemente, foi um ano perdido, porque os projetos não andam. De crise em crise, pode-se perder outros três anos, os que faltam para o fim do atual governo. E rezar para que o governo que substituir o atual também não deixe de lado o que foi feito até ali pelo antecessor e não demonstre grande surpresa quando chover. E não se ouviu um único comentário oficial sobre a inutilidade da dragagem de rios para evitar inundações. E isso ficou evidente: nos primeiros 15 minutos de chuva forte, lama, areia e lixo voltaram a assorear os rios, cuja “limpeza” custou muitas dezenas de milhões. E este lixo, que a Prefeitura não coleta, também ficou fora das explicações oficiais. Mas não dos indignados cidadãos.


Plataformas reprovadas

O Tribunal de Contas da União está de olho na utilização de plataformas eletrônicas privadas em licitações feitas com recursos federais. Segundo o TCU, foram identificadas falhas, entre elas, o fato de os municípios investigados não realizarem licitação ou outros processos formais de contratar empresas. As plataformas apresentariam falhas técnicas, como falta de transparência e cobrariam taxas irregulares. É melhor Petrópolis abrir o olho, para evitar ter licitações importantes canceladas, como é o caso da construção da policlínica patrocinada pelo governo federal, projeto de R$ 18 milhões. Uma Prefeitura que dispõe de uma Superintendência de Licitações, Compras e Contratos Administrativos não deveria entregar suas licitações a empresas privadas, correndo riscos e pagar por isso.


Desesperança

A poucos dias do encerramento do exercício de 2025, o governo municipal ainda não esboçou qualquer movimento no sentido de reduzir a crise financeira. Na verdade, Hingo Hammes recebeu uma Prefeitura quebrada de seu antecessor Rubens Bomtempo e se esforça em piorar a situação, em todos os níveis, porque a gastança herdada continua. Isso mostra que 2026 será um ano ainda mais difícil para o petropolitano. E assim por diante. O próximo será mais um ano perdido em discussões sobre se há ou não dinheiro para pagar funcionários, prestadores de serviços e fornecedores, além de outros compromissos importantes como pagar os precatórios, devolver o dinheiro que foi surrupiado das contas do fundo previdência, que pertence aos servidores e da conclusão de obras. E Hingo Hammes terá um ano inteiro para ouvir os gritos de protesto do funcionalismo: “Hingo, a culpa é sua”.


Explicação trôpega

O prefeito Hingo Hammes precisa explicar a que bloqueios judiciais se refere quando diz que eles prejudicam os pagamentos do funcionalismo. Não devem ser os bloqueios feitos pela 4ª Vara Cível, exatamente para pagar salários aos servidores e benefícios aos aposentados. Não paga bem pôr a culpa no Judiciário que, neste caso, só ajuda. E nem haveria judicialização destas questões, não fosse o atraso generalizado de pagamentos.


Aliás

O juiz da 4ª Vara Cível, Jorge Martins, deveria ser considerado um importante aliado do governo. Na audiência da última terça-feira, para tratar de ações de cobrança contra a Comdep, em momento de alguma descontração, mostrou que sua intenção é ver o governo municipal acertar o passo. E fez elogios ao prefeito Hingo Hammes, que seria trabalhador e bem-intencionado.


Ficou feio

A aprovação da reforma previdenciária municipal passaria sem registro, se não fosse a imprensa profissional da cidade. Embora o governo diga que o projeto teve origem em “grande debate”, nem mesmo os servidores da ativa e aposentados conheciam e conhecem, com exatidão, o que foi aprovado. Nem mesmo no estilo TikTok de comunicação adotado pelo governo o assunto foi tratado por Hingo Hammes. O governo erra tanto que tem medo até de aprovar regras previdenciários que são exigidas pela legislação federal, como foi o caso.


Mudanças

A realidade das ruas está forçando mudanças nos projetos de alguns políticos que pretendiam disputar as eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. As conversas agora se restringem a três candidatos principais a deputados federais e três a estaduais. Pode ser que surjam outros nomes, mas dificilmente estarão entre os favoritos.


Muito econômicos

Em plena crise financeira, a Prefeitura está se preparando para contratar por R$ 1,8 milhão obras de cobertura de uma quadra na Bernardo Coutinho. Deve ter acabamentos de mármore de carrara. Os órgãos de controle têm até o dia 13 de fevereiro para verificar se o mármore vem mesmo de Toscana.


Mau negócio

Está nos classificados: há em Itaipava um terreno de 19 mil metros quadrados, onde há uma grande casa principal magnífica e uma casa de caseiro com três quartos, área de lazer completa, com piscina e outros equipamentos. O preço representa 25% do que o governo municipal pretende pagar por uma área de 16 mil metros quadrados, também em Itaipava, para construir uma policlínica. Talvez seja o caso de o governo, antes de pagar R$ 16 milhões pelo terreno da Rua Rotary Clube Internacional, procurar algum imóvel com preço mais de acordo com o mercado. Ou, o que seria melhor, identificar entre os imóveis de sua propriedade para substituir o mau negócio que está prestes a fazer.


Tudo certo

O Tribunal de Justiça absolveu o ex-prefeito Rubens Bomtempo de irregularidades apontadas no processo de contratação emergencial de empresa para a coleta do lixo urbano de Petrópolis. Os desembargadores decidiram que havia risco de interrupção do serviço, tornando aceitável a contratação sem licitação pública. Agora, falta explicar os contratos feitos sem licitação, uma segunda vez em 2023 e outra em 2024, com significativo aumento de preço. E, também, o contrato feito nas mesmas condições, este ano, por Hingo Hammes. A decisão foi tomada no último dia 9. O processo começou em 2023.

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