COLUNISTA
Vamos admitir que o prefeito de Petrópolis, Hingo Hammes, inocentinho, coitado, não sabia, há um ano, que estava recebendo das mãos do seu antecessor Rubens Bomtempo uma Prefeitura quebrada e desorganizada e que esse desconhecimento o tenha levado a errar na condução da vida financeira do município, principalmente. Agora, depois de um ano de amarga experiência para os petropolitanos, talvez Hingo Hammes ganhe coragem e tome medidas efetivas para reduzir a gastança do governo, em busca de equilíbrio das finanças e de um mínimo de organização na administração. Para entender o tamanho do buraco em que Petrópolis estava enfiada há um ano e onde Hingo a manteve, até mesmo agravando alguns problemas, basta confrontar as receitas municipais dos últimos três anos. O milagre do ICMS a mais pôs R$ 1 bilhão e 933 milhões nos cofres da Prefeitura, em 2023, e R$ 1 bilhão e 847milhões, em 2024, últimos anos do mandato de Bomtempo. Hingo estreou em 2025, com queda da receita para R$ 1 bilhão e 400 milhões. Mesmo assim, com recuo de centenas de milhões na receita, ele manteve a gastança irresponsável. Para 2026, a previsão é de R$ 1 bilhão e 600 milhões. Não dá nem para começar a pagar as contas atuais, muito menos pensar em algum investimento para resolver problemas graves do município. É preciso ação e muita competência para evitar mais um ano desastroso.
Os resultados do primeiro ano de governo, que paralisaram a cidade e repercutiram na qualidade de serviços importantes que deveriam ser prestados pela Prefeitura, deixam claro que apenas assinar novos ou prorrogar prazos de decretos sobre medidas para enfrentar a penúria financeira não resolve os graves problemas que envolvem a administração. O prefeito Hingo Hammes vai ter de mexer profundamente na custosa estrutura municipal, porque o faz de conta não funciona, como também não funciona administrar a cidade para o TikTok.
Os caminhões da empresa Solid continuam rodando pela cidade, mesmo depois do término do contrato de aluguel que a empresa tinha com o município. Isso quer dizer que, em situação normal, a empresa não pode receber pelo serviço prestado depois do último dia 8. Enquanto esse problema cresce e expõe o governo a sanções futuras, ninguém sabe onde vai parar a administração da coleta do lixo. Hingo Hammes teve mais de um ano para promover uma licitação pública para contratar o serviço, de forma decente, e não mais nesse modelo deixado por Bomtempo, que já se mostrou fracassado. E, agora, deixou vencer o contrato com a Solid. E um contrato expirado não pode ser prorrogado. E, por alguma razão que merece investigação, nem a Comdep nem a Secretaria de Serviços querem administrar a coleta. E se ninguém quer expor o CPF é porque o problema é grave. Como não dá para imaginar que o grupo que controla a Solid mantenha os caminhões por pura generosidade, dá para suspeitar que a manobra que o governo tenta fazer envolve, de alguma forma, a continuidade da empresa ou de uma das suas associadas.
Pode ser ironia de adversários, mas dizem por aí que o prefeito Hingo Hammes tem sido procurado por vários políticos que precisam se recuperar de índices elevadíssimos de rejeição pelo eleitorado e que gostariam de tê-lo como uma espécie de consultor na campanha eleitoral. Segundo esses maldosos, Hingo ganhou fama nacional por conseguir fazer milagres na recuperação de Rubens Bomtempo, que já se aventura a andar pelas ruas em plena luz do dia.
A Prefeitura e a subconcessionária Águas do Imperador precisam estabelecer e seguir, com urgência, normas para a realização de obras pela empresa de águas. Há exemplos em toda a cidade, como a destruição do asfalto de qualidade bem razoável que existia na Rua José Carneiro Dias, em Samambaia. Máquinas da subconcessionária escavaram a rua e deixaram os buracos abertos. A rua é uma importante ligação alternativa da região dos distritos com o Centro da cidade e foi transformada em pista de rali. Na maioria dos casos os consertos feitos pela empresa deixam buracos, desníveis e outros problemas.
Petropolitanos que voltaram da Região dos Lagos são unânimes em reclamar dos preços praticados pelo comércio de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios, principalmente. Isso ocorreu nos bares, restaurantes e quiosques nas praias, nas padarias, lanchonetes e até mesmo em alguns supermercados. Feitas as contas, muitos concluem o que era considerado impossível até há pouco tempo: que é mais barato viajar para o Rio ou Niterói.
O ex-prefeito de Três Rios Josimar Sales Maia é o novo superintendente de Indústria, Comércio e Serviços da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. O secretário da área é o também ex-prefeito de Três Rios, Vinícius Farah, candidatíssimo a deputado federal nas eleições de outubro.
O PT fluminense tem expectativas altas com relação a avanços na política estadual, com reflexos, evidentemente, nas eleições de outubro. Com algumas poucas exceções, os petistas defendem apoio à candidatura do ex-deputado e ex-presidente da Alerj, André Ceciliano nas eleições indiretas para governador do estado, que devem ocorrer em abril, caso se confirme o afastamento do governador Cláudio Castro para disputar as eleições para o Senado. É um projeto politicamente complicado, mas os petistas acreditam na capacidade de convencimento de Ceciliano junto aos deputados estaduais, que serão os eleitores do novo governador para o mandato-tampão que vai de abril a 31 de dezembro. A primeira tarefa será convencer Ceciliano a ser candidato. Ele trabalha para se eleger deputado estadual, com o projeto de voltar à presidência da Alerj.
Já está em vigor a lei federal que reconhece os professores da educação infantil como profissionais da carreira do magistério. Com isso, eles ganham direito ao piso nacional e ao enquadramento em planos de carreira da categoria. O benefício só depende de providências das prefeituras, que precisam regulamentar a aplicação da nova norma. Os profissionais de Petrópolis esperam que isso seja feito com a maior urgência.
O prefeito Hingo Hammes fez várias alterações no orçamento de 2025, que aparecem em Diário Oficial datado de 30 de dezembro, mas que foi publicado somente em 10 de janeiro. Como a publicidade é um princípio fundamental do Direito Administrativo no Brasil, sem a publicação, os atos não têm eficácia e, portanto, não valem nada. O governo não poderia fazer empenhos ou pagamentos com base nos decretos sem valor legal. Traduzindo: um decreto secreto leva a outras irregularidades tão ou mais graves. Ainda que seja por questões didáticas, o assunto merece investigação.
A rotina petropolitana de ter as contas da Prefeitura referentes à área de saúde como tema de processos judiciais chegou também a Teresópolis. A pedido do Ministério Público, o prefeito do município vizinho Leonardo Vasconcellos terá de apresentar em 24 horas, depois da citação formal, comprovantes de que cumpriu acordo firmado na Justiça, no qual o município se comprometeu a pagar cerca de R$ 20 milhões, que deve ao Hospital das Clínicas, administrado pela universidade local Centro Universitário Serra dos Órgãos. Pelo acordo, a Prefeitura deveria ter quitado a dívida integralmente até o dia 31 de dezembro último. O diferente no caso de Teresópolis é que o MP pede o sequestro de verbas públicas para fazer o pagamento e inclui até mesmo recursos destinados a salários.
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