COLUNISTA
É péssimo terminar o ano tratando do mesmo tema: a colossal incompetência do governo municipal para prestar o serviço de coleta de lixo. Era assim quando Rubens Bomtempo deixou e governo, no fim de 2024, e continuou assim durante 2025 inteiro. Não houve um só dia em que a coleta funcionou a contento, fazendo todas as suas rotas e levando o lixo, no primeiro ano de Hingo Hammes à frente da Prefeitura. Até nisso ele copiou o antecessor. E a coluna vai aqui trazendo como novidade apenas o agravamento dos já bastante graves problemas do município. No caso do lixo, a expectativa é mais um ano de sujeira nas ruas, praças, encostas, margens de rios e até beiras de estradas. Em meio a isso, o governo apresentou seu programa de eventos para 2026. Seria para atrair turistas? Para conhecerem nossas montanhas de lixo e a natureza de ratos, baratas e outros seres que habitam as áreas imundas? É uma imagem ruim, mas não há como relacionar o que está acontecendo a coisas boas. Infelizmente, não há um único movimento do governo municipal que possa resultar em melhorias. Muito pelo contrário: parece que tudo caminha para um desastre ainda maior. Trato disso também nas próximas notas.
Com lixo tomando conta de ruas e calçadas da quase totalidade dos bairros, o ano começa ameaçador. A coleta está caótica, quase paralisada. Ela está entregue a um grupo empresarial que já fracassou no governo Rubens Bomtempo e cujo contrato foi mantido por Hingo Hammes. O novo prefeito manteve os problemas provocados por seu antecessor, os mesmos que levaram o adversário a perder votos, a ponto de ficar fora do segundo turno eleitoral, em 2024. Para ficar ainda mais parecido, usa a estratégia de criar as condições para fugir da obrigatória licitação pública para contratar o serviço. O atual contrato termina na próxima semana, obrigando a cidade a engolir mais um contrato emergencial, sem qualquer emergência que o justifique. E o lixo que está nas ruas vai continuar nas ruas.
Há, ainda, um agravante para o problema do lixo. Nas últimas semanas, empresas que prestam os demais serviços ligados à limpeza urbana passaram a cogitar seriamente em suspender os serviços, entre eles o de transbordo do lixo e o de coleta de entulho. Estas empresas, que são petropolitanas, cansaram de ter seus direitos preteridos pelo governo municipal, enquanto oferece todas as vantagens à atual detentora do contrato de coleta: a Solid. Essas empresas locais estão fazendo o trabalho para o qual foram contratadas, mas não recebem pelos serviços prestados, ao contrário da Solid, que não presta os serviços corretamente e recebe com mais regularidade. Pressionados pelo calote que lhes passa o governo municipal, as empresas pensam e paralisar seus serviços, talvez já na próxima semana.
Este misto de penúria financeira e irresponsabilidade administrativa que envolve o governo municipal não permite fazer qualquer previsão positiva. Não há esperança de solução para o problema do lixo. E isto foi, mais uma vez, uma escolha do prefeito Hingo Hammes, que preparou e assinou um orçamento municipal para o ano que está chegando, em que a Comdep terá menos recursos do que precisa somente para pagar o serviço do lixo. Era o toque que faltava para garantir a continuidade da desastrosa atuação mantida até agora.
O problema do lixo é tão grave, tão evidente, e incomoda tanto, que acaba ocupando quase totalmente os debates sobre as questões municipais. E há algumas questões seriíssimas a tratar. O desmonte da área de saúde, que já havia começado no governo Rubens Bomtempo, cresceu assustadoramente em seu governo. Há quem espera há mais de um ano por consultas com angiologistas, neurologistas e dermatologistas, que não conseguem fazer os exames clínicos ou de imagens de que necessitam. O antecessor de Hingo Hammes, jogava com marketing para esconder a enorme e perversa fila de pacientes, seu antecessor apenas ignora o problema, como se não fosse dele. E o atendimento nas principais unidades, incluindo os dois maiores hospitais, fica a cada dia mais precário. Mas, o problema não é do prefeito. Nem mesmo uma postagem estilo TikTok para explicar.
E, também, há o desmonte das finanças, que levou a cidade a sofrer com os frequentes atrasos no pagamento dos salários do funcionalismo, um escândalo que levou a Justiça a intervir, na tentativa de evitar o pior, que seria a paralisação de todos os serviços municipais. Felizmente, o juiz Jorge Luiz Martins, que julgou as ações sobre esses atrasos, teve equilíbrio e autoridade suficiente para proteger o funcionalismo e os aposentados do município. Mas, como não houve nenhum movimento do governo municipal para corrigir os dois problemas principais, que são a gastança desenfreada e delirante e o baixo desempenho das receitas de Petrópolis, o problema vai permanecer em 2026. Janeiro será mais um mês perdido, com o governo correndo atrás de recursos para pagar os salários de dezembro. E, depois, o de janeiro. E assim por diante, enquanto tudo o mais fica paralisado.
Merece elogios o decreto que o prefeito Hingo Hammes assinou estabelecendo normas para a fiscalização de obras particulares, em Petrópolis. Embora a maior parte dessas regras já esteja na legislação municipal, é sempre bom ver algum cuidado com esse aspecto da nossa vida na cidade. Mas, para ninguém se arrepender dos elogios, é prudente fazer algumas perguntas: quantos são, como estão organizados, de que estrutura dispõem e como são comandados os fiscais municipais que teriam de fazer cumprir as normas editadas pelo prefeito?
A CPTrans vai custar R$ 194,7 milhões para o município, em 2026. O contrato já foi assinado pela Secretaria de Serviços, Segurança e Ordem Pública.
Agradeço aos leitores que nos acompanham a paciência em 2025. Que tenhamos um ano melhor, com boas notícias, em 2026.
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