COLUNISTA
Enquanto Petrópolis cata tostões para tentar pagar salários de seus funcionários, números da Secretaria estadual de Fazenda, publicados pelo Diário de Petrópolis, mostram que apenas 64,8 mil dos mais de 200 veículos automotores emplacados no município pagaram o IPVA em 2025. Isso quer dizer que dois em cada três veículos emplacados em Petrópolis circulam em situação irregular. Os que pagaram recolheram R$ 114 milhões aos cofres públicos. Metade desse dinheiro foi repassada a Petrópolis. Isso quer dizer que, por falta de fiscalização e inaceitável desordem administrativa, deixaram de entrar nos cofres públicos, em 2025, R$ 228 milhões, dos quais R$ 114 milhões seriam de Petrópolis. Esse dinheiro ajudaria a financiar, por exemplo, os serviços de saúde, minorando sofrimentos e salvando vidas. É um escândalo fiscal e moral.
O governo municipal está noticiando a formação de “força-tarefa” para coletar o lixo que emporcalha toda a cidade. Como assim? Então, a cidade paga milhões pelo aluguel de caminhões, além de pagar os salários dos coletores e de custear a administração do serviço e institui força-tarefa para coletar lixo e não para exigir que o contrato milionário com a Solid seja cumprido? Não há paciência que resista!
Ainda falando em lixo: o governo municipal deveria homenagear internautas e empresas de mídia digital que tratam chuvas comuns como tempestades históricas. Assim, a responsabilidade dos efeitos das chuvas deixa de ser de autoridades omissas e passa a ser da natureza. Em fotos publicadas nas redes sociais, no último domingo, ficou mais que evidente que havia ruas importantes inundadas por causa de bueiros entupidos, que não escoavam as águas. No fundo de várias destas fotos, era possível ver que as águas não transbordavam dos rios. E nas pistas de rolamento de veículos e calçadas havia mais lixo do que água. Deus nos proteja de um temporal de verdade.
A turma dos “puxadinhos” é que não vai gostar. O governo municipal está contratando tecnologia para fiscalizar os imóveis que estão em desacordo com o projeto arquivado na Prefeitura ou que foram construídos sem a necessária licença.
Estes terão de pagar o IPTU correspondente às novas dimensões do imóvel.
O ano virou com uma novidade de bom porte na política municipal. As informações sobre o namoro do ex-prefeito Rubens Bomtempo com o PT regional que circularam ainda em dezembro, se confirmaram na última segunda-feira, quando Bomtempo e seu principal liderado, o vereador Léo França, receberam o comandante principal do partido em Petrópolis e o acompanharam em visitas aos principais órgãos de imprensa da cidade. O que se diz é que Bomtempo está a um passo de receber as chaves do PT de Petrópolis. O partido já formara na federação que apoiou Bomtempo, nas últimas eleições para prefeito. Se isso for verdade, outros partidos podem estender a rede para receber quem deixará o PT. Poucos, mas expressivos, aliados de Bomtempo acham difícil que ele deixe o PSB, “por questões afetivas”. Mas, afeto nunca foi um atributo do ex-prefeito na atividade política. Fato importante é que Bomtempo pretende disputar as eleições para a Câmara dos Deputados e Léo deve buscar uma vaga na Assembleia Legislativa. E seus seguidores estão otimistas, em face dos desacertos administrativos do prefeito Hingo Hammes, em seu primeiro ano de mandato.
O prefeito Hingo Hammes fez uma visitinha à Comdep, depois dos feriados. Quando saiu, estava decidido o corte das gratificações salariais dos servidores. Cortar dos mais desfavorecidos sempre foi mais fácil. Hingo acaba dando razão aos que ainda usam como munição política o reajuste de 70% nos salários do prefeito, vice e ocupantes de cargos do primeiro escalão, que ainda está sob exame da Justiça.
Há um aspecto do governo Hingo Hammes que está em exame por adversários políticos importantes. Estes têm interesse em descobrir como é que o prefeito financia a produção dos vídeos (aqueles com estilinho TikTok) que são exibidos nas redes sociais. Alguns dizem que há contratos com empresa de produção que consumiram quase a totalidade dos R$ 450 mil que o orçamento de 2025 reservou para as despesas de divulgação. Se houver um indício de que a propaganda de má qualidade custou um só centavo à Prefeitura, os que pesquisam sobre o assunto pretendem enquadrar o prefeito nas leis de proíbem que isso seja feito, quando o objetivo é promoção pessoal, o que parece o caso. E uma bomba-relógio pronta para explodir em 2026.
A Lei Orgânica do Município também proíbe o uso do dinheiro público para promoção pessoal da autoridade. O artigo 33 estabelece o seguinte: “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos municipais, qualquer que seja o veículo de comunicação, poderá ter caráter informativo, educativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos, imagens que caracterizem a promoção pessoal de autoridade ou servidores público”. Se essa norma estiver sendo descumprida, é um caso “batom na cueca”.
Quem frequenta as salas mais importantes do governo municipal diz que Elaine Cristina Silva do Nascimento, que foi secretária de Fazenda na administração Bernardo Rossi deve voltar ao posto no governo Hingo Hammes. O atual titular, Fábio Júnior, iria para um cargo na área política. A decisão já pode estar tomada, mas foi difícil conferir: quando a coluna foi fechada, o último Diário Oficial publicado pela Prefeitura datava de 29 de dezembro.
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