COLUNISTA
O prefeito Hingo Hammes terá de responder por irregularidades cometidas por sua administração, ao longo de 2025, confessadas por ele mesmo em documento ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Essas irregularidades podem levar o prefeito Hammes a responder ações de improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por até 14 anos, e de crime de responsabilidade. A confissão foi uma tentativa desesperada de escapar das consequências de irregularidades gravíssimas cometidas. Hingo Hammes tentou driblar a lei e evitar que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) incluísse os desatinos cometidos no parecer e no julgamento de suas contas de governo. Propôs um acordo, mas foi barrado por parecer da Procuradoria e por decisão monocrática do presidente do TCE. A proposta de acordo foi considerada inadmissível e as irregularidades serão denunciadas no parecer do tribunal nas contas de governo de Hingo Hammes. Entre as irregularidades, está o desvio de mais de R$ 57 milhões, de recursos federais destinados à Educação, Saúde e Defesa Civil, e mais R$ 12,1 milhões de emendas parlamentares, que só poderiam ser utilizados para obras e serviços a que estavam destinados e que entraram na moenda de dinheiro em que se transformou a administração municipal. Em meio ao dinheiro desviado de suas finalidades estão também R$ 12 milhões enviados pelo governo estadual e que deveriam ser usados na saúde. Além disso, o município fez pagamentos destinados à empresa de coleta de lixo, em valor de quase R$ 40 milhões, sem cobertura orçamentária e empenho prévio, o que configura também grave infração administrativa e crime contra as finanças públicas.
Os problemas levantados pelo TCE e agora revelados pelo próprio prefeito não podem ser confundidos com meros erros administrativos. Na verdade, são ofensas gravíssimas, porque, ao desvirtuar o uso de recursos que são transferidos para a Prefeitura, o prefeito paralisou projetos importantes, retirou dinheiro da merenda e do transporte escolares, gastou indevidamente dinheiro que deveria custear consultas, exames e cirurgias na saúde pública. E torrou até mesmo dinheiro pertencente a aposentados da Prefeitura que integram um fundo destinado ao pagamento de suas aposentadorias no futuro. Também entrou na gastança dinheiro enviado pelo governo federal para ações de defesa civil. Numa cidade que é vítima frequente de inundações, desmoronamento e outros problemas provocados pelas chuvas esse desvio não representa menos que crime capital. Fez bem, portanto, o TCE cortando pela raiz a tentativa de Hingo de se livrar das consequências.
No documento enviado ao Tribunal, Hingo Hammes propôs repor o dinheiro retirado irregularmente das contas até o fim de seu governo, em 2028. É difícil saber como pretendia cumprir esse compromisso, se a Prefeitura não consegue pagar suas contas rotineiras e cumprir suas obrigações básicas com o contribuinte. Essa reposição do dinheiro acabaria entrando na extensa lista de calotes da Prefeitura.
O mais inacreditável nesta operação tentada por Hingo Hammes é que ele propôs arrumar as contas, mas não assumiu um só compromisso que desse um freio à gastança desenfreada e irresponsável que nos trouxe até essa situação vexaminosa para a cidade. Se tivesse prometido economizar, teria mentido, porque vem prometendo fazer isso desde o início do governo e até agora não cumpriu. Os palacetes e casarões alugados continuam, os carros para transporte de assessores e outros continuam. Enfim, a gastança continua.
Com base nas irregularidades que ele próprio admite que cometeu, em documento oficial, Hingo Hammes teve a cassação de seu mandato pedida ontem na Câmara Municipal pelo vereador Léo França. É difícil dizer se o processo avançará, mas o simples pedido já permite à opinião pública perceber o tamanho do buraco. Se a Câmara decidir avançar no processo de cassação, as investigações podem ser aprofundadas e outros problemas podem ser revelados.
A forma “escondidinha” utilizada pela Prefeitura para renovar de forma irregular o contrato do serviço de coleta de lixo de Petrópolis, que beneficiou a empresa Solid Ambiental, a de sempre, deve gerar consequências. Uma das empresas prejudicadas pela estranha forma de contratação, a PDCA já protocolou na Prefeitura pedindo de informações completas sobre o processo. Está pedindo também documentos, cuja falta revelarão claramente as irregularidades existentes.
