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Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Hingo Hammes faz balanço da administração, relacionando coisas que ele não fez


O balanço do primeiro ano do mandato de Hingo Hammes, preparado pelo próprio governo, não passou despercebido nas redes sociais. O texto, travestido em notícia, foi devidamente esculachado pelos internautas petropolitanos e até mesmo por alguns visitantes. Portanto, quem leu já tomou posição, quem não leu livrou-se de uma irritação. É uma “narrativa” delirante sobre como o governo foi pautado “pelo enfrentamento à severa crise financeira do município e pelo esforço contínuo em manter e qualificar os serviços prestados à população”. Isso que está entre aspas reproduz fielmente um trecho do primeiro parágrafo do texto. Pensei deixar passar em branco, mas, como a versão delirante foi publicada em alguns órgãos da imprensa como se reproduzisse a verdade, acho conveniente desmontar o texto todo: não houve enfrentamento à crise financeira e, exatamente, por causa dessa omissão inaceitável, surgiram problemas de toda ordem, que vão da coleta do lixo aos atrasos nos pagamentos do funcionalismo e à paralisação de quase todos os setores, por falta de projetos e dinheiro. Na versão do “balanço”, o prefeito Hingo Hammes diz ter priorizado “o que é essencial, a saúde e a educação e iniciamos a organização necessária para desenvolvimento de nossa cidade”. Se os jornais não tivessem publicado não acreditaria que estas declarações são mesmo do prefeito, falando sobre um ano que termina com milhares de pessoas esperando há meses e até há anos atendimento para seus problemas de saúde e que registrou falta de merenda nas escolas. E falar em desenvolvimento é fazer piada com coisa séria.


Salários ainda incertos

O ano começa com a repetição dos problemas que ganharam grande espaços nos debates da cidade. O prefeito terá de pagar até a próxima segunda-feira (dia 5), os salários de dezembro do funcionalismo municipal, que tradicionalmente eram pagos último dia útil do mês. Uma decisão judicial fixou este prazo. Que o prefeito consiga obedecer a ordem do juiz Jorge Luiz Martins, e que nos poupe de suas investidas à lá TikTok, com autoelogios por ter cumprido uma obrigação. Se busca mesmo aplausos nas redes, certifique-se de pagar também os salários dos RPAS, dos estagiários, dos contratados por meio do Centro de Integração Empresa Escola, que também são trabalhadores da Prefeitura. E assegure-se ainda de garantir que os trabalhadores terceirizados não fiquem seus salários. Qualquer coisa menos que isso, merecerá manifestações de protesto e não de simpatia, como busca o prefeito em suas aparições sorridentes nas redes sociais, no estilinho TikTok.


O lixo que o governo não vê

O governo tem dificuldades de localizar o lixo espalhado pelas ruas. As manifestações oficiais são de que o problema não existe.

Que a sujeira da rua é de responsabilidade da população, que descarta entulho de obras e restos de móveis e eletrodomésticos irregularmente. Talvez, tenha de prestar mais atenção, depois que a vereadora Júlia Casamasso mobilizou o Ministério Público estadual, para tentar obrigar o governo Hingo Hammes a cumprir uma de suas tarefas mais simples: coletar o lixo e manter a cidade limpa. E que não cumpre também a obrigação de manter ruas, calçadas e beiras de rios livres de entulho. Afinal, é responsabilidade da Prefeitura criar mecanismos reais para a retirada do entulho, fiscalizar e punir quem descarta irregularmente. No mais, é admitir que a coleta entrou em colapso, porque o governo é incapaz de exigir da empresa contratada para fazer o serviço que cumpra o seu contrato milionário. E não faz um só movimento para substituir a empresa, cujo contrato termina na próxima semana. Em vez de anunciar a substituição da empresa Solid, o prefeito comunicou no estilinho TikTok que vai transferir a administração da coleta de lixo da Comdep para a Secretaria de Serviços, Ordem Pública e Segurança e criar uma concessão. É como na piada popular, trocar o sofá da sala.


O que há por trás da mudança

A concessão anunciada, no caso, vai substituir a Parceria Público-Privada, que o governo anunciava como panaceia para o desarranjo do serviço de coleta do lixo e para justificar a inatividade diante da proximidade do fim do atual contrato com a empresa Solid. É prudente que a Câmara, o MP, o Tribunal de Contas e quem mais tenha a missão de fiscalizar os atos do governo acompanhem tudo com atenção, porque anunciar a concessão pode ser também o gatilho para fazer mais um contrato emergencial. E com a mesma empresa que fracassa todos os dias no cumprimento de suas obrigações contratuais. A desculpa seria ganhar um tempo para mudar o modelo, saindo da Comdep e indo para a SSOPS. Mudança que, afinal, foi feita nos últimos anos com absoluto insucesso.


Sempre pode ficar pior

E o problema do lixo pode ficar ainda mais grave. Sem receber há vários meses, a empresa PDCA, dona da estação de transbordo do lixo, está em vias de paralisar o serviço. Na última vez que o transbordo deixou de funcionar, a coleta piorou muito. Foi naquele período em que caminhões coletores suspendiam a coleta para descarregar o lixo em Três Rios. As montanhas de lixo nas ruas cresceram de forma assustadora.


Lançamento

O vereador Luiz Eduardo Dudu, de Petrópolis, foi o único em todo o estado que garantiu o lançamento de sua candidatura a deputado estadual por ninguém menos que o governador Cláudio Castro. Foi numa postagem em que os dois cumprimentaram os eleitores e desejaram votos de boas festas de Natal e Ano Novo. O vídeo causou algum ciúme.


Na disputa

O nome do ex-vereador Jorginho Banerj já pode ser inscrito na relação dos candidatos a deputado estadual de Petrópolis. Ele pretende decidir a que partido se filiará já na próxima semana. Outro ex-vereador, Leandro Azevedo, também está animado com a ideia de disputar as eleições de outubro.

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