Edição: quarta-feira, 29 de abril de 2026

Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Fila de espera por vagas em creches é confissão de ineficiência e incapacidade


O governo municipal está cercado de problemas de toda ordem, boa parte provocados por ele próprio, mas poucos são tão vexatórios quanto a reconvocação das famílias cujas crianças estão em fila de espera, muitas desde 2023, por vagas nos Centros de Educação Infantil de Petrópolis. É tão grave quanto a existência de fila de milhares de pessoas que esperam por cirurgias, exames laboratoriais e exames médicos, fila que também mostra que a ineficiência em áreas críticas passou dos limites. A reconvocação é uma confissão de incapacidade de resolver os problemas. Há crianças inscritas desde 2023 e que terão de enfrentar novamente a burocracia municipal para renovar os pedidos. Assim, e difícil evitar a clara rejeição da administração de Hingo Hammes pela população, que lhe deu 108 mil votos nas eleições de 2024.


Asfalto eleitoreiro

Há alguma coisa profundamente errada nas operações de asfaltamento de ruas e operações tapa-buracos realizados com dinheiro do município. A Prefeitura compra o material CBUQ para asfaltamento e para tapar buracos, mas o material não resiste a poucos meses de uso. Este material, segundo avaliação de estudos técnicos utilizados até mesmo pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deveria durar de 10 a 15 anos. Mesmo o outro material, a frio, usado em asfaltamento, deveria durar de 5 a 8 anos. Esse tema merece atenção especial, porque os contratos são cada vez maiores.


Sem contratos

O juiz Jorge Luiz Martins, da 4ª Vara Cível, determinou, em audiência judicial, na última segunda-feira, que o governo municipal apresente os contratos referentes aos serviços de coleta de lixo, transporte entre a estação de transbordo e o aterro sanitário e de utilização do próprio aterro. Deixou algumas autoridades muito assustadas. É que os contratos pedidos pelo juiz não existem, o que constitui irregularidade gravíssima. Mesmo sem contrato, a Prefeitura entregou os serviços à empresa Solid Ambiental. Se a Solid recebeu pelos serviços prestados, está caracterizada outra grave irregularidade. Quem pagou terá de explicar.


Tempo de calotes

A discussão nos meios políticos sobre se o governo Hingo Hammes fica sem dinheiro agora em maio ou no mês seguinte, de junho, não tem sentido. A Prefeitura já acumula tantas dívidas em áreas críticas, que não se pode ignorar que falta dinheiro. Há muito tempo. Só para contextualizar melhor: os ônibus escolares do município foram abandonados no Bingen, porque a Prefeitura não paga as despesas de manutenção.


Ataque ao futuro

Para onde quer que se olhe, o governo municipal age criando mais problemas do que resolvendo. Depois de ficar um ano e quatro meses de braços cruzados, diante da falta de servidores do quadro para preencher vagas nos serviços administrativos e de apoio escolar nas escolas municipais, o prefeito resolveu terceirizar também estas atividades, como já vem terceirizando vagas de professores. Além de desorganizar a área de Educação, porque os funcionários contratados são provisórios e atendem a outros patrões, que não a Prefeitura, o prefeito aplica mais um golpe no futuro do Instituto de Previdência Municipal (Inpas) e do próprio município: os terceirizados não são contribuem com o Inpas. O contrato em fase de licitação é de mais de R$ 84 milhões, pelo período de 12 meses. E há terceirizados em grande número nas áreas de Educação, Saúde, Assistência Social e praticamente em todas as demais áreas.


Bico calado

Aliás, o governo municipal recebeu com silêncio, como se o problema não fosse dele, a denúncia da vereadora Júlia Casamasso de que a empresa Capital Ambiental, que terceiriza a contratação de servidores para a Educação, atua sem contrato com o município, o não a tem impedido de receber valores milionários dos cofres municipais. Se o assunto for investigado e confirmado, trata-se de crime. O setor público só pode pagar por serviços regularmente contratados.


Desacato aos direitos

A atuação da Turp no sistema de transporte por ônibus de Petrópolis é vista pelos usuários como um desacato aos seus direitos mínimos. E com razão. Então, não há motivos para defender a empresa. Mas, a tentativa feita pelo governo municipal de “colar” entre os problemas provocados pela empresa a greve que deixou dezenas milhares de petropolitanos a pé, na última semana, é risível. A greve foi deflagrada pelos rodoviários, porque a Turp desrespeita direitos trabalhistas, por estar sem dinheiro. E está sem dinheiro porque a Prefeitura não lhe paga pelo serviço prestado de transporte de alunos das escolas municipais. Em lugar do ridículo jogo de cena, feito até mesmo pelo prefeito em suas aparições de tiktoker, o melhor seria, já no primeiro minuto de greve a Prefeitura acertar as contas e pagar o que deve.


Charretes

É positiva a tentativa de recolocar nas ruas as charretes elétricas, que substituíram os veículos puxados por cavalos, que eram um importante equipamento da área turística. Essa nova tentativa de implantar o serviço será administrada pela CPTrans. Outro projeto excelente prevê atividades no contraturno escolar para 60 alunos da rede municipal, no quase sempre esquecido Meio da Serra.


Assim não dá!

Quem quiser entender as razões do agravamento da insatisfação do vereador Júnior Coruja com o governo municipal, basta verificar o que está acontecendo nos serviços de saúde no Vale das Videiras, área de influência do parlamentar. Antes elogiados, estão passando por um processo de desmonte. No caso, todos dão razão a Coruja.


Sem padrinho

O governador Ricardo Couto de Castro fez mudança de peso na equipe de governo. Substituiu a poderosa secretária estadual de Saúde, Cláudia Maria Braga de Melo, por Ronaldo Damião. A mudança é um forte golpe na influência que o deputado federal Dr. Luizinho tinha sobre o setor. Com isso, não quer dizer que o prefeito Hingo Hammes terá dificuldades no relacionamento com a área estadual, mas fica com um padrinho a menos. E um padrinho poderoso, que o ajudou em diversas oportunidades. Já em relação ao novo governador, Hingo Hammes pode prestar atenção: o desembargador está fazendo coisas que o prefeito deveria ter feito desde o primeiro dia de governo, em busca de equilíbrio fiscal e moralidade. Perdeu um ano e quatro meses, mas ainda dá tempo de agir.


Festa do Sisep

O novo presidente do Sindicato dos Servidores (Sisep), Carlos Freitag vai ganhar festa de posse, no próximo dia 1°, no ginásio da entidade, na Rua Dr. Sá Earp. Será às 17h, antes das comemorações do Dia do Trabalho, que terão show com as bandas Duplo Impacto e Bendita Mistura.

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