Contas feitas por um apoiador da candidatura do vereador Léo França a deputado estadual, com grande experiência no cálculo de legenda partidária. Ao passar do PSB para o PT, o vereador também mudou de patamar de dificuldade eleitoral. No novo partido vai precisar de quase o dobro de votos que precisaria para se eleger pelo seu antigo partido. A turma dele já está correndo atrás de nichos petistas em outros municípios. O mesmo ocorre com o ex-prefeito e vice-prefeito Paulo Mustrangi, que também disputa vaga na Assembleia Legislativa, pelo PT.
É interessante que aliados do prefeito Hingo Hammes e alguns do ex-prefeito Bernardo Rossi ataquem quem critica o governo municipal, como ocorre quando investem contra a imprensa. Gastariam melhor o tempo e a energia se começassem a trabalhar para corrigir tantos problemas, tantas irregularidades, tantos calotes e tanta ineficiência. E informando o cidadão sobre como pretendem tirar Petrópolis do atoleiro. Talvez pudessem começar conversando com o prefeito Hingo Hammes e mostrando os problemas, sobre os quais muitos deles falam abertamente nas ruas.
Se querem tirar o prefeito as manchetes negativas e dos riscos de sofrer consequências por causa da caótica administração, talvez possam começar a corrigir a continuada irregularidade nos contratos com a empresa contratada para fazer a coleta do lixo, que recebe pelo serviço e deixa o lixo nas ruas. Colocar a coleta do lixo no rumo correto já seria de grande ajuda para a cidade.
O Tribunal de Justiça anulou a condenação do ex-deputado Paulo Melo, ex-prefeito de Saquarema e ex-presidente da Assembleia Legislativa. Ele tem muitos eleitores e amigos em Petrópolis. Mas, como a decisão judicial só saiu agora, ele não terá prazo para se candidatar. Melo foi, durante mais de uma década, um dos políticos mais poderosos do estado.
Nas atas de registro de preços mais recentemente adotadas pela Prefeitura, o preço do arroz caiu de R$ 9 para R$ 7. É possível pedir, pela internet, arroz da melhor marca por pouco mais de R$ 5.
A partir de sexta-feira, os pré-candidatos poderão arrecadar recursos na modalidade de financiamento coletivo. O dinheiro só poderá ser usado, no entanto, após o registro das candidaturas, obtenção de CNPJ e abertura de contas bancárias. Pedir dinheiro pode, pedir voto ainda não. A gastança vai começar em 20 de julho.
Há um político com bom currículo técnico disponível na praça. O ex-coordenador de Planejamento da Prefeitura, Dalmir Caetano deixou o cargo que exercia na Casa Civil do governo estadual. O ato de exoneração foi publicado ontem no Diário Oficial.
O tema foi tratado em reunião de representantes de Petrópolis com dirigentes da concessionária Elovias, que explora o pedágio na BR-040. Quando a nova ponte do Arranha-Céu estiver pronta e liberada ao tráfego, serão necessárias obras para evitar problemas no trânsito em Itaipava. O tráfego deve crescer muito, com a nova ponte, uma importante ligação entre a BR-040 e a União e Indústria. Uma rotatória bem planejada já ajudaria a evitar acidentes.
A Elovias, aliás, é contra até mesmo que se faça teste da divisão da atual pista da BR-040, para criar uma ligação entre os bairros Bingen e Quitandinha. É hora de começar a exigir da concessionária uma solução definitiva para o problema, que é vital para a mobilidade urbana em Petrópolis. É preciso acabar com o passeio por todo o Bingen e pelo Centro de Petrópolis de todos os veículos que saem do Bingen em direção a Quitandinha. A esperança de surgir alguma solução está no fato de as reuniões com a Elovias serem acompanhadas pela procuradora federal Vanessa Seguezzi, uma importante aliada de Petrópolis, como representante do Ministério Público Federal.
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