COLUNISTA
O desajuste nas finanças municipais, que o prefeito Hingo Hammes vem cultivando desde que assumiu o governo, parece ter chegado à Guarda Civil Municipal. Para prestar seus serviços, os guardas precisam de meios mínimos: transporte, com devida manutenção, e combustível. É o que falta para que o petropolitano volte a acreditar que pode confiar na Guarda e a sentir alguma sensação de segurança, com a presença da guarnição nas ruas. A população atribui à ausência dos guardas até mesmo o nó do trânsito, que se repete dia a dia, em pontos importantes do Centro e de muitos bairros e quer que eles voltem a atuar integralmente. E acredita que a presença dos guardas inibe roubos e outras ações violentas.
Por falar em trânsito, a Prefeitura deve estar projetando algum viaduto para passagem do tráfego pela Avenida Ipiranga, pois autorizou a instalação de mais uma escola na importante via de ligação com a Floriano Peixoto e com o Quissamã, Itamarati e Cascatinha. Cheia de escolas, a pista da Ipiranga virou área de manobra e parada (e até mesmo estacionamento) de veículos dos pais de alunos e outros de transporte escolar. O descaso com a mobilidade urbana é tão descarado que ninguém vai estranhar se algum dia o governo municipal autorizar a instalação de um supermercado na área do parque natural da Ipiranga, permitindo que o prédio a ser construído ocupe a calçada de pedestres, como ocorre com o Terê Frutas de Itaipava. Problema, aliás, que ainda não foi resolvido. O mercado estaria “preparando um projeto” para demolir o que construiu na calçada.
O vereador Léo França pediu investigações sobre a compra de arroz, para a merenda escolar de Petrópolis, com preços superfaturados. E não é pouca coisa. Qualquer pessoa pode comprar em supermercados um quilo de arroz Tio João, um dos melhores vendidos no país, por menos de R$ 6 o quilo. O Camil custa menos de R$ 5 e o Solito por cerca de R$ 4,30 o quilo, mas, a Prefeitura comprou por R$ 8,55 o quilo. A Secretaria de Educação tentou se explicar, mas acabou apenas confirmando o preço no mínimo abusivo. O mesmo arroz pode ser comprado, pela internet, por R$ 6 e até menos, e é entregue na casa do freguês. O fornecedor da Prefeitura é a Salute Serviços Terceirizados, num contrato com valor total de R$ 3.936.871,00. Como a verba da merenda escolar vem dos cofres federais, a denúncia foi levada até à Polícia Federal. O prefeito tiktoker Hingo Hammes ficou caladinho.
A Prefeitura deixou expirar dois contratos de prestação de serviços de UTIs e agora corre para realizar uma licitação em caráter emergencial. Sem os contratos vencidos, a carência de UTIs no sistema de saúde do município é de 51 leitos. Não precisa ser especialista para imaginar o risco de vida que isso representa para um número incalculável de pacientes. A falta de UTIs pode aumentar ainda mais a fila de pacientes que esperam por cirurgias. Esse erro não pode ser atribuído a alguma desatenção e merece investigação.
Ainda há cidadãos/contribuintes/eleitores de Petrópolis que dão importância ao exame e julgamento das contas dos prefeitos municipais, pelo Tribunal de Contas do Estado e pela Câmara Municipal. Em ano eleitoral, talvez seja melhor medir as consequências de frustrar essas expectativas. Há contas de três prefeitos na fila.
Pedidos de empréstimos consignados feitos por aposentados e pensionistas do Instituto de Previdência e Assistência de Petrópolis (Inpas) estão batendo na trave de alguns bancos. É que a Prefeitura continua não repassando aos bancos os pagamentos feitos na forma de descontos nos salários, e os segurados do Inpas perdem o crédito e ainda são cobrados por dívidas que eles já pagaram. É grande a irritação dos prejudicados.
Se os problemas na coleta de lixo e entulho continuarem no atual nível, dentro de poucas semanas o governo Hingo Hammes se iguala ao de seu antecessor, Rubens Bomtempo, em incapacidade de gerir o serviço. O eleitor costuma punir governos que mantêm a cidade suja negando-lhes o voto. Os adversários apressam-se em colaborar com a demolição do prestígio do governo. Um grupo deles prepara imagens do lixo nas ruas, que pretende enviar aos deputados estaduais, numa tentativa de tirar o brilho da festa de entrega da Medalha Tiradentes concedida à presidente da Comdep, Fernanda Ferreira.
Candidatos a uma vaga na Câmara dos Deputados os ex-prefeitos Bernardo Rossi e Rubens Bomtempo são os principais beneficiários, eleitoralmente, do desmonte do governo municipal promovido por Hingo Hammes. Trabalham nas ruas com o mote: “quando eu era prefeito, funcionava”. O mais prejudicado pode ser o ex-secretário de Planejamento e Governo Fred Procópio, que disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Já livre dos compromissos de comandar a Secretaria estadual do Ambiente, o ex-prefeito Bernardo Rossi acelerou as atividades como candidato a deputado federal. Está percorrendo o estado, em busca de apoio, e torce para que os projetos e contratos que tramitavam sob sua administração, atingidos pela suspensão determinada pelo governador interino Ricardo Couto, sejam liberados antes das eleições. Em Petrópolis, Rossi tem problemas a administrar. Estão em crise suas relações com seu ex-chefe de Gabinete na Prefeitura, o primeiro-suplente de vereador Rodrigo Bueno.
Petrópolis deve em muito à capacidade de negociar da Associação de Moradores e Amigos de Santa Mônica, Itaipava, Secretário e Arredores (NovAmosanta) a antecipação da construção de nova ponte do Arranha Céu, que liga a União e Indústria à BR-040, em Itaipava. A obra fazia parte da agenda permanente da entidade nos encontros com autoridades de Petrópolis e de Brasília. Agora, os moradores torcem para que a entidade tenha a mesma sorte com relação ao projeto de construção de uma nova ponte, ao lado do Parque Municipal de Itaipava, ponto central de um projeto para minimizar os graves problemas de mobilidade na região, com utilização também da Rua Agante Moço, que passa atrás do parque.
É maior do que se noticiou a preocupação de setores do governo municipal com a determinação do juiz da 4ª Vara Cível de Petrópolis, Jorge Luiz Martins, que a Prefeitura apresente contratos e documentação relativa às empresas que prestam serviços na área de coleta e destinação final do lixo. Além de pagamentos sem cobertura contratual, que constituem irregularidade grave, haveria outros problemas nas relações do governo com as empresas, Apenas duas delas, a dona da estação de transbordo na BR-040 e a responsável pelo aterro sanitário de Três Rios têm contratos regulares. Mesmo que os contratos hoje inexistentes apareçam, a situação do governo não melhora. Como não foram publicados, não valem para dar ares de legalidade aos pagamentos feitos às empresas.
Será que alguma autoridade da área de controle já verificou se está tudo certo com a compra de um terreno de mais de R$ 16 milhões, numa ruazinha de Itaipava, comprado pela Prefeitura para construir uma unidade de saúde? Quem conhece o mercado de imóveis em Itaipava garante que há superavaliação pesada. Com este valor, seria possível comprar um terreno e realizar a obra de construção da policlínica prevista, que está sendo contratada por R$ 12 milhões.
Aprovado em concurso público, o advogado Aguinaldo Augusto de Mello Júnior vai lecionar Português, na rede escolar do município. Segue o caminho do pai, Aguinaldo Augusto de Mello, também advogado e que atuou no magistério durante várias décadas. Aguinaldo, o pai, foi combativo vereador na Câmara Municipal de Petrópolis. Aguinaldo, o filho, é advogado na CPTrans.
O vereador Luiz Eduardo Dudu está de partido novo. Transferiu-se do União Brasil para o DC. Ele assegura que tem carta do Diretório Nacional autorizando a transferência, que o beneficia eleitoralmente. Os cálculos mostram que um candidato para se eleger no União Brasil vai precisar de cerca de 40 mil votos. No DC, Dudu seria eleito com 25 mil votos. De quebra, ainda tem o apoio de Renato Cozzolino, comandante de Magé.
Mais um petropolitano foi atingido pelos cortes feitos pelo governador interino, Ricardo Couto, agora na Secretaria do Ambiente do Estado. Marcus Von Seehausen foi exonerado da chefia de Gabinete da Secretaria. O ato foi publicado ontem no Diário Oficial. Von Seehausen é aliado de Bernardo Rossi, que deixou o comando da secretaria para disputar as eleições.
